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Pet | Alimentação »

Comida natural

Cresce a procura por alimentos não industrializados para cães e gatos. Refeições completas ou apenas petiscos livres de conservantes e outros aditivos são opções saudáveis, mas apenas se respeitarem as necessidades nutricionais dos pets

Paloma Oliveto - Publicação:24/10/2014 12:00Atualização:24/10/2014 14:03

O buldogue campeiro Bob só se alimenta de comida natural: no cardápio produzido pela dona, tem até cupcake de cenoura com mel silvestre sem lactose (Bruno Pimentel/Encontro/DA Press)
O buldogue campeiro Bob só se alimenta de comida natural: no cardápio produzido pela dona, tem até cupcake de cenoura com mel silvestre sem lactose
Depois da explosão do fast-food e da comida industrializada, há um movimento de retorno aos ingredientes mais saudáveis e caseiros. E não é que os pets também entraram na onda? Para oferecer uma alimentação balanceada e fresquinha aos amigos de quatro patas, algumas pessoas abandonaram a ração e passaram a apostar em refeições completas, compostas por ingredientes, como frango desfiado, fígado, arroz e legumes cozidos. Mesmo quem não quer trocar completamente o cardápio de seu animal pode introduzir delícias naturais em forma de petiscos. Já existem quitutes totalmente livres de substâncias artificiais para fazer a alegria dos amigões sem comprometer a saúde.


Ossinhos, bifinhos e outros petiscos são importantes para agradar aos pets ou recompensá-los nos treinamentos. Contudo, o excesso de ingredientes processados, sódio, gorduras e conservantes pode colocar em risco o organismo de cães e gatos, desencadeando diversas complicações. “Muitos petiscos industrializados são ricos em farinhas de cereais, açúcar, sal, além de flavorizantes, aromatizantes, corantes e conservantes”, explica a médica veterinária Sonali Ribeiro, especializada em nutrição clínica.


“Eles estão associados a problemas gastrointestinais, sobrepeso e alergias. Ainda que sejam fortificados com vitaminas e minerais, não devem ser ofertados em grandes quantidades e, se possível, deve-se optar por petiscos mais naturais, com ingredientes mais nutritivos e com menos químicos”, orienta a veterinária. Ela lembra que os ossinhos de couro podem, inclusive, conter soda cáustica, porque são lavados com produtos químicos fortes para adquirir a cor branca.


O chow chow Gyro, de 7 anos, não tem problemas de saúde, 
mas os donos Thassia e Juliano adotaram o quitute de fígado 
desidratado: só para os momentos de agrado (Bruno Pimentel/Encontro/DA Press)
O chow chow Gyro, de 7 anos, não tem problemas de saúde, mas os donos Thassia e Juliano adotaram o quitute de fígado desidratado: só para os momentos de agrado
Laika, vira-lata de 1 ano, sofre de colite e, com a ração, tinha diarreias frequentes. A dona, Nathalia Sifuentes, resolveu levá-la a uma veterinária especialista em nutrição caseira, que prescreveu a dieta composta por canja com frango desfiado e pasta probiótica. Depois de uma estratégia de transição, Laika, hoje, consome apenas alimentos naturais. Nathalia, que procura oferecer à família toda ingredientes orgânicos e frescos, chegou a fazer um curso de culinária para pets. “A alimentação natural foi muito benéfica para a Laika. Além de ter eliminado o problema da colite, o pelo dela está mais brilhante e ela está mais disposta”, afirma. Os gatinhos da casa também vão entrar no regime: “Agora, estou começando a montar a dieta dos meus gatos, à base de carnes cruas e com ossos”, conta Nathalia.


Mas a gulosa Laika também recebe — ou surrupia — agradinhos fora das refeições. “Sempre damos os petiscos como reforço positivo às atitudes legais dela. Mas, quando não damos, ela sempre dá um jeito de roubar”, entrega Nathalia. Como a veterinária proibiu os bifinhos industrializados, a dona decidiu fazer os próprios petiscos: frango desfiado e tiras de frango desidratados. “Começamos a chamar de Filé Miau, referindo-nos aos churrasquinhos de rua que diziam ser de gato.” O sucesso dos filés de Laika foram tamanho que Nathália, agora, aceita encomendas.


Também foi cozinhando para o próprio cachorro, o buldogue campeiro Bob, que a designer Andréia Monteiro acabou se tornando uma verdadeira chef de cuisine pet. No cardápio da Pet Deli, empresa de marmitinhas gourmet, ela oferece quitutes, como cupcake de cenoura com mel silvestre, produzido sem lactose; minibrownies de fígado com chia, pipoquinha crocante de moela de frango, pãozinho de inhame com peito de frango e cenoura, e biscoito de ricota recheado com farinha de amora, entre outras iguarias. Tudo feito sem corantes, conservantes, sal e açúcar.


Laika, adotada por Nathalia Sifuentes, sofria de colite: refeições feitas em casa, orientadas por veterinário, resolveram o problema (Yuri Menck/Divulgação)
Laika, adotada por Nathalia Sifuentes,
sofria de colite: refeições feitas em casa,
orientadas por veterinário, resolveram
o problema
Andréia explica que nenhum ingrediente é por acaso. Para desenvolver as receitas, ela fez uma extensa pesquisa sobre alimentação natural para animais e descobriu as combinações mais funcionais. “Foram dois anos lendo muito sobre o assunto. Na Europa, nos Estados Unidos e na Austrália, esse tipo de alimentação é comum desde o fim da década de 1980. Essa é uma forma de respeitar a fisiologia do animal”, explica Andréia, que também consultou uma veterinária nutricionista antes de adotar a nova dieta de Bob, que até hoje é “cobaia” dos quitutes. O amor pelas comidinhas gourmet naturais para pets foi tanto que ela largou a carreira de designer para se dedicar apenas à empresa. Antes mesmo que o buldogue experimente novas receitas, elas passam pelo controle de qualidade de Andréia. “Provo tudo e, se não acho gostoso, não faço. Cada petisco tem um benefício funcional agregado, mas também tem de ser bom para o paladar. Os petiscos industrializados são horrorosos”, observa.


A empresária Thais Souza faz até sorvete natural para os cachorros. Em 2009, no primeiro aniversário do schnauzer Theo, ela procurou alimentos saudáveis nas pet shops da cidade, mas não encontrou nada nesse perfil. “Então comecei a buscar alternativas mais saudáveis, com menos sódio e conservantes, por exemplo”, conta. Dois anos depois, ela passou a fazer pesquisas com veterinários e, com a chegada de Leo, adotado em 2012, Thais adotou de vez as refeições e petiscos naturais. O cachorrinho era vítima de maus-tratos e chegou à casa da empresária com diversos problemas de saúde. Em vez de remédios, Leo foi medicado com nutrição.


Cuca e Lola, cadelas da veterinária Sonali Rebelo: totalmente adeptas da alimentação natural (Sonali Rabelo/Arquivo Pessoal)
Cuca e Lola, cadelas da veterinária Sonali Rebelo: totalmente adeptas da alimentação natural
“Uso produtos integrais e orgânicos. Não têm conservante e são os alimentos mesmo — carne é carne, não é caldo. Manga é manga de verdade”, conta. “Os petiscos industrializados não agregam nada à saúde do cão. A longo prazo, podem dar problemas, como diabetes, aumento de colesterol, doenças no fígado e rins. É o mesmo raciocínio de comer fast-food todo dia”, compara Thais, que também faz quitutes especiais para animais alérgicos. No cardápio da Theo&Leo, há biscoitos de aveia, carne e manga, cupcake de fígado e pepino e fígado desidratado, entre outros.


Os petiscos foram aprovados pelo chow chow Gyro, de 7 anos. Apesar de o pet não ter problemas de saúde, há um mês, Thassia Delphino de Lima e Juliano Ferreira da Silva adotaram o quitute de fígado desidratado para os momentos de agradinho ao cão. “Quando eu chego com o pacotinho, ele fica doido”, diz Thassia, que costuma oferecer um pedaço do petisco por dia. “Antes, a gente dava o bifinho de frango vendido em pet shop, mas agora ele come só esse de fígado”, conta.

 

 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017