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Gastrô | Educação »

Biblioteca de sabores

Livro com capa que exala cheiro, amostras de farinhas, coleção de aromas, além de 908 títulos. Esse acervo está à disposição de quem deseja aprender mais sobre gastronomia

Cecília Garcia - Redação Publicação:25/07/2014 09:00Atualização:25/07/2014 09:55

A aromateca da biblioteca de gastronomia do Senac: especiarias, pimentas, baunilha do cerrado e outras amostras (Vinícius Santa Rosa/CB/DA Press)
A aromateca da biblioteca de gastronomia do Senac: especiarias, pimentas, baunilha do cerrado e outras amostras
A Biblioteca do Centro de Aperfeiçoamento em Gastronomia (Ceag) do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) não é como qualquer outra. Notam-se logo as diferenças pelos itens escolhidos para compor o acervo: todos relacionados à gastronomia. Além disso, uma área com pequenas amostras de aromas e farináceos distinguem esta de tantas outras presentes na cidade.


O local é parte importante dentro da metodologia de ensino aplicada no Ceag, que promove cursos relacionados ao mercado de trabalho gastronômico. Lá, aplica-se o desenvolvimento por competência, método que coloca o aluno no centro do aprendizado, sendo o professor um mediador do conhecimento. “Antes de quase todas as aulas, os alunos vêm à biblioteca, previamente orientados, para pesquisar o assunto que estudarão”, explica a gerente pedagógica Patricia Garcia.


Ao passear entre as prateleiras, é possível encontrar edições especiais, frutos de parcerias, a exemplo dos títulos em conjunto com a Maison Ladurée, tradicional casa francesa de doces. Além desses, há outras peculiaridades: alguns livros têm capas que exalam cheiros, outras apresentam formatos de ingredientes.


Nas estantes da seção multimídia, encontram-se DVDs com temáticas ligadas a gastronomia e comportamento. Filmes, como Up - Altas Aventuras e Ratatouille, aparecem em meio aos vídeos mais técnicos. Além do acervo de 908 títulos, há computadores conectados à internet para buscas de até 20 minutos.


Estudante de capacitação para cozinheiro,  
Luiz Lira sempre consulta o acervo:  pesquisas para tirar dúvidas antes das aulas (Vinícius Santa Rosa/CB/DA Press)
Estudante de capacitação para cozinheiro,
Luiz Lira sempre consulta o acervo:
pesquisas para tirar dúvidas antes das aulas
Outro recurso disponível para estudo é a aromateca. “O olfato é um dos sentidos mais usados pelos profissionais da área gastronômica”, justifica Patricia, sobre a criação do espaço. À disposição, uma série de especiarias, ervas, temperos e condimentos. Entre os aromas presentes, baunilha do cerrado e diversas pimentas merecem destaque.


As primeiras amostras vieram do aproveitamento de parte dos recursos usados nos cursos do Ceag. Duas caixas de aromas, uma nacional e outra importada, cada uma com 54 amostras, também passaram a integrar o acervo. Além disso, uma empresa da área de temperos e condimentos doou 50 itens. Fora esses, a aromateca comporta 68 tipos diferentes de aromas.


Com a mesma proposta, foi criada, no fim de 2012, uma farinoteca. “A farinha é um elemento importante na gastronomia do brasileiro, além de ter muitos tipos diferentes”, comenta Patricia. A seção conta com 24 itens, entre eles, estão amostras de farinha de pimenta e piracuí (produzida a partir de duas espécies de peixe, o acari e o tamuatá).


Aberta de segunda a sexta, das 7h30 às 22h, a biblioteca recebe, em média, 500 frequentadores por mês. Ela ainda comporta um acervo de revistas e outras publicações que buscam complementar as competências que o centro se propõe a desenvolver em seus alunos, como dicionários de francês e livros relacionados à ética. “A gente já se autointitula a melhor biblioteca de gastronomia do Centro-Oeste”, brinca a gerente pedagógica.

 

 (Vinícius Santa Rosa/CB/DA Press)
 


Uma função fundamental dentro desse processo é o da bibliotecária. Talita Mendes é quem organiza tudo. Ela sabe o que cada aluno está estudando, a qual curso pertence. “É comum virem alunos de outras faculdades pesquisarem aqui”, conta. “Os motoristas do centro também aparecem com frequência.” Há 11 anos, é bibliotecária. No início, cuidava de livros de assuntos mais técnicos, voltados à engenharia. “Trabalho com gastronomia há nove anos. Esse é um assunto que encanta.”


Entre os frequentadores da biblioteca, está o estudante de capacitação para cozinheiro Luiz Lira. O rapaz vai à biblioteca todos os dias para pesquisar e tirar dúvidas antes das aulas. “Eu sempre dou uma subidinha aqui. Uso muito o livro Chef Profissional”, conta, enquanto estuda medidas na gastronomia.


Já o garçom Eudimar Balbino levou o conceito de biblioteca para além das paredes da escola. Quando ingressou no centro, ganhou o livro Sou Garçom, da editora Senac. Esse foi só o começo. Ele ia ao local, via os livros e ficava pensando que poderia lê-los antes de dormir. Passou, então, a construir a própria biblioteca em casa. Hoje, vai ao local procurar novidades e consultar a farinoteca e a aromateca. “O conhecimento nessa área é infinito e você não quer mais parar.”

 

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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017