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Tecnologia | Serviço »

A capital a um download

Brasilienses criam aplicativos e programas que prestam serviços para população e para turistas: de linhas de ônibus a restaurantes

Gláucia Chaves - Publicação:20/06/2014 16:17Atualização:20/06/2014 16:39

João Paulo e dois sócios estão por trás do aplicativo Trânsito ao Vivo, que monitora o tráfego em Brasília: câmeras instaladas nas principais vias da cidade (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
João Paulo e dois sócios estão por trás do aplicativo Trânsito ao Vivo, que monitora o
tráfego em Brasília: câmeras instaladas nas principais vias da cidade

 Conhecer a fundo uma cidade leva tempo. Mesmo para quem não é turista, descobrir bons restaurantes, saber onde estão acontecendo eventos culturais interessantes e mesmo como usar o transporte público para chegar até todos esses lugares é tarefa árdua. Mas não precisa ser: graças à tecnologia, destrinchar os segredos da capital está a alguns aplicativos de distância. De pontos turísticos ao horário certo do ônibus, brasilienses criam aplicativos voltados para facilitar o dia a dia de quem mora em Brasília.


A cidade já começa a enfrentar um dos grandes dilemas das grandes cidades: o trânsito. Cansados de (tentar) fugir dos engarrafamentos, João Paulo da Silva, publicitário, e mais dois sócios da empresa 2mobile criaram o aplicativo Trânsito ao Vivo. A ideia foi instalar câmeras pela cidade para monitorar o congestionamento, 24 horas por dia, por celular, computador ou kit multimídia instalado no carro. Os sócios espalharam as câmeras por Brasília, para que os usuários possam escolher o melhor caminho antes de sair de casa. “Todas as câmeras são nossas. Além de ver o trânsito, é possível indicar acidentes e marcações sobre o fluxo”, detalha.


O serviço, feito em parceria com a Caixa Seguros, já é um sucesso: foi medalha de ouro no Prêmio Colunistas Brasília 2011 e está em 13º lugar na App Store Brasil. De acordo com João Paulo, a iniciativa foi pensada a partir de uma demanda pessoal. “Tive a ideia porque sempre morei em Taguatinga e tinha de escolher entre EPTG ou Estrutural”, explica. Sem conseguir saber qual caminho estava mais livre, o jeito era arriscar – estratégia que nem sempre dava certo. “É difícil você não poder ver, aliás era difícil, porque hoje é só escolher a câmera ou ver os marcadores para escolher o melhor caminho antes de sair de casa.”


Flavio Ludgero e Renato Carvalho desenvol-veram o aplicativo Yummy: acesso ao cardápio e outras informações de restaurantes (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Flavio Ludgero e Renato Carvalho desenvol-
veram o aplicativo Yummy: acesso ao
cardápio e outras informações de
restaurantes
Uma vez no trânsito, é difícil passar o tempo. Se você estiver em um táxi parceiro do Tablets no Táxi, contudo, a viagem pode ser mais interessante. Paulo Peres, analista de sistemas e um dos idealizadores da iniciativa, explica que o objetivo é ter uma política de “ganha-ganha”: o anunciante faz a publicidade, o passageiro tem entretenimento e o taxista ganha uma porcentagem. “O passageiro pode interagir com a publicidade comprando produtos, aproveitando descontos e há também um menu interativo em que ele pode acessar eventos, guias turísticos e culturais”, enumera.


O serviço começou em Águas Claras, com 30 tablets comprados pelos sócios. Os taxistas foram convidados a participarem da sociedade. “O taxista mesmo pode ser veículo de vendas. Quanto mais anúncios vender, mais ganha”, completa Peres. Hoje, os sócios têm outros 20 tablets espalhados pelas asas Sul e Norte. A expansão ocorre de maneira contida, para manter a qualidade do serviço, segundo o idealizador. “A operação está mais enxuta, mas os procedimentos administrativos e de suporte estão bem melhores”, comemora.


Quem depende do transporte público também sofre. Saber o horário e até mesmo o itinerário dos ônibus é complicado e pode fazer com que o passageiro perca compromissos importantes. Pensando nisso, o designer de interfaces gráficas Wesley Rocha e seus dois sócios, Danilo Mendonça e Nelson Gustavo, criaram o Mobee, um aplicativo feito para – e por – pessoas que andam de ônibus em Brasília. “Nós queríamos um aplicativo com o qual as pessoas pudessem colaborar, informando se o ônibus em que estão quebrou, que horas e por onde passou”, resume.


Wesley explica que a ideia foi baseada em uma iniciativa de Curitiba, em que passageiros colavam cartazes em paradas de ônibus com as linhas e o itinerário dos que passam por lá. Quando tentaram trazer a ideia para cá e digitalizar as informações, contudo, os sócios esbarraram na falta de dados oficiais. “Algumas linhas estavam atualizadas e outras não, então não conseguimos usar a massa de dados para resolver o problema, como a geolocalização dos ônibus e por onde as linhas passam”, completa. O jeito foi convocar os próprios usuários para mapear o que precisavam por meio da campanha Mapeia DF. Cada vez que embarcavam em um ônibus, usuários cadastrados marcavam em um mapa virtual a linha, o itinerário, o horário e em qual parada de ônibus estavam.


Paulo Peres, analista de sistemas e um dos idealizadores do Tablets no Táxi: entretenimento para o passageiro (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Paulo Peres, analista de sistemas e um dos
idealizadores do Tablets no Táxi:
entretenimento para o passageiro
Com os dados iniciais, os usuários já estavam aptos a baixar o aplicativo. A partir daí, para saber quais linhas passavam em uma parada de ônibus, bastava os usuários escolherem o ponto de partida em um menu específico do programa. O aplicativo é atualizado oficialmente de 15 em 15 dias pelos programadores, mas em tempo real pelos usuários, durante o próprio uso: se a parada de ônibus indicada não existe, basta marcar no mapa. Se existe, mas não aparece no aplicativo, a mesma coisa. “Hoje, a pessoa pode procurar um ponto perto dela e o aplicativo dá sugestões”, detalha. “Quando ela faz check-in no ônibus, dá para compartilhar e saber o horário. Assim, fazemos a média de horário que aquele ônibus passa naquele ponto e ainda ver no mapa onde ele está em tempo real.”


Mas nem só de congestionamento se faz uma cidade. Brasília também tem bons lugares para comer e, não raro, cada restaurante tem seu prato carro-chefe. O que fazer para saber onde comer o quê? Apaixonados por gastronomia, os programadores da startup Startaê Renato Carvalho, Flavio Ludgero e Julio Protzek criaram o aplicativo Yummy, voltado para aqueles dias em que se está com desejo de comer algo específico. De acordo com Renato Carvalho, a ideia surgiu quando o grupo percebeu que encontrar uma boa comida era quase sempre um desafio. “No final dessa busca, acabávamos indo ao restaurante de sempre”, completa. A falta de ferramentas para receber recomendações de pratos que amigos já tinham provado também foi um dos motivadores da iniciativa. Além disso, Carvalho reclamava da dificuldade de conseguir ver o cardápio e valores antes de chegar ao local. “Ver as fotos, então, nem se fala.”


“É como se fosse um cardápio on-line”, explica Julio Protzek. A primeira versão do aplicativo era voltada apenas para a busca por pratos. Aos poucos, Protzek diz que ele e os sócios perceberam que era importante também fazer com que os restaurantes fossem mais participativos na iniciativa. “A segunda versão, que é a atual, também é focada nos restaurantes, para que eles destaquem os pratos”, explica. Hoje, são os estabelecimentos que decidem qual o carro-chefe, quais pratos estão em promoção e quais ingredientes têm, por exemplo. Além das informações, os usuários também têm acesso a fotos e, em breve, vão poder comentar sobre a experiência nos restaurantes. Com exceção de Protzek, que é campo-grandense, todos os criadores nasceram e moram em Brasília. A paixão pela cidade motivou a criação do Yummy, mas eles não querem parar por aí. “Começamos um movimento orgulhosamente feito em Brasília”, completa.

 

 

Trânsito ao Vivo:

http://2mobile.com.br/Campanha/transitoaovivo/PT

 

Yummi Startaê:

http://startae.com.br

 

Mobee:

http://mobee.io/mobee

 

Mapeia DF:

http://mapeia.df

 

Tablet no Táxi:

http://trezevinte.com.br

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017