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Ajuda extra

Para quem ainda não se familiarizou com a principal forma de ingresso nas universidades brasileiras atualmente - o Enem -, especialistas dão dicas de como pode ser fácil domar esse "bicho de sete cabeças"

Cecília Garcia - Redação Publicação:24/09/2014 09:00Atualização:24/09/2014 09:52

Velho conhecido do Enem: no ano passado, a pontuação do estudante Henrique foi suficiente 
para ingressar na Unirio, mas ele estuda para ir melhor neste ano e fazer medicina em Brasília (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
Velho conhecido do Enem: no ano passado, a pontuação do estudante Henrique foi suficiente para ingressar na Unirio, mas ele estuda para ir melhor neste ano e fazer medicina em Brasília
Uma das avaliações mais temidas de grande parte dos alunos que terminam o ensino médio no Brasil foi, por muito tempo, o vestibular. Contudo, as opções para ingresso em instituições de ensino superior públicas têm aumentado e, entre as alternativas, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se destaca – não só pelas diferenças no método de avaliação (bem distinto dos antigos vestibulares), mas também pela abrangência.


Com o Enem, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) criado pelo Ministério da Educação (MEC), dá a possibilidade de o candidato escolher o curso e a universidade só depois que recebe a nota da prova. Em Brasília, o exame substitui, desde o ano passado, o vestibular tradicional de fim de ano da Universidade de Brasília (UnB). Juntamente com o Programa de Avaliação Seriada (PAS), essas são as únicas formas de ingressar na instituição no período, cada uma com metade das vagas. Mas as provas do meio de ano continuam a ser ocupadas de acordo com o resultado do vestibular normal. Já a Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) adota um exame próprio, mas, a partir de 2016, o ingresso nos cursos de graduação também se dará pelo Enem.


Para Viviane Alves, o vestibular e o Enem são avaliações bem distintas e por isso ela está focada 
no segundo: 'O Enem é mais objetivo, mais simples' (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
Para Viviane Alves, o vestibular e o Enem
são avaliações bem distintas e por isso ela
está focada no segundo: "O Enem é mais
objetivo, mais simples"
Como os estudantes brasilienses não são ainda familiarizados com esse tipo de prova, muitos estranham o estilo da avaliação. De acordo com o professor de física do curso Exatas, César Augusto Severo, a prova é bem contextualizada, com problemas próximos ao cotidiano dos candidatos. “As outras bancas tinham dificuldades de fazer isso sem deixar a questão simples demais. O Cespe (organizador da prova) não.”


O professor explica que o aluno recebe, em janeiro, a nota em exatas, humanas e redação, e cada universidade tem uma maneira de contar esses pontos e definir pesos para as áreas (as notas são recalculadas com base nos pesos que conferem). Depois disso, a instituição libera o resultado mostrando se o aluno está aprovado ou não.


César Severo acredita que há vantagens e desvantagens no Enem. “A quantidade de vagas é muito maior, mas se você vai conseguir ficar na sua cidade ou não já é outro problema, porque agora há uma dispersão maior dos alunos”, explica.


A estudante Viviane Alves vê pontos positivos no Enem. A moça, que quer cursar medicina na UnB ou na ESCS, estuda só para a avaliação. “É diferente. O vestibular é mais teórico. O Enem é mais objetivo, mais simples, isso muda totalmente a preparação de um para o outro.” A rotina de preparo inclui cursinho pela manhã e estudo sozinha à tarde, de segunda a domingo. Para a redação, Viviane produz dois textos por semana. “O Enem só tem um tipo de redação: dissertativo-argumentativa. Por isso, estou estudando só esse modelo. Já o vestibular, pode ser qualquer tipo. É questão de foco mesmo.”


Apesar de a redação ter caráter apenas avaliativo, não classificatório ou eliminatório, pelo menos para o próprio MEC, as instituições de ensino superior dão pesos diferentes a ela. A UnB, por exemplo, considera peso 1 para a nota no quesito. Contudo, diferente do vestibular, a redação tem uma forma de correção peculiar. “É bem criterioso. Essa redação vai ser corrigida por duas pessoas, no mínimo, podendo chegar ao ponto de uma equipe avaliá-la”, explica a professora de português do Grancursos Viviane Faria.


A parte avaliativa da redação está no edital e qualquer um pode consultar. “Mas o foco maior do Enem é verificar se a pessoa consegue produzir um texto com coerência”, explica a professora. Além disso, o candidato não pode fugir ao tema. “A melhor fundamentação para qualquer argumento é colocar algo voltado à realidade social, e isso é uma coisa que vai garantir uma boa pontuação. As ideias não podem ser fantasiosas.” Uma dica da profissional é fazer um texto bonito, ou seja, respeitar as margens, escrever em cima da linha, não rasurar e ter letra legível. Viviane sempre aconselha seus alunos a tornar a redação seu ponto forte. “Além de ela ser o futuro avaliativo, é o ponto fraco de muita gente. Então você se torna um forte.”


A professora destaca, ainda, a cobrança da compreensão da linguagem em disciplinas como literatura e língua portuguesa: “Mais do que saber o que é uma oração subordinada substantiva, é preciso entender que aquela construção, aquela formação oracional, tem influência em quem leu”. Segundo ela, tudo o que antigamente era cobrado puramente agora é aplicado: “Não adianta nada saber só a matéria se não souber aplicar. E não adianta achar que é bom em interpretação se não tem o conhecimento necessário para fazer a prova. Precisa dos dois. ‘Decoreba’ não salva ninguém”, diz.


Longe de considerar o exame um “bicho de sete cabeças”, o estudante Henrique Müller diz que uma boa redação para o Enem é também uma boa redação para a ESCS (as duas provas nas quais tem focado). “Ao se especializar nessa área, produzir muitos textos, ir atrás de vocabulário, ler e tudo mais, você se prepara para a redação”, comenta. O rapaz também sabe que a parte de interpretação de texto no exame é algo a se tomar cuidado. “Na parte de humanas, há textos mais pesados, interpretação mais profunda, e isso consome tempo. O grande inimigo do Enem acaba sendo a correria”, conta.


O candidato fez a prova do ano passado e teve nota suficiente para ingressar na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), mas preferiu ficar e tentar uma vaga em Brasília. Mesmo assim, não relaxou nos estudos – sua rotina continua puxada. De manhã vai à aula, à tarde estuda e à noite trabalha. “Como tenho tempo reduzido, preciso organizar melhor os meus tópicos, quais matérias vou de fato estudar. A área de humanas vem pegando mais nas provas, tanto do Enem quanto da ESCS. Quem quer medicina não pode se dar ao luxo de escolher só uma das provas”, conclui.

 

 (Fotos: Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
 

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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017