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Ladeira abaixo

Em competições ou em momentos de lazer, os adeptos do drift trike tomam as ruas da cidade e destacam-se no cenário nacional

Renata Rusky - Redação Publicação:23/10/2014 14:57Atualização:26/05/2015 15:37

 (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
Localizada no Planalto Central, é claro que a capital federal não é conhecida por ter grandes ladeiras. Um grupo de atletas, no entanto, aproveita cada uma das poucas pistas íngremes da cidade para praticar um esporte que depende muito dela, o drift trike. O trike é um triciclo feito da mistura de uma bicicleta com um carrinho de rolimã, que, impulsionado pela descida, pode chegar a uma velocidade de 100 km/h. Muitos praticantes fazem o próprio trike, mas, como estão sujeitos a muitas batidas, nem todos são resistentes como deveriam. Alguns trikes têm ainda pedais. Esses são ótimos para quem também quer usá-lo para lazer, em pistas mais planas, como as de Brasília.


O drift trike chegou ao Brasil, importado dos Estados Unidos, há cerca de quatro anos. É dividido em duas categorias: speed e slide. Na primeira, a ideia é pegar velocidade e os concorrentes se enfrentam em uma corrida. A outra é mais complexa, com curvas e obstáculos a serem superados. Em Brasília, alguns adeptos já praticavam desde a chegada do esporte no país. Foi há dois anos, no entanto, que foram formadas equipes oficiais de drift trike, quando Diego Rocktrike descobriu a modalidade, construiu o seu próprio triciclo e começou a reunir pessoas que praticavam o esporte há mais tempo. Desde então, começou a organizar encontros, eventos e viagens. Com o sucesso do trike que fez para si próprio, Diego começou também a fabricar trikes para venda. “Eu trabalhava com informática e sou músico, virei também atleta, empresário e organizador de eventos”, conta.


Diego Rocktrike é pioneiro no drift trike em Brasília: além de atleta, tornou-se promotor de competições (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
Diego Rocktrike é pioneiro no drift trike
em Brasília: além de atleta, tornou-se
promotor de competições
Diego planeja para o ano que vem o primeiro campeonato estadual em Brasília. A capital tem atletas suficientes e pode atrair pessoas de outros lugares. Neste ano, das cinco etapas do torneio nacional, a equipe de Brasília só ficou de fora da quarta, que ocorreu no Rio Grande do Sul. A última será em Santa Catarina, em novembro. Na primeira, em Minas, ficaram em 18º lugar e nas etapas seguintes, no Paraná e em São Paulo, subiram para o quarto lugar. No ranking nacional, a equipe da capital está em sétimo. Eventualmente, as equipes de Brasília se unem para competições e viagens, formando a Liga Brasiliense de Drift Trike.


A idade média dos atletas de drift trike varia entre 30 e 40 anos, mas famílias inteiras acabam se envolvendo. Há três anos, Gildo Cruz, conhecido como Formigão, foi andar de carrinho de rolimã na Ermida Dom Bosco com os três filhos e o genro e lá descobriram o trike. Os quatro resolveram fazer os próprios trikes. Até as duas filhas de Gildo entraram na onda radical por um tempo. “Depois começamos a exagerar nas ladeiras e elas pararam”, conta. O gosto pela aventura passou também de avô para neto. Quando a pista não é tão íngreme, Formigão leva o pequeno Caynã Rodrigues, de 4 anos, que não quer saber de triciclo infantil. Acha o trike mais desafiador. “Já está no sangue dele”, garante Gildo.


Os atletas do Planalto Central acumulam grandes prêmios. Em prova na Serra de Taquaruçu, em Palmas (TO), no ano passado, Formigão ficou em terceiro lugar e seu filho Hugo, em primeiro. Os dois superaram atletas locais, já acostumados com aquela ladeira. Em novembro, o empresário Jabes Nascimento vai a Bombinhas (SC) competir pelo DF. Ele descobriu o trike quando pesquisava formas de incrementar os carrinhos de rolimã dos sobrinhos. “Vi o trike numa quinta; na sexta, comecei a construir o meu, terminei no sábado e, no domingo, fui ao meu primeiro encontro”, conta.


Em uma semana, praticando todos os dias, ele ficou craque. Antes, era adepto do motocross. Para ele, foi uma ótima troca: “O drift trike também é um esporte com muita adrenalina e é bem mais barato”. Um trike pode ser feito em casa, mas quem não tiver a habilidade pode comprar um a partir de R$ 800. Uma das melhores memórias que Jabes tem do drift trike é descer a pista dos condomínios do Lago Sul em direção à Ponte JK. De madrugada e com um carro batedor à frente, os atletas desceram, segundo ele, a cerca de 90 km/h. “Foi muito gostoso e muito bonito. Só experimentando para saber como é.”

 

 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017