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Educação | concurso »

Antes do edital

Candidatos a cargos públicos muito concorridos não esperam a publicação das regras dos concursos para começar a estudar. Quem segue esse caminho, no entanto, deve traçar as estratégias

Dominique Lima - Redação Publicação:18/06/2014 14:25Atualização:18/06/2014 14:34

 (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Dos muitos desafios que enfrenta um candidato a concurso público – grande quantidade de conteúdo, escassez de tempo para estudos, necessidade de investir em cursos e materiais –, a preparação para uma prova ainda sem edital pode ser particularmente difícil. Os poucos meses que separam a divulgação das regras da aplicação da prova raramente são suficientes para a preparação do candidato. Com o objetivo de dominar todo o conteúdo abordado, concursandos, em muitos casos, estudam meses a fio antes mesmo da publicação dos detalhes sobre o exame.

 

Para se preparar para uma prova ainda sem direcionamento exato, é preciso ter em mente que o fator surpresa é importante. Há, no entanto, maneiras de driblar as incertezas e usar de modo eficiente o tempo que precede o edital. Por isso, planos e estratégias muito bem traçados são essenciais. Para o coach de concursos Alessandro Marques, não existe disciplina a ser cobrada que não precise ser estudada sob um determinado foco. “Mesmo português não é uma matéria cobrada em todas as provas de maneira uniforme”, explica. Por essa razão, uma das principais dicas de professores é unânime: o estabelecimento de metas a partir da escolha de uma área específica. Ou seja, o candidato pode não optar por uma prova de um único órgão, mas a decisão de seguir por uma linha que tenha o mesmo tipo de cobrança e, em geral, as mesmas matérias tornará o trabalho de preparação mais eficiente.


Assim, sugere-se a opção por uma área (jurídica, administrativa, legislativa, policial), um cargo (auditor, analista, fiscal, técnico) ou um campo de atuação (área específica da sua formação, área técnica geral). Cada escolha exigirá uma preparação e um pacote de conhecimentos específicos. Estabelecer esse foco auxilia muito no resultado do candidato.


Outra tática é conhecer muito bem provas anteriores. Apesar de não haver regra para bancas e órgãos aplicarem provas semelhantes, é comum que concursos se pareçam com os anteriores. “É possível, com base em dados do passado, definir o que será cobrado no futuro”, ressalta o coach Márcio Micheli.


Renato Lourenço, hoje delegado da Polícia Federal: 
'Um concurseiro não pode ser um míssil desgovernado' (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Renato Lourenço, hoje delegado da
Polícia Federal: "Um concurseiro não
pode ser um míssil desgovernado"
Em alguns casos, como a prova para diplomata, que tem concurso anual desde a década de 1940, as surpresas são poucas e costumam ser anunciadas antes da publicação do edital. O professor de política internacional e coordenador pedagógico de curso para concursos, Tanguy Baghdadi, que leciona para as carreiras diplomáticas e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ressalta que o candidato pode se aproveitar da cultura construída de um concurso para conhecer melhor provas e bancas de aplicação.


Foi o que aconteceu no processo de preparação do delegado Renato Lourenço. Formado em direito em São Paulo, começou a estudar em 2002. Ele passou para agente da Polícia Federal em 2004. Na mesma época, passou para agente da Polícia Civil do Distrito Federal e se mudou para Brasília em 2006. Uma vez em contato com a experiência de ser policial, decidiu se tornar delegado e começou a preparação para o concurso. “Antes eu não tinha muito foco e fiz diversos concursos. Mas um concurseiro não pode ser um míssil desgovernado”, conta. Com o direcionamento e uma rotina rígida de estudos, conseguiu passar no concurso de delegado em 2010 e tomou posse no cargo em 2012.


Segundo Renato, o melhor para o aluno que está na expectativa é se basear no edital anterior. Se for a mesma banca, é possível ter noção de como virá a prova. Ele também sugere manter-se informado sobre outras publicações que tratam do concurso, além do edital. Informes sobre a banca contratada, regulamentações sobre disciplinas e fases do concurso podem sair antes do detalhado edital. No caso da Polícia Civil, há a fase de prova de esforço físico, que muitos candidatos esquecem ou desconhecem e acabam desclassificados mesmo tendo sucesso nas etapas objetiva e discursiva.


Outra possibilidade é examinar bem os prazos de concursos antigos para tentar estimar o lançamento do próximo. Ter uma noção ou pelo menos uma data limite para definir parâmetros será grande aliado do planejamento de estudos. Alessandro Marques aconselha a pesquisa sobre prazos de validade e intervalo entre as últimas provas.


Rafael Martin escolheu a área adminis-trativa e decidiu não fazer outros concursos: o foco deu resultado e ele passou em duas seleções (Bruno Pimentel/Encontro/DA Press)
Rafael Martin escolheu a área adminis-
trativa e decidiu não fazer outros
concursos: o foco deu resultado e ele
passou em duas seleções
Além das informações disponíveis nos diários oficiais, é possível procurar notícias com especialistas da área. Geralmente, a perda de validade do último concurso coincide com o lançamento do seguinte. Isso porque se abrem novas vagas por conta de exonerações e aposentadorias, que precisam ser preenchidas. “Levando-se em conta esses intervalos passados, o período para estudos pode ser estimado e ficará geralmente entre sete meses e um ano para alguns concursos e até dois anos para outros”, explica o coach.


Márcio Micheli lembra que, para passar em concurso, são essenciais disciplina e dedicação de tempo. Manter-se focado mesmo com a ansiedade criada pela espera da prova é um dos maiores desafios. Foi o que fez o brasiliense Rafael Martin Vieira. Ele havia escolhido estudar para concursos de carreiras administrativas e, no período em que se dedicava para esse propósito, apareceram editais com muitas vagas na área bancária, um edital com remuneração atrativa na área policial e mesmo outro de operador metroviário. Sua opção, no entanto, foi a de continuar focado e seguir as orientações que recebera.


A pressão sobre Rafael não era pequena. Casado, pai de cinco filhos, ele resolveu sair do emprego na iniciativa privada e se dedicar exclusivamente à preparação para concursos. A partir da estratégia traçada, estipulou o prazo de um ano para passar no concurso. “Meu sonho era assistir à Copa do Mundo como servidor público”, diz. Depois de 10 meses de dedicação, passou para os cargos de agente administrativo da Polícia Federal, concorrendo com 66 mil pessoas, e técnico administrativo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que contou com 13 mil candidatos. Optou pela carreira na Polícia Federal. “Com turnos de sete horas seguidas, terei tempo para me dedicar à família e a outros projetos”, conta.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017