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Rápido, alternado e intenso

Aproveitando a visibilidade crescente dos treinos funcionais, academias apostam em aulas que exploram cada vez mais os exercícios intervalados de curta duração e alta intensidade

Jéssica Germano - Redação Publicação:25/07/2014 11:56Atualização:25/07/2014 12:50

O core training trabalha o conceito de  hiit: grupos musculares exercitados 
de  maneira lúdica (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
O core training trabalha o conceito de
hiit: grupos musculares exercitados de
maneira lúdica
O ritmo é rápido. Passada a etapa de alongamento, vêm os movimentos de agachar, correr, pular e suspender algum objeto com peso. Em uma espécie de circuito, em que as estações são montadas de acordo com os objetivos da aula, a segunda variável é a intensidade. Raramente ultrapassando 20 minutos, a parte de execução dos exercícios pede energia para fazer o máximo de repetições que o aluno conseguir em determinado tempo. O resto fica a cargo da motivação dos professores, que não poupam esforços para manter uma das características das modalidades que exploram o conceito do hiit – high intensity interval training (treinamento de alta intensidade intervalada, em inglês).


Além da dinâmica, própria dos treinos de alta intensidade – capaz de causar a perda de 400 calorias no mesmo período de tempo em que seriam perdidas, no máximo, 150 calorias caminhando na esteira –, as aulas baseadas no hiit englobam as características do treino funcional, desenvolvendo as capacidades físicas que fazem parte do dia a dia. Essa mistura dá resultado e ainda diverte. “Parece brincadeira de criança e todo mundo sai acabado”, descreve, bem-humorado, o educador físico Rodrigo Barreto, mencionando os exercícios usados, que fazem lembrar as antigas aulas de educação física. A diferença é que os polichinelos, a corrida entre cones e a minicama elástica ganharam propriedades – e efeitos – antes desconhecidos.


Professor de core training da Unique, Rodrigo Barreto: 'O treino funcional é um complemento' (Vinícius Santa Rosa/Encontro/D.A Press)
Professor de core training da Unique, Rodrigo Barreto: "O treino funcional é um complemento"

Aula de 20 minute workout: exercícios  funcionais com base na ginástica localizada (Bruno Pimentel/Encontro/D.A Press)
Aula de 20 minute workout: exercícios
funcionais com base na ginástica localizada
Como professor de core training na Unique, Barreto conta que os treinos funcionais intensos permitem exercitar vários grupos musculares e motores ao mesmo tempo, o que não costuma ocorrer na musculação. “Se antes só eram trabalhados os músculos primário e secundário, agora trabalha-se o terciário, o fixador, o estabilizador, músculos menores que passavam despercebidos”, explica. A diferença, porém, não implica uma substituição, pondera ele. “O treinamento funcional não vem com a ideia de competir com o treino de musculação, de spinning, de running. Ele é um complemento”, acrescenta. Os treinos mais intensos exigem uma metodologia diferente das aulas. “Dificilmente, são usados carga, halteres. Usamos o peso do corpo, tentando imitar os gestos do dia a dia”, destaca o professor.


O sistema synergy é outra versão do treino  funcional: 16 tipos de exercícios em aulas  de 50 minutos (Vinícius Santa Rosa/Encontro/D.A Press)
O sistema synergy é outra versão do treino
funcional: 16 tipos de exercícios em aulas
de 50 minutos
Há um mês, Daniel Ribeiro (à esquerda)  pratica o classhiit com personal: melhora  cardiovascular (Bruno Pimentel/Encontro/D.A Press)
Há um mês, Daniel Ribeiro (à esquerda)
pratica o classhiit com personal: melhora
cardiovascular
Marco Vieira, professor de classhiit: a  alta queima calórica é um dos efeitos  dos treinos intensos (Bruno Pimentel/Encontro/D.A Press)
Marco Vieira, professor de classhiit: a
alta queima calórica é um dos efeitos
dos treinos intensos
Dividida em quatro módulos, a aula de 20 minute workout (20 minutos de malhação, em inglês), na BodyTech, aposta em exercícios funcionais com base na ginástica localizada. Alternam-se exercícios de flexão de braço, abdominal, atividade aeróbia e agachamento. “Vamos repetindo as séries, mas aumentando a dificuldade”, explica a professora  Angela Vieira.


Desde janeiro na grade de aulas da academia, a modalidade vem ganhando cada vez mais adeptos, especialmente por conta da curta duração. “Os frequentadores são as pessoas que têm pouco tempo”, conta. Eles costumam sair satisfeitos em conseguir cumprir a meta de exercícios físicos diária em meio à rotina corrida.
No espaço amplo que lembra um galpão, argolas, corda náutica, pesos de 20 kg e 40 kg, barras de flexão, pneus e alguns cones são usados em mais uma variação do treino funcional intervalado e com intensidade: a classhiit. A aula é direcionada para potencializar as capacidades naturais do indivíduo. Os gritos – quase de guerra – dos professores, como “Não para!”, funcionam como comandos que não cessam e duram o tempo de um ciclo inteiro, com 20 segundos em cada estímulo.


“Eu estou com medo”, assumia a chef de cozinha Lilian Ribeiro, pouco antes de começar sua primeira aula. Ao mesmo tempo, animava-se com a promessa de perder, em média, 500 calorias em apenas 20 minutos. Ao fim do treino, visivelmente cansada e ofegante, pôde avaliar melhor: “É um esforço intenso, você tira força de onde não tem. Mas é maravilhoso”. Segundo Marco Vieira, professor de classhiit e integrante da equipe técnica que desenvolve modalidades na Cia Athletica, a alta queima calórica é um dos fatores mais lembrados na hora de escolher um treino de alta intensidade. Mas, para ele, a acessibilidade da modalidade e a retomada da qualidade de movimentos naturais falam mais alto. “Cada vez mais, fazemos menos movimento. E, quanto menos nos movimentamos, mais suscetível estamos a contrair doenças e lesões”, conclui.

 

Aluno de classhiit há pouco mais de um mês, Daniel Ribeiro combina a atividade com a musculação, incentivado pelo personal trainer. “Saio um pouco da rotina de pegar pesado. É muito divertido”, avalia o estudante, que sentiu melhora na parte cardiorrespiratória.


Gritos de guerra, garra e superação:  ingredientes fundamentais numa  aula de classhiit (Bruno Pimentel/Encontro/DA Press)
Gritos de guerra, garra e superação:
ingredientes fundamentais numa
aula de classhiit
Como qualquer atividade física, porém, o treinamento com alta intensidade merece cuidados. O especialista em fisiologia do exercício e alto rendimento Alessandro Silva lembra que exercício físico é como medicamento e, portanto, é preciso prescrever corretamente. “É a dose que vai causar uma melhora cardiovascular, muscular e no sistema imunológico”, lista. Dessa forma, um ponto básico é o respeito ao condicionamento de cada um, além de passar por um período de adaptação. “Muitas vezes, essa etapa é minimizada em busca de um resultado rápido”, acredita.


O aluno precisa ter em mente ainda que, como o treinamento é mais intenso, deve ser feito em, no máximo, 20 ou 30 minutos. “É preciso fazer o exercício e ter o descanso”, destaca Silva. Segundo ele, que é professor de educação física, fisioterapia e medicina do UniCeub, caso não haja uma recuperação adequada – de 24 horas entre um treino funcional e outro –, o indivíduo pode ter, em um ou dois meses, um overtraining, com sintomas de fadiga sistêmica.


A chef de cozinha Lilian Ribeiro  (à direita) aprova a aula de classhiit:  'Você tira força de onde não tem' (Bruno Pimentel/Encontro/DA Press)
A chef de cozinha Lilian Ribeiro
(à direita) aprova a aula de classhiit:
"Você tira força de onde não tem"
Outra modalidade de treino funcional é feita no sinergy, um sistema que se divide em oito valências físicas. “Em um período, empurramos; no outro, fazemos isometria (contração muscular que não gera movimento); no outro, saltamos...”, enumera o professor Israel Melo, da Runway. “Aqui, cada aula é uma aula. E isso faz com que o corpo esteja sempre recebendo um estímulo diferente”, descreve.


Bem aceita pelos alunos da academia, a aula permite até 16 alunos, que se alternam em 16 exercícios, com uma média de 30 a 40 segundos de permanência em cada um. O circuito inclui três voltas no aparelho por aula. “Os alunos não conseguem ficar de fora, são os assíduos. Treinam o ano inteiro e só faltam quando viajam.”

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017