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Nas Telas | José João Ribeiro »

A turma de Seth Rogen

José João Ribeiro - Colunistas Publicação:28/07/2014 13:35Atualização:28/07/2014 14:20
Ter e preservar amigos no cinema americano pode tornar as penosas obrigações mais palatáveis. Além disso, a ação entre amigos já foi capaz de produzir clássicos e parcerias para Hollywood, em seus mais diversos gêneros, no retrospecto fiel das últimas décadas. Para o público adolescente e nerd, que começa a se fidelizar nas matinês, essa espécie de cumplicidade contribui, em muito, para a paixão cinéfila. Exemplo máximo dessa picardia na década de 1980, o cineasta John Hughes, falecido há cinco anos, é o espelho para as atuais e novas comédias, caso do recente Vizinhos (Neighbors), que tem à frente de seu elenco (e no projeto todo em si) o ator boa-praça Seth Rogen.

 (Universal Pictures/Divulgação)
No ano passado, Seth Rogen fez a sua obra máxima de clubinho, o engraçadíssimo É o Fim, uma comédia absurda em que, numa balada reunindo as grandes estrelas jovens da Califórnia, o mundo simplesmente acaba. Assumindo a direção, Seth desfruta da companhia em cena do amigo do peito James Franco, bem mais que colegas, desde que começaram na televisão na série Freaks & Geeks. Em Vizinhos, sob comando do diretor Nicholas Stoller, o “irmão-parceiro” James não participa, mas a prova máxima de sua habitual influência é a acertada escalação do caçula do clã Franco, o promissor Dave Franco.

Na trama do filme, Seth Rogen aprimora o padrão, com a diferença de que agora já é pai e está casado, assumindo as responsabilidades comuns do cidadão de subúrbio, em qualquer uma das grandes cidades norte-americanas. A casa ao lado é repentinamente ocupada por uma típica fraternidade de estudantes, o que faz com que a tranquilidade e o sossego desapareçam de vez, dando espaço para festas intermináveis e alucinadas.

No elenco de amigos, além de Seth e Dave Franco, merecem destaque as outras duas pontas, que completam as duplas na rivalidade entre vizinhos. A atriz Rose Byrne interpreta a mulher de Seth e comprova (novamente) sua facilidade para fazer comédia. É de sua personagem, sem dúvidas, que brotam as sacadas mais hilárias e as bombásticas surpresas do filme. E, para completar, um irreconhecível Zac Efron, de tão bom, fazendo graça com qualidade, no papel de comandante e guia da fraternidade. É o seu melhor desempenho, em uma precoce carreira, que tem tudo para deslanchar, se assumir fortemente esse gênero.

Um bom conselho de Seth para Zac (se é que ele existe) seria na base do nunca envelhecer de fato, mantendo sempre o espírito nerd e sem jamais se esquecer de preservar as amizades, ou melhor, as panelinhas.

Vinte anos de um reinado: na trilha nostálgica do cinema pipoca, fica a lembrança dos exatos 20 anos da estreia de O Rei Leão (The Lion King), o maior fenômeno de animação do império Disney, somente superado pelo novíssimo Frozen. Depois de uma crescente retomada e da confiança dos seguidos lançamentos de A Pequena Sereia, A Bela e a Fera e Aladin, o auge com a saga do leãozinho Simba surpreendeu até os mais otimistas do estúdio, que acreditavam bem mais no potencial do projeto seguinte, o sonolento e escuro Pocahontas. A maior bilheteria de 1994, O Rei Leão, hoje espetáculo ininterrupto da Broadway, é um acaso, de quando tudo dá certo, envolvendo a compilação de tragédias shakesperianas, com o carisma e fofura de personagens inspirados na prata da casa, Bambi.
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017