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Artigo | Márcio Cotrim »

Um novo balão no aeroporto

Márcio Cotrim - Redação Publicação:23/09/2014 09:00Atualização:23/09/2014 15:49

 (Jailson Belfort/Divulgação)
Depois de revolvido por obras recentes do GDF, ele manteve, apesar de mais plano, o mesmo tamanho. Xodó de Sarah Kubitschek quando vinha a Brasília, ficou conhecido como bambolê de Dona Sarah. O nome caiu no gosto popular.
O espaço circular continua enorme. Localizado num ponto estratégico, substitui os portais que, em certas rodovias, anunciam a chegada a cidades no interior do Brasil.


Lá está ele, esplêndida referência de boas-vindas a quem desembarca em Brasília. Bem diferente do que sucede, por exemplo, no Rio, onde o passageiro que sai do aeroporto rumo ao centro tem de passar por reles vias públicas como a avenida Brasil. Além do nojo visual, ainda corre risco de morte por ser alvo fácil de bandidos que fazem pontaria nas favelas do caminho.


Certa vez, pensei em potencializar a plácida beleza do balão, incutir-lhe movimento. Imaginei um gigantesco chafariz – minha inarredável mania – submeti o assunto ao saudoso arquiteto Gladson da Rocha e ele elaborou anteprojeto que agora lhe descrevo.


Abrangendo toda a área do grande balão, um lago raso. Em pontos equidistantes do centro da superfície líquida, canhões jorrando, com força, água na direção de um pino central a 40 m de altura – alcançando, respire fundo, a parte inferior da fuselagem dos aviões que ali aterrissam, primeira sensação nas janelinhas molhadas, a passageiros surpreendidos com a lenda de que Brasília é uma cidade seca, esturricada.


Na inauguração do novo balão, a ideia-mãe: dezenas de moças vestidas de branco, cada uma trazendo biblicamente, em ânforas, água dos principais rios brasileiros para o primeiro enchimento do novo lago. Emblemático sincretismo, a reunião das águas de todos os Brasis.


A distância e em pleno funcionamento, esse fantástico chafariz há de transmitir espetacular impressão aos que desembarcam.


Se não for possível viabilizar tão audaciosa proposta, há alternativa mais simples, mas também impactante. Vamos iluminá-lo! Não uma iluminação convencional, de penumbra, mas escandalosamente feérica, com o emprego da mais moderna luminotécnica. Um clarão aos olhos de quem chega, lembrança inesquecível aos que partem.


O custo disso tudo será irrelevante se o projeto for realizado pela iniciativa privada. A empresa vitoriosa terá excelente retorno ao aliar seu nome à obra tão impressionante. Sua placa de identificação captará instantânea simpatia pelo tempo que durar essa fecunda parceria governo/empresa. Quem sabe a sugestão se transforme numa risonha e luminosa realidade, tão própria de Brasília?


“Todo jardineiro é jardineiro porque não pode ser flor” (Affonso Romano de Sant’Anna)

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017