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Especial educação | Ensino superior »

Por um currículo melhor

Desde a graduação, futuros profissionais buscam atividades extracurriculares que desenvolvam habilidades de liderança. Monitorias e viagens estão entre as opções

Dominique Lima - Redação Publicação:24/09/2014 09:00Atualização:24/09/2014 09:52

Lucas Saliba, estudante 
de medicina, investe 
em viagens: férias dedicadas a cursos e ao aprendizado 
de idiomas (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Lucas Saliba, estudante de medicina, investe em viagens: férias dedicadas a cursos e ao aprendizado de idiomas
A preocupação em construir uma carreira bem-sucedida deve se iniciar o quanto antes. Logo nos primeiros anos da educação formal delineia-se a diferença entre um funcionário padrão e um líder em potencial. Entre os fatores capazes de diferenciar os dois tipos de trabalhadores estão as atividades extracurriculares que acumulam. Monitorias, projetos de pesquisa e empregos sazonais são muito bem cotados. Mas contam ainda mais pontos diante dos empregadores os chamados extras: viagens internacionais, idiomas estrangeiros, conhecimento de artes, literatura, cultura pop, tecnologia.


A gerente de recursos humanos Lígia Pereira investiu em atividades extras durante a graduação: congressos, redação de artigos, estágios (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
A gerente de recursos humanos Lígia Pereira
investiu em atividades extras durante a
graduação: congressos, redação de artigos,
estágios
A tendência das empresas é procurar nos currículos indicadores de qualidades essenciais para quem quer se destacar: criatividade, poder de inovar, habilidade de comunicação, maturidade no enfrentamento de dificuldades. Aqueles que enriquecem os anos da graduação com experiências variadas comprovam, assim, o esforço para desenvolver essas qualidades. “As atividades extras proporcionam ao profissional o contato com pessoas de outras áreas, algo muito valorizado no mercado. Além disso, pessoas com hobbies e áreas de interesse diversas tendem a ter melhor qualidade de vida e menos estresse, o que também é benéfico para as empresas”, ressalta a professora da Fundação Getulio Vargas e mestre em desenvolvimento humano, Ana Ligia Finamor.


Um fator crucial é a pessoa se manter em movimento. Essa é a cartilha que segue a gerente de recursos humanos Lígia Pereira. Formada em psicologia, ela conseguiu o atual emprego antes de se formar. Ainda no primeiro ano na empresa, foi promovida a gerente. O desempenho deve-se em muito ao aproveitamento intenso do curso de graduação, quando participou de congressos, foi coautora de artigos, fundou e dirigiu uma empresa júnior. Atualmente, Lígia dedica-se a atividades extras voltadas à preparação para o mestrado, que pretende fazer no ano que vem. Estuda inglês para provas de proficiência e para concluir certificações na área em que atua. “Participar também de atividades fora do escopo do trabalho auxilia no autoconhecimento, e isso se reverte em melhor desempenho geral. Um profissional com pensamento crítico e com boas relações interpessoais é o que todos procuram.”


O psicólogo Gleidson Gabriel foi beneficiado pela participação em monitorias: 
além do aprendizado, foi importante para conhecer outras pessoas (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
O psicólogo Gleidson Gabriel foi beneficiado
pela participação em monitorias: além do
aprendizado, foi importante para conhecer
outras pessoas

Viagens são uma excelente fonte de experiência. O conhecimento de cultura diversa e língua estrangeira e a capacidade de adaptação são valorizados. Segundo a gerente da agência de intercâmbios STB em Brasília, Andréia da Cunha, pessoas cada vez mais novas procuram oportunidades para desenvolver habilidades fora do Brasil. São cursos de idiomas, estágios, trabalho voluntário, férias vocacionadas, com temáticas em áreas de interesse do aluno, como fotografia ou tecnologia. “É muito comum clientes partirem em uma segunda viagem porque percebem os benefícios que a primeira trouxe às suas vidas”, conta a gerente. É o caso de Lucas Saliba. Estudante do segundo ano de medicina, ele esteve por um mês na França treinando o idioma do país. Em 2015, vai para San Diego, nos Estados Unidos, para um curso de inglês voltado para medicina. A ideia é aprender termos médicos e de anatomia na língua inglesa. Além do avanço nos idiomas, Lucas viaja para aprender a se virar sozinho. “Poder visitar cidades, monumentos históricos e museus foi outra grande vantagem de escolher o curso como destino das minhas férias”, explica. Para Andréia da Cunha, ter hobbies além da sua área de formação  mostra que a pessoa está antenada com o mundo e que tem potencial para inovar.


Segundo a professora de técnicas de recrutamento e seleção do Iesb, Vânia Lúcia Pereira de Andrade, são valorizadas participações em projetos de pesquisas, monitorias, cursos rápidos de extensão, organização de eventos. O futuro profissional do psicólogo Gleidson Gabriel, por exemplo, foi transformado graças à participação em monitorias durante a graduação. Apesar dos estudos voltados para ciências humanas, aprendeu até sobre estatística. Também conheceu parceiros de trabalho. Hoje é especialista em autismo e um dos colegas da época de monitoria tornou-se seu sócio. “É importante ficar atento para as  oportunidades que aparecem durante os anos de formação, que podem trazer grandes benefícios no futuro”, diz.

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017