..
  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Veículos | Mercado »

Novo impulso para as vendas

Ao manter o IPI para automóveis reduzido até dezembro, o governo dá mais uma injeção de ânimo ao setor, que espera reduzir o estoque em montadoras e concessionárias

Júnia Lara - Redação Tereza Rodrigues - Publicação:28/07/2014 09:00Atualização:28/07/2014 10:00

Ildeumar Fernandes, diretor da Bali Automóveis, diz que a decisão do governo ajuda, mas o problema maior está no crédito: 'Clientes querendo comprar tem muitos, 
mas o crédito está muito seletivo' (Minervino Júnior/Encontro/DA Press)
Ildeumar Fernandes, diretor da Bali Automóveis, diz que a decisão do governo ajuda, mas o problema maior está no crédito: "Clientes querendo comprar tem muitos, mas o crédito está muito seletivo"
Quem enfrenta o trânsito das nossas cidades pode não acreditar, mas a proporção de carros por habitante no Brasil ainda é bem menor do que a de países modelos de mobilidade urbana, como a Alemanha, por exemplo. Lá a proporção é de 572 carros por cada mil habitantes, abaixo dos Estados Unidos, onde há 797 carros para cada mil, mas bem acima do Brasil, que tinha, em 2011, 249 carros para cada mil habitantes.


Não é à toa que nos últimos anos, com a ascensão de uma nova classe média, crédito alongado e redução de impostos, houve um boom na venda de carros. Dados do anuário 2014 da Associação Brasileira dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) registra que o Brasil já possui um automóvel para 4,4 habitantes. Há dez anos, a proporção era um veículo para cada 7,4 habitantes. Mesmo assim abaixo de países como a Argentina, com a média de um para cada três habitantes, ou da Europa, de dois habitantes para cada carro.



'As vendas foram mais fracas em função 
de uma série de motivos, entre os quais a diminuição do crédito e a Copa do Mundo, com menos dias 
úteis no período', disse o ministro da Fazenda, 
Guido Mantega, ao anunciar que manteria 
as tarifas reduzidas do IPI para automóveis (Antonio Cunha/Esp CB/DA Press)
"As vendas foram mais fracas em função
de uma série de motivos, entre os quais
a diminuição do crédito e a Copa do Mundo,
com menos dias úteis no período", disse o
ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao
anunciar que manteria as tarifas reduzidas
do IPI para automóveis
“Havia uma demanda reprimida para a aquisição desse bem, e ainda há um grande potencial de crescimento”, salienta Luiz Moan, presidente da entidade. Na opinião dele, o automóvel não é o problema, mas sim a falta de planejamento das cidades para possibilitar o deslocamento das suas populações. “Muita gente não sabe, mas para cada mil carros que chegam às ruas, cerca de 600 saem de circulação. E, do ponto de vista ambiental, nossa indústria é referência mundial. Hoje, no Brasil, os carros produzidos emitem 90% menos poluentes que em 1994”, diz.

 

O setor está comemorando a decisão do governo anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no final de junho: serão mantidas até dezembro as tarifas reduzidas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis (veja tabela ao lado). A permanência da desoneração foi vinculada a um compromisso do setor em não cortar empregos e, segundo o ministro, o estímulo para os negócios é objetivo da medida: “A avaliação é que as vendas foram mais fracas em função de uma série de motivos, entre os quais a diminuição do crédito e, no período mais atual, a questão da Copa do Mundo, com menos dias úteis no período”, disse Mantega na coletiva de imprensa. No mesmo evento, Luiz Moan disse ter convicção de que, com a manutenção da alíquota, o segundo semestre será melhor do que o primeiro.


Segundo balanço da Anfavea, de janeiro a maio deste ano, as vendas de automóveis caíram 8,3% em comparação com o mesmo período de 2013. A produção de automóveis caiu 14,5% no acumulado dos primeiros cinco meses do ano e foram fabricadas 990 mil de unidades de janeiro a maio de 2014, contra 1,153 milhão no mesmo período do ano passado.


Mesmo assim, há a percepção de que o automóvel é um dos ícones mais poderosos da humanidade, por estar associado ao futuro, à ideia de velocidade e potência. Os números no Brasil não negam: somos o quarto maior mercado e o sétimo maior produtor mundial. Há, atualmente, 30 montadoras associadas à Anfavea, que possuem 62 fábricas em dez estados e 46 municípios. São mais de 5 mil concessionárias, com faturamento de  US$ 106 bilhões. Um segmento que, reunido, pagou R$ 178 bilhões em impostos em 2013.


De acordo com o diretor da Bali Automóveis, Ildeumar Fernandes, o estímulo do governo veio em boa hora, e ajuda, mas não o necessário: “Parece que a redução do IPI, embora tenha impacto no preço, perdeu o ‘apelo’, já que o problema está no crédito”. Para o empresário, é até cultura do brasileiro comprar financiado, mas a aprovação de crédito está muito baixa. Segundo ele, a cada dez análises somente quatro são aprovadas. “Clientes querendo comprar tem muitos, mas o crédito está seletivo em demasia.”

 

 

COMENTÁRIOS
Os comentários estão sob a responsabilidade do autor.

EDIÇÃO 55 | Julho de 2017