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RETRATOS DA CIDADE | Leilane Menezes

Leilane Menezes - Colunista Publicação:17/06/2014 10:31Atualização:17/06/2014 12:42

 (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)

A SAGA DO BURITI


O tombamento em Brasília não se limita ao projeto urbanístico. Bens materiais, de valor histórico, cultural e ambiental, entre outros, podem ser especialmente preservados. A palmeira do buriti que dá nome ao palácio do Poder Executivo está entre as árvores protegidas. Em 1959, Israel Pinheiro, então presidente da Novacap, ordenou que plantassem o exemplar no local onde seria erguido o palácio. A inspiração veio do poema Um Buriti Perdido, do livro Pelo Sertão, de Afonso Arinos de Melo Franco. A árvore, porém, morreu. Restou apenas a placa com trechos da poesia gravados. Plantaram um novo buriti, em 1969. Construíram a praça ao redor no ano seguinte. Em maio de 1985, o GDF publicou decreto de tombamento do buriti. Um cidadão raivoso golpeou a árvore com machado, em 1992, e quase a matou. Técnicos do departamento de parques e jardins da Novacap salvaram o exemplar, que permanece de pé nos dias atuais.

 

 

EDUCAÇÃO VERDE

 (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Milhares de pessoas passam em frente à Escola da Natureza, no Parque da Cidade, todos os dias, mas poucos sabem como funciona o espaço, que completa 18 anos neste mês. O projeto é baseado nas propostas de Anísio Teixeira para a educação no DF, focadas na ecopedagogia e na educação integral, para formação humana. Nos mais de 5 mil m² ao redor da escola, há viveiro de mudas nativas do cerrado, uma casa de adobe e três de madeira, bancos de superadobe e um espaço cultural com cobertura em bambu. Alunos e professores da rede pública desfrutam dessa estrutura, em aulas, oficinas e outros eventos.

 

 

DESCASO COM O SABER

 (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Os mais de 130 mil livros da Biblioteca Demonstrativa de Brasília, na 506/507 Sul, permanecem inacessíveis ao público, desde 6 de maio, quando a Defesa Civil interditou o local. Há risco de desabamento e de curto-circuito. Além da consulta e empréstimo de exemplares, o lugar oferecia diversos eventos culturais, projetos voltados a idosos e serviço de tira-dúvidas para estudantes. São 55 mil usuários cadastrados e 700 leitores por dia. Administradores do espaço e usuários alegam ter feito diversas reclamações e pedidos de reforma nos últimos anos. A biblioteca é vinculada à Fundação Biblioteca Nacional, órgão do Ministério da Cultura. Foi inaugurada oficialmente em 20 de novembro de 1970, no mesmo endereço. A fundação informou que a recuperação do prédio já começou, mas não estabeleceu prazos.

 

 

 (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)

 

 

 

REBATIZAR ESPAÇOS


Em meio à confusão de letras e números que é tão familiar para os brasilienses, surgem formas mais simpáticas de se referir a determinados endereços. A Comercial Local Sul 308/309 (CLS) ganhou apelido de rua dos Times, graças à quantidade de lojas de artigos esportivos específicos de clubes como o Flamengo, Vasco e Fluminense. A CLS 102 é a rua das Farmácias, para os mais íntimos. Já a CLS 109/110 virou rua das Elétricas e a Comercial Local Norte 304/305 transformou-se em rua das Noivas. A CLS 404/405 é a rua dos Restaurantes. Assim, Brasília reinventa o clichê de uma cidade codificada.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017