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Amor compartilhado

Donos de animais de estimação criam perfis nas redes sociais, ganham seguidores, conquistam novos amigos e incentivam a adoção de bichinhos abandonados

Rodrigo Craveiro - Redação Publicação:24/09/2014 09:00Atualização:24/09/2014 09:52

Marilaine Magalhães e seus cães: promove até amigo oculto entre pets no Facebook (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
Marilaine Magalhães e seus cães: promove até amigo oculto entre pets no Facebook
Pérola é uma vira-lata de 1 ano e 4 meses que aparece nas mais ousadas poses no Instagram. Em uma delas, dorme de pijama no sofá; em outra, aparece sonolenta abraçada a um mordedor de plástico. Adotada no ano passado, quando estava muito doente e com apenas 38 dias de vida, a cadelinha ganhou saúde e seguidores na rede social. Hoje, já passam de 540. “Eu resolvi criar o perfil dela para incentivar outras pessoas a adotarem cães vira-lata”, explica Leonardo Silva, dono da Pérola.


Mas, no fundo, o que era uma simples brincadeira tornou-se uma importante ferramenta de interação e de estímulo à adoção. “O perfil abriu espaço para debatermos o controle de procriação, a tutela responsável, os cuidados com a saúde”, explica Silva. “Um animal tem praticamente as mesmas necessidades básicas de uma pessoa, como amor, cuidados com a saúde e boa alimentação. Por que não ser exemplo?”


Leonardo Silva criou o perfil de Pérola no Instagram: mais de 500 seguidores e incentivo à adoção (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
Leonardo Silva criou o perfil de Pérola no
Instagram: mais de 500 seguidores e
incentivo à adoção
Em sua página no Instagram, Pérola “fala” sobre a sua boa vida, detalha onde encontrar brinquedos e “discorre” sobre os cuidados com o pelo e com os dentes. A ingestão de alimentos mais saudáveis e a importância das vacinas também merecem destaque no perfil. “Pesquisas já comprovaram que ter um cachorro em casa ajuda inclusive na melhora da imunidade do dono”, comenta Silva, que possui ainda Lucky e Lully, dois cães da raça shih-tzu. Pérola chegou a ser reconhecida na rua por conta de seu ativismo na internet.


A relações públicas Janaína Demboski também adotou Budd York, um yorkshire de 6 anos, e logo criou uma página no Facebook para o pet. “O perfil do Budd é semelhante ao meu e ao do meu marido: fotos do dia a dia, check-ins, marcação em fotos e atividades, etc. Isso acaba aproximando amigos ou conhecidos que também têm cães. Também há troca de informações”, comenta. Vez ou outra, os donos de pets se reúnem para passeios em conjunto.


Janaína e o marido, Rodrigo Bauer, também seguem perfis específicos sobre a saúde dos animais. A internet acaba por aproximar interesses similares e por estimular afinidades. “A rede também é muito importante para campanhas de adoção e cuidados com animais abandonados e maltratados.”


Janaína Demboski fez um perfil do Facebook para Budd York: rotina, marcação em fotos e tudo mais (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
Janaína Demboski fez um perfil do Facebook
para Budd York: rotina, marcação em fotos
e tudo mais
Meg, uma senhora labradora de 15 anos; Mel, uma também idosa york de 14 anos; Simba e Luna, dois spitz alemães de 1 ano e de 9 meses, respectivamente, não têm um perfil específico. Mesmo assim, a pedagoga Marilaine Magalhães, dona dos quatro cães, é conhecida no Facebook como “a mãe do Simba ou da Luna”. “Acompanho vários grupos da raça, nos quais eles são os destaques. Na internet, conseguimos acesso a grupos especializados da raça, serviços, referências veterinárias, produtos e até mesmo um book de pretendentes para namoros entre os pets e reservas de filhotes”, explica.


Marilaine considera incrível a diversidade de assuntos que surgem diariamente nas redes. “Conversamos sobre cuidados especiais de saúde com os nossos pets, tratamentos estéticos, até brincadeiras envolvendo os bichos”, exemplifica. Até mesmo os alegres aniversários dos cãezinhos são compartilhados pela rede, com direito a fotos do bolo e de docinhos especiais. “No fim do ano, organizamos um amigo oculto. O último deles envolveu participantes amigos de pets de todo o Brasil e do exterior”, exemplifica.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017