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Brasília na varanda

Mais do que um espaço físico, a sacada de casas e apartamentos foi incorporada ao estilo de viver do brasiliense. Seja para receber amigos, seja para trabalhar, seja apenas para apreciar a vista

Dominique Lima - Redação Publicação:16/06/2014 10:14Atualização:16/06/2014 11:50

Se o céu de Brasília é o seu mar, existe um lugar que possibilita acesso fácil a esse oceano. Seja em casas, seja em apartamentos, a varanda é espaço favorito de muitos brasilienses, que não abrem mão de conviver ao ar livre. São muitas as funções que uma varanda pode ter, fora a decorativa. Os mais variados tipos de atividades são praticados por quem sabe aproveitá-la. Receber amigos e familiares, preparar e servir refeições, ler, assistir a filmes, ouvir música.

Michella Simões e Marco Fontes Lima, com os filhos Nicole e Leonardo, queriam, acima de tudo, contato com o verde: mudança de estilo de vida e vista privilegiada (Bruno Pimentel/Encontro/DA Press)
Michella Simões e Marco Fontes Lima, com os filhos Nicole e Leonardo, queriam, acima de tudo, contato com o verde: mudança de estilo de vida e vista privilegiada

Na capital, as varandas costumam servir de cenário para momentos de alegria e ganham lugar privilegiado nas lembranças da família. Tornam-se, assim, parte do estilo de vida brasiliense.

Com plena consciência dos benefícios de ter uma varanda, a arquiteta Isabel Veiga é moradora há nove anos de uma casa com vista para o Lago Paranoá e a Ponte JK. Ela sempre achou um erro a construção de sala de estar maior do que a varanda. Isso porque uma boa sacada ou um terraço confortável têm o diferencial de estar fora de um limite imposto por quatro paredes. E a sensação de liberdade adiciona muito à qualidade de vida. “A varanda é a melhor maneira de usufruir de fato das vantagens de viver em uma casa”, diz.


Na casa da empresária Sandra Maia, a  varanda gigante tem vários ambientes,  inclusive um palco para o marido, que é  músico:integração total com o resto da casa (Minervino Júnior/Encontro/D.A Press)
Na casa da empresária Sandra Maia, a
varanda gigante tem vários ambientes,
inclusive um palco para o marido, que é
músico:integração total com o resto da casa

Sempre que Isabel recebe em casa, é do lado de fora. Algumas vezes, o estar é integrado à festa; outras, não. Isabel usa o espaço não só nos momentos de lazer, nos fins de semana, mas também no dia a dia. Muitas vezes, ela e os sócios do escritório de arquitetura optam por fazer as reuniões nessa varanda. Para Arnaldo Pinho, Mônica Pinto e Andrea Mattos, as conferências ao final do dia de trabalho ficam mais inspiradas graças ao visual.

Devido ao olhar de arquiteta, Isabel consegue visualizar soluções criativas para algumas das dificuldades que esse espaço pode trazer. Um toldo translúcido protege do vento e filtra a luz solar. O uso de capas em locais estratégicos evita o acúmulo excessivo de poeira. Tudo para garantir o uso confortável do espaço. Afinal, é nesse espaço que a família pode sentir o calor da manhã, contemplar o pôr do sol, ver as luzes da cidade à noite. “Não quero me acostumar com o que tenho. Prefiro chegar aqui todos os dias e ver a varanda como se fosse a primeira vez”, diz a arquiteta.

 

 

 

O comerciante Frank Davis usa a varanda  para diferentes funções, 
inclusive para ler:  'É a parte mais descontraída da casa' (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
O comerciante Frank Davis usa a varanda
para diferentes funções, inclusive para ler:
"É a parte mais descontraída da casa"
A vontade de dividir um espaço agradável com pessoas queridas foi o que levou o casal Mariana Spezia e Marcelo Braga a escolher um apartamento no Setor Noroeste que tivesse uma extensa varanda. A planta do local privilegia as áreas de estar e convida à socialização. São 30 m² de varanda mais 90 m² do apartamento. Mariana é assessora da Companhia Brasileira da Indústria da Construção; Marcelo é executivo. A rotina agitada de trabalho, que inclui muitas viagens, levou à opção por um apartamento em vez de uma casa. Nesse contexto, a varanda é o meio-termo entre a casa e o apartamento, oferecendo conforto ao ar livre.

Com o uso de cortina de vidro na varanda, o casal tem a flexibilidade para usufruir de um ambiente que proporciona tanto a sensação de estar ao ar livre quanto maior proteção em dias muito frios ou quentes demais. Antes de se mudarem, Mariana e Marcelo moravam em um apartamento com varanda de 15 m² . Os amigos os visitavam com frequência e faziam muito uso do espaço, que acabava, em algumas ocasiões, sendo pequeno para abrigar os convidados.



O casal Mariana Spezia e Marcelo Braga:  apartamento no Setor Noroeste com   ampla varanda (Minervino Júnior/Encontro/DA PRESS)
O casal Mariana Spezia e Marcelo Braga:
apartamento no Setor Noroeste com
ampla varanda
Desde que se instalaram no Noroeste, há quatro meses, as visitas continuam frequentes, mas com maior conforto. A nova varanda proporciona amplo espaço gourmet, que é curiosamente mais usado por quem os visita. Mariana explica que o casal cozinha pouco, bem menos do que gostaria. Os dois pretendem ainda aventurar-se pelo universo da culinária, mas, enquanto isso, contam com os amigos para organizar e fazer maior uso da área da varanda. Além dos momentos de socialização, o casal também usa a varanda para ler, conversar e apreciar a vista para o Parque Nacional de Brasília.


O comerciante Frank Davis também gosta de passar tempo e praticar diferentes atividades na varanda da casa onde mora há dez anos. Assim que comprado, o lugar foi reformado para transformar a então estreita varanda envidraçada em um espaço aberto e amplo, que privilegiasse o contato direto com o jardim. O proprietário explica que o intuito era usar a varanda de verdade. “É a parte mais descontraída da casa, mais próxima das plantas. Gosto muito da descontração e da falta de formalidade dessa área”, conta.

É na varanda que ele e a família ouvem música, assistem a filmes, jogam cartas, recebem visitas. Por conta do trabalho, passa menos tempo em casa do que gostaria, mas, quando está por lá quase metade das horas é dedicada a curtir a varanda. Por conta disso, a decoração, montada com a ajuda do arquiteto André Martins, foi feita de maneira cuidadosa. Alguns objetos têm história, como a bancada de marceneiro, a favorita de Frank, que foi encontrada depois de um tempo de pesquisa e muita paciência.

Uma varanda pode ser um todo agradável, mas também a soma de vários elementos importantes para os moradores. Como na casa da empresária Sandra Maia, em que cada canto da varanda da casa onde vive com o marido e as duas filhas descreve uma característica da família. Todo o projeto, por exemplo, funciona em torno do palco, construído porque seu marido é músico. A integração com os espaços totalmente ao ar livre foi outra preocupação na hora de montar a varanda, reformada há quatro meses. A ideia era que quem estivesse na piscina pudesse estar perto das pessoas nas outras áreas.


Isabel Veiga e os sócios Arnaldo Pinho, Mônica Pinto e Andrea Mattos: conferências ao final do dia de trabalho ficam mais inspiradas graças ao visual (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Isabel Veiga e os sócios Arnaldo Pinho, Mônica Pinto e Andrea Mattos: conferências ao final do dia de trabalho ficam mais inspiradas graças ao visual

Na Copa do Mundo, a família pretende reunir os amigos para ver os jogos, aproveitando o motivo para confraternizar. “O melhor da varanda é podermos ficar todos juntos nesse espaço. Gosto de cozinhar sem ter de ficar isolada dentro de casa. Passamos menos tempo em casa do que desejamos, por isso é importante estarmos juntos quando estamos aqui”, diz a empresária.


Quando escolheram se mudar de um apartamento para uma casa, a advogada Michella Simões e o servidor público Marco Fontes Lima queriam, acima de tudo, contato com o verde. Vindos de Maceió para Brasília há 15 anos, a proximidade com a água também era importante. Encontraram a casa no Park Way, onde moram há dois anos. Pais de Leonardo, de 7 anos, e Nicole, de 12, haviam optado por um novo modo de vida. Uma casa mais afastada do centro, mais calma, em meio ao verde e com espaço amplo para receber. Eles fazem questão de buscar os filhos e almoçarem em casa, mesmo tendo de reajustar a rotina para fazer dar certo.

A escolha se mostrou correta também quando o pai de Michella se mudou para a casa da filha com o intuito de fazer um tratamento de saúde. “Meu pai passa a maior parte do tempo na varanda, convivendo com a vista do verde e tendo os benefícios de estar ao ar livre”, conta a advogada, que se surpreendeu com a maneira com que a família integrou a varanda ao dia a dia.

Hoje, as refeições são todas feitas na mesa da varanda. As festas e reuniões também. Tanto foi incorporado à rotina da família que Michella acredita que o espaço poderia ser maior. Ela e o marido contam ainda como têm montado o espaço aos poucos, introduzindo novos objetos e móveis ao longo do tempo para transformar a nova casa, com sua varanda privilegiada, num lar. “Antes de morar em casa, quando estava no apartamento, não tinha noção de como a varanda se tornaria importante para nós”, diz Michella.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017