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A natureza por testemunha

Quase todos os parques em funcionamento no Distrito Federal oferecem estrutura para a prática de diversos exercícios físicos. Saiba quais são, onde estão e como desfrutar e se beneficiar deles

Adriana Caitano - Publicação:30/09/2014 09:00Atualização:30/09/2014 09:40

A prática de slackline combina com os frequentadores 
do Parque da Cidade: interesse em um estilo 
de vida mais saudável outdoor (fora de 
ambientes fechados) (Gustavo Moreno/CB/DA Press)
A prática de slackline combina com os frequentadores do Parque da Cidade: interesse em um estilo de vida mais saudável outdoor (fora de ambientes fechados)
No lugar de música alta e com batida forte, canto de pássaros. Em vez de ar condicionado, o mesmo vento que bate nas árvores que se avizinham. Nada de fotografias de corpos sarados – ali eles são reais e se misturam à paisagem naturalmente verde. E a iluminação artificial dá espaço aos raios solares no momento mais saudável do dia.


Josivaldo Oliveira pratica ioga no Parque de Águas Claras: 'É na natu-reza que podemos 
nos conectar com o todo e aprender a ficar bem e em paz em qualquer ambiente' (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Josivaldo Oliveira pratica ioga no
Parque de Águas Claras: "É na natu-
reza que podemos nos conectar com
o todo e aprender a ficar bem e em
paz em qualquer ambiente"
De acordo com pesquisa do Ministério da Saúde, Brasília é a terceira capital do país com maior percentual de adultos que praticam o nível recomendado de exercícios físicos no tempo desocupado. E o que não falta são motivos para que cada vez mais brasilienses entrem nessa contagem.


Além do ambiente natural, quase todos os 18 parques em funcionamento no Distrito Federal (DF) abrem as portas e oferecem estrutura para a prática de exercícios diversos, não só limitados a caminhadas e passeios. Com esses incentivos, muitos têm trocado as academias e as salas de aula convencionais pelas atividades ao ar livre. E o melhor: a maioria é gratuita.


A serenidade visível do comerciante Josivaldo Oliveira é atribuída às aulas de ioga que ele frequenta duas vezes por semana no Parque de Águas Claras, há quatro anos. Ele conta que a prática foi essencial para a recuperação de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que lhe havia prejudicado a fala e os movimentos. Hoje, além de aluno, também é professor de ioga e ajudou a criar a ONG responsável pela atividade. Entre uma postura e outra, Deva Daya, nome com que foi batizado no grupo, respira profundamente sem medo enquanto observa a natureza. “Este é o lugar verdadeiramente propício para a ioga, é na natureza que podemos nos conectar com o todo e aprender a ficar bem e em paz em qualquer ambiente", comenta. "Fazer isso em um quadradinho fechado seria bem mais difícil".


Saúde em família: enquanto Ruan treina futebol, 
o pai, Rodrigo Rocha, aproveita para correr no parque (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Saúde em família: enquanto Ruan
treina futebol, o pai, Rodrigo Rocha,
aproveita para correr no parque
A professora do grupo que reúne cerca de 40 alunos assíduos, Iva Kriskovic, que também é psicóloga especialista em saúde mental, garante: “O ambiente aberto faz toda a diferença, principalmente para combater a depressão e a ansiedade”. Segundo ela, o corpo reage mais quando está próximo ao meio ambiente natural. “Nós trabalhamos o corpo, a mente e as emoções, e a energia da natureza é viva, traz mais equilíbrio e leveza”, afirma.


A fisiologista do exercício e professora da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília (UnB) Keila Elizabeth Fontana destaca que as atividades ao ar livre têm muitas vantagens à frente daquelas feitas em espaços reclusos. Uma delas é o bem-estar, quando a pessoa se sente mais adequada ao ambiente. “O prazer ajuda muito, porque, sendo mais agradável e menos monótona, a atividade física é mais efetiva e constante”, argumenta.


A especialista enumera ainda benefícios disponíveis apenas ao ar livre. A respiração, por exemplo, é menos prejudicada, por haver menor acúmulo de bactérias e ácaros que nas academias. Outro ganho insubstituível está na absorção de vitamina D, feita apenas com a exposição ao sol nos primeiros horários da manhã e nos últimos da tarde. A ausência dessa substância no organismo pode ampliar sintomas de osteoporose, asma, artrite, depressão e problemas cardiovasculares. “Para pessoas que já trabalham em ambientes fechados, é muito importante esse contraste”, diz Keila.


Nice Oliveira e seu filho William fazem patinação juntos, com a professora Fátima Figueiredo (dir.) 
no Parque da Cidade: desempenho das aulas é melhor no local onde praticam (Bruno Pimentel/Encontro/DA Press)
Nice Oliveira e seu filho William fazem patinação juntos, com a professora Fátima Figueiredo (dir.) no Parque da Cidade: desempenho das aulas é melhor no local onde praticam
A professora aposentada Edna Luiz Teodoro Bastos sentiu na pele essa diferença. Diagnosticada com osteoporose, ela começou a frequentar o grupo Vô Vó Malhar no Parque Olhos D’Água, na Asa Norte, que pratica ginástica e utiliza os aparelhos comunitários sob a orientação gratuita do professor de educação física Fernando Barreira. “Em dois anos meu problema regrediu para um estágio anterior e o médico disse que isso foi possível mais pelos exercícios que eu estava fazendo que pelos remédios”, relata Edna, que acrescenta: “A academia faz bem ao corpo e o parque faz bem ao corpo e à mente. Se eu chego deprimida, saio mais leve e sorrindo”.


O grupo de frescobol do Parque da Cidade busca melhorar a estrutura 
do local: nada de ficar só esperando ações de melhorias do governo (Gustavo Moreno/CB/DA Press)
O grupo de frescobol do Parque da
Cidade busca melhorar a estrutura
do local: nada de ficar só esperando
ações de melhorias do governo
O bombeiro Rodrigo Rocha apostou tanto nos benefícios físicos como nos psicológicos na hora de escolher o Parque de Águas Claras como cenário para o filho Ruan, de 7 anos, aprender futebol. Enquanto o menino treina na escolinha que fica na quadra com gramado sintético, o pai aproveita para correr pelo parque. “As crianças de hoje, se não forem puxadas para fora de casa, vão preferir ficar jogando videogame, então o pai não pode se acomodar, tem de ir junto, e não sei se eu teria essa vontade de sair e também praticar esporte ao mesmo tempo se fosse em outro lugar", justifica Rodrigo Rocha.


Para a técnica administrativa Nice Oliveira, além da convivência com pessoas diferentes, o esporte no Parque da Cidade contribuiu para estreitar os laços com seu filho William, de 9 anos. Os dois participam juntos das aulas de patinação inline e fazem de tudo para não faltar. “Eu já tinha vontade de aprender, mas, quando meu filho quis também, achei uma ótima oportunidade de convivermos mais, observarmos outras pessoas e um aprender com o outro”, conta Nice. “O desenvolvimento dele foi muito rápido, ele ama.”


A professora do grupo de patinação, Fátima Figueiredo, explica por que William aprendeu tão rápido: “O desempenho dos meus alunos no parque é bem melhor porque eles já aprendem no local em que vão praticar e podem variar os percursos, ao contrário de quem fica em ambiente fechado e depois tem medo de ir para a rua”.  


'O ambiente aberto faz toda a diferença, principalmente para combater a depressão e a ansiedade', garante a professora 
de ioga, Iva Kriskovic, que dá aulas 
no Parque de Águas Claras (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
"O ambiente aberto faz toda a diferença, principalmente para combater a depressão e a ansiedade", garante a professora de ioga, Iva Kriskovic, que dá aulas no Parque de Águas Claras

Toda sexta-feira, às 9h: aulas 
de tai chi chuan e qigons são gratuitas no Bosque do Sudoeste (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
Toda sexta-feira, às 9h: aulas de tai chi chuan e qigons são gratuitas no Bosque do Sudoeste
O mesmo acontece com a prática de slackline, fita elástica esticada entre dois pontos fixos sobre a qual o atleta caminha e faz manobras, que reúne dezenas de novos adeptos nos encontros semanais do Parque da Cidade. “Lá é ideal porque é um esporte que une pessoas interessadas em um estilo de vida mais saudável outdoor (fora de ambientes fechados) e mexe muito com equilíbrio e concentração, pois a pessoa tem de vencer a si mesma e tem mais facilidade quando está em contato com a natureza”, comenta Matheus Samir, um dos coordenadores do grupo.


Nos últimos dois anos, o governo criou o programa Brasília, Cidade Parque, que investiu R$ 100 milhões para revitalizar os espaços naturais da capital e torná-los acessíveis aos moradores de todas as regiões administrativas. “Os parques são nossas praias, nossos programas de lazer mais democráticos. Nosso objetivo agora tem sido criar uma ideia de pertencimento, ocupando-os também com atividades culturais, musicais, teatrais e de saúde”, informa Eduardo Brandão, idealizador do programa.


O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) coordena os projetos de revitalização e administra mais de 70 parques no DF (outros, como o Parque da Cidade, o Taguaparque e a Água Mineral, não são submetidos ao instituto). De acordo com a assessoria do órgão, para frequentar, fazer piqueniques e atividades privadas, não há restrições. Mas os grupos e professores que querem organizar práticas esportivas coletivas e eventos precisam pedir a autorização do Ibram ou das administrações respectivas com 20 dias de antecedência.


De acordo com o superintendente de Gestão de Áreas Protegidas do instituto, Pedro Salgado, a regra é o cuidado com o meio ambiente. “Procuramos evitar eventos de grande porte que possam prejudicar a fauna ou que extrapolem com o uso de cigarro e bebida alcoólica, que são proibidos”, detalha.


O grupo de Frescobol do Parque da Cidade, que tem mais de 180 cadastrados, é um dos que utiliza o espaço gratuitamente, mas se preocupa em dar uma contrapartida. Por meio de contribuições voluntárias dos próprios atletas, eles arrecadaram recursos para trocar o alambrado e a areia da arena em que treinam e ainda tentam garantir um ponto de água e de energia com a administração do parque. “Justamente porque o espaço é público, resolvemos agir, e não ficar esperando só o governo para melhorar nossa estrutura”, comenta o educador físico e integrante do grupo Samir Bonfim.

 

Desfrute


Principais parques, administrados pelo Ibram, onde se podem praticar exercícios físicos no DF

 

 .Jardim Botânico de Brasília
 .Parque Areal (Taguatinga)
 .Parque Bosque do Sudoeste (Brasília - Sudoeste)
 .Parque de Uso Múltiplo da Asa Sul (Brasília - Asa Sul)
 .Parque Ecológico Águas Claras (Águas Claras)
 .Parque Ecológico Dom Bosco (Brasília - Lago Sul)
 .Parque Ecológico dos Jequitibás (Sobradinho)
 .Parque Ecológico e Vivencial do Riacho Fundo (Riacho Fundo)
 .Parque Ecológico Ezechias Heringer (Guará)
 .Parque Ecológico Olhos d’Água (Brasília - Asa Norte)
 .Parque Ecológico Saburo Onoyama (Taguatinga)
 .Parque Lago do Cortado (Taguatinga)
 .Parque Recreativo Sucupira (Planaltina)
 .Parque Três Meninas (Samambaia)
 .Parque Urbano da Vila Estrutural (SCIA - Estrutural)

 

O professor de educação física Fernando Barreira está à frente do grupo Vô Vó Malhar 
no Parque Olhos D'Água, na Asa Norte: benefícios visíveis à saúde dos frequentadores (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
O professor de educação física Fernando
Barreira está à frente do grupo Vô Vó
Malhar no Parque Olhos D'Água, na Asa
Norte: benefícios visíveis à saúde dos
frequentadores
Vizinhos do Parque de Águas Claras desfrutam da área para a prática de esportes: convite a uma vida saudável (Luis Tajes/CB/DA Press)
Vizinhos do Parque de Águas Claras
desfrutam da área para a prática de
esportes: convite a uma vida saudável

 

 

 

 

 

 

 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017