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Um novo cenário na Chapada

Distrito de São Jorge, visitado por muitos brasilienses e turistas de toda parte, receberá blocos de concreto nas ruas de terra batida. Mudança é festejada pelos moradores, mas eles se preocupam com o aumento de visitantes

Olívia Meireles - Redação Publicação:22/10/2014 16:00Atualização:22/10/2014 16:20

Os turistas colombianos Rafael Bermudez e Ana 
Horta acreditam que o calçamento das ruas não afetará a beleza do lugar: desenvolvimento bem-vindo (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Os turistas colombianos Rafael Bermudez e Ana Horta acreditam que o calçamento das ruas não afetará a beleza do lugar: desenvolvimento bem-vindo

Carla Guaitanele, coordenadora do Parque Nacional Chapada dos Vea-deiros, acredita 
que a obra é indis-pensável: o cascalho jogado nas ruas está assoreando o rio (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Carla Guaitanele, coordenadora do
Parque Nacional Chapada dos Vea-
deiros, acredita que a obra é indis-
pensável: o cascalho jogado nas ruas
está assoreando o rio
Desde dezembro de 2013, a pacata Vila de São Jorge (GO), o portal de entrada para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, a 210 km de Brasília, vive um grande debate. Alguns dias antes do Natal, o prefeito de Alto Paraíso (GO), Álan Gonçalves Barbosa, convocou o distrito de 700 habitantes para anunciar mudanças. Poucos moradores compareceram. Uma parte estava nas cidades de origem para passar o feriado com as famílias. Os que ficaram não se comoveram com o pedido do político. Por isso, o quórum foi baixo. Ficou a cargo de quem participou da reunião espalhar pela cidade, que, depois de dez anos de promessas, as ruas de terra batida iam dar lugar a bloquetes de cimento. Não só isso: a estrada de terra de 27 km, que liga a vila a Alto Paraíso, terminaria de ser asfaltada. São Jorge nunca mais seria a mesma.


Conforme as pessoas voltavam do feriado, o boato se espalhava – e aumentava. No início, muitos se posicionaram contra as interferências no visual da cidade. Pois estavam tomados pelo receio de afastar os turistas que buscam um roteiro rústico – afinal, a principal atividade econômica do local é o ecoturismo. Mas logo o medo foi substituído por satisfação. De uns anos para cá, aumentou o número de carros que circulam pelas estreitas ruas e, quando passam – normalmente em alta velocidade –, levantam a poeira. “Comer em um restaurante tornou-se terrível, pois a terra sobe e vem para cima do prato. Que visitante acha isso charmoso?”, avalia Marcos Brasil, há 20 anos morador do local e dono de uma loja de suvenires.


Tila Avelino, gestora financeira da casa de cultura de São Jorge, afirma que, além de infraestrutura, a cidade precisa de polícia: 'Nos últimos dois anos, enfrentamos problemas de trânsito e bagunça' (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Tila Avelino, gestora financeira da
casa de cultura de São Jorge, afirma
que, além de infraestrutura, a cidade
precisa de polícia: "Nos últimos dois
anos, enfrentamos problemas de
trânsito e bagunça"
Além disso, com as novas medidas, seria o fim das infecções respiratórias por conta da terra batida na temporada de seca, a diminuição da sujeira dentro das casas e comércios, o fim das valas de um metro na época de chuva e também o chamariz para um público mais refinado e resistente à simplicidade da vila. O item mais importante na lista, entretanto, não afeta apenas o dia a dia dos moradores e turistas, mas toda a preservação da Chapada dos Veadeiros.


Na época de chuva, o cascalho jogado nas ruas, para segurar a poeira, cai dentro do córrego Preguiça, que margeia o distrito. O riacho está assoreando. E não é o único afetado. Os detritos estão desembocando nas águas que correm no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. “A obra virou uma questão de sobrevivência para a reserva natural”, avalia Carla Guaitanele, chefe do local. Por isso, a administração do parque tomou o importante papel de fiscalizar os acontecimentos.


Em fevereiro, eles notaram que os funcionários das empreiteiras se instalaram e em São Jorge. Começaram a produzir os bloquetes de cimento de 12 lados, fazer as obras de drenagem e também o asfalto na rodovia. Outdoors foram montados, espalhando as boas novas e causando uma pequena comoção nas ruelas. Cada uma das medidas, entretanto, foi licenciada para uma empresa diferente e, por isso, tomou uma velocidade diversa. No distrito, por enquanto, apenas construção do duto para a escoação da água está nos finalmentes. Mas, mesmo assim, ainda falta subir uma barragem para que não despenquem com as chuvas e piorem o asseoramento do corrégo Preguiça – se a edificação não for finalizada a tempo, a empresa corre o risco de ser multada pelo ICMBio, administrador do Parque Nacional.

 

Marcos Coimbra, guia e empresário, 
mora há 20 anos em São Jorge e aprova 
a mudança: 'Comer em um restaurante tornou-se terrível, pois a terra sobe e vem para cima 
do prato. Que visitante acha isso charmoso? ' (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Marcos Coimbra, guia e empresário, mora há 20 anos em São Jorge e aprova a mudança: "Comer em um restaurante tornou-se terrível, pois a terra sobe e vem para cima do prato. Que visitante acha isso charmoso? "

 

A dúvida de Cecilio Gomes, da Asso-ciação dos Condutores de Visitantes: 'Estamos preparados para o aumento de viajantes?' (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
A dúvida de Cecilio Gomes, da Asso-
ciação dos Condutores de Visitantes:
"Estamos preparados para o aumento
de viajantes?"
Obras de asfaltamento da rodovia que liga Alto Paraíso ao povoado 
de São Jorge: eco-nomia 
de 40 minutos na viagem (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Obras de asfaltamento da rodovia que liga
Alto Paraíso ao povoado de São Jorge: eco-
nomia de 40 minutos na viagem
 

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