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Decoração | Comportamento »

Equilíbrio no lar

Mais popular devido à tecnologia, a arte do feng shui ganha cada vez mais adeptos. Para ajustar as energias da casa com mais sucesso, no entanto, é preciso adaptar o ba-guá, diagrama usado para aplicar o método, ao hemisfério sul

Maria Fernanda Seixas - Redação Publicação:24/06/2014 13:44Atualização:24/06/2014 14:16

O espelho na sala 
de jantar é favorável: 
reflete a fartura, de 
acordo com a análise 
do feng shui (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
O espelho na sala de jantar é favorável: reflete
a fartura, de acordo com a análise do feng shui
A tradicional arte do feng shui, praticada no Oriente há mais de 4 mil anos, vive hoje uma nova onda de popularização graças à tecnologia. São pelo menos 350 aplicativos de smartphone que prometem colocar a energia da sua casa em ordem. Na internet, também é possível acessar todo tipo de informação sobre o tema para, enfim, aplicá-lo em casa. Tanta facilidade tecnológica, porém, também traz desvantagens que não se resumem à impessoalidade de uma avaliação virtual ou à falta de um estudo mais profundo e direcionado para cada caso. A questão principal é o fato de que, no Brasil, milhares de pessoas recorrem ao feng shui sem antes adaptá-lo à realidade do hemisfério sul.


Para entender que adaptação é essa, é necessário entender o funcionamento do feng shui. A especialista no tema Stela Vecchi, autora do livro Feng Shui Lógico e No Céu do Hemisfério Sul – Brasil, um Novo Começo, explica que os sábios chineses, profundos observadores da natureza, associaram as estações do ano às nossas vidas e, consequentemente, ao lugar onde moramos.  “Cada ser humano está conectado à água, ao ar, ao sol, à terra, às plantas, enfim ao planeta Terra, que é nossa casa maior. A residência em que moramos, onde passamos grande parte de nossa vida, tem grande responsabilidade em relação à nossa saúde e bem-estar. Segundo essa filosofia chinesa que se traduz em técnicas de decoração como instrumento para o melhor aproveitamento da energia, o que está ruim em nossa vida pode melhorar. E o que está bom pode ficar ainda melhor.”


A consultora de feng shui Juliana Torres faz uma avaliação na casa de Laila Machado: 
o trabalho começa com uma bússola, para demarcar as áreas energéticas (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
A consultora de feng shui Juliana Torres faz
uma avaliação na casa de Laila Machado:
o trabalho começa com uma bússola, para
demarcar as áreas energéticas
É com a ajuda de um ba-guá, um diagrama octogonal posicionado no centro da casa de acordo com os pontos cardeais, que se localizam as forças energéticas da casa, que, por sua vez, estão conectadas com as forças da natureza. Como nos hemisférios sul e norte, as quatro estações acontecem de forma oposta, é preciso uma adaptação, uma inversão do ba-guá para que ele faça sentido na nossa parte do mundo. “No hemisfério norte, o calor, associado ao verão, ao fogo e ao sucesso, vem do sul. No hemisfério sul, é da direção norte que vem o calor, com as características associadas a ele. O norte tem um ciclo anual inverso ao nosso. A adaptação para o hemisfério sul é um ajuste técnico”, explica a especialista.


Logo, se utilizarmos o ba-guá do hemisfério norte aqui, onde as estações são opostas, não haverá a conexão correta e os efeitos das mudanças serão pouco efetivos. Ou seja, milhares de pessoas que vivem na metade sul do mundo baixaram aplicativos com bá-guas não invertidos (que são a imensa maioria) e podem não se beneficiar corretamente. “Está sendo cada vez mais comum estudiosos de feng shui me procurarem para aprender sobre essa mudança. E, ao aplicar o ba-guá para o hemisfério sul, ficam impressionados com os bons e rápidos resultados”, conta a especialista.


Outro grande diferencial é a colocação desse diagrama no centro na construção, não na porta de entrada como sugerem muitos sites e livros. Ele deve estar alinhado com os pontos cardeais para fazer sentido.

 

O uso de tijolos aparentes é aconselhável, de acordo com a arquiteta Juliana Torres: é bom ter em casa materiais que remetem 
à terra e à natureza (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
O uso de tijolos aparentes é aconselhável, de acordo com a arquiteta Juliana Torres: é bom ter em casa materiais que remetem à terra e à natureza
Tecnologias à parte, aqueles que preferem não se arriscar em um aplicação autônoma do feng shui contratam profissionais, que fazem a análise da casa e as sugestões de mudança. A convite de Encontro Brasília, a arquiteta Juliana Torres, especialista em radiestesia e feng shui, analisou a casa da funcionária pública Laila Machado e do publicitário Carlos Eduardo Ferrer. Casado há dois anos, o casal mora em um apartamento de três quartos projetados com a ajuda de uma arquiteta e decorado por eles.


A análise partiu do fato de que cada direção da casa tem um elemento regente. Assim, ao colocarmos elementos ligados ao fogo em uma área regida pelo elemento água, como é o trabalho, podemos criar obstáculos para a entrada positiva dessa energia em nossa vida. A casa preparada pelas técnicas do feng shui cria uma ressonância com cada energia para que não seja desperdiçada e favoreça o pleno desenvolvimento de capacidades.


Uso de fotos de família na cozinha, neste caso na geladeira: decisão 
foi intuitiva, mas está em sintonia com o que recomenda o feng-shui (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Uso de fotos de família na cozinha, neste
caso na geladeira: decisão foi intuitiva, mas
está em sintonia com o que recomenda o
feng-shui
Juliana começa o trabalho usando uma bússola e demarcando o norte do apartamento, a partir do centro da planta baixa. O norte do ba-guá é, então, alinhado ao norte da casa e os ambientes energéticos são delimitados. “Existem escolas do feng shui que usam técnicas diferentes, que posicionam o diagrama pela entrada, ou que usam o diagrama sem adaptá-lo ao hemisfério sul. Eu sigo a escola da bússola, que é tradicional e tem resultados eficientes. Mas, ainda que a pessoa siga outros métodos, ou mesmo use um ba-guá não adaptado, o ato de estar cuidando da casa, pondo intenções positivas nas mudanças que fizer, imprimindo boas energias pelos ambientes, já é um grande passo e já promove uma melhora no fluxo energético”, pondera.


Algumas características presentes na casa de Laila já estavam em sintonia com os ensinamentos do feng shui. “Aqui eles optaram por um espelho na sala de jantar, por exemplo. Isso é muito favorável, uma vez que essa parte da casa representa fartura. É bom refletir a fartura”, explica.


É na porta de entrada que está situada a energia da prosperidade. Juliana aconselha Laila a colocar o enfeite de fonte de água que estava em outro lugar sobre o aparador que fica junto à porta. “Água atrai mais prosperidade quando usada no local correto. E como o ambiente de trabalho é justamente regido pela água, colocar essa fonte ali é uma mudança muito positiva.” Outra sugestão foi com relação a uma muda de ráfia quase morta que fica entre a sala de jantar e a sala de estar. “Plantas devem estar bem cuidadas para atrair boas energias. Especialmente quando a planta está na área do sucesso”, indica.


Ambientes livres de bagunça e sem móveis que atrapalhem 
a circulação: outras recomendações do feng shui (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Ambientes livres de bagunça e sem móveis
que atrapalhem a circulação: outras
recomendações do feng shui
Entre tantas dicas, a arquiteta elogia o uso de tijolos aparentes e materiais que remetem à terra e à natureza. O uso de fotos de família na cozinha, área destinada a esse fim de acordo com o posicionamento do ba-guá, também foi elogiado. “Muitas das escolhas do casal estão em sintonia com o feng shui pelo uso da intuição no momento da escolha dos móveis e decoração. As pessoas que exploram a intuição no momento de montar a casa costumam fazer boas escolhas. A ideia não é transformar uma casa em um ambiente oriental. É tirar o melhor daquele espaço a nosso favor. Por isso, a importância de manter sempre um fluxo livre, onde você não esbarre nos móveis e objetos. Evitar acúmulo de bagunça também é fundamental, pois ela retém uma energia negativa na casa”, ensina.


Laila aprova a técnica. “Toda mudança que tenha uma intenção boa, positiva, é válida. E se for para trazer ainda mais felicidade e harmonia, não tem por que não experimentar. Muitas coisas fazem muito sentido e eu espero desfrutar logo dessas melhorias”, diz.

 

 

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EDIÇÃO 54 | Junho de 2017