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Capital multimarcas

Seguindo a tendência mundial de lojas apresentarem grande variedade de produtos em determinados segmentos, Brasília não para de receber endereços com etiquetas conhecidas no exterior

Jéssica Germano - Redação Publicação:28/10/2014 12:00Atualização:28/10/2014 14:07

Já não deixa mais 
a desejar: a capital 
brasileira tem opções 
de boas compras 
para quem costuma encomendar produtos 
de amigos que viajam 
para fora do país (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
Já não deixa mais a desejar: a capital brasileira tem opções de boas compras para quem costuma encomendar produtos de amigos que viajam para fora do país
Nas prateleiras, os itens coloridos, acompanhados de títulos na maioria das vezes estrangeiros, aglomeram-se um após o outro. De delineadores com pigmentação exclusiva a bolsas recém-chegadas da Europa, Brasília, que até pouco tempo ficava atrás das tendências absorvidas por Rio de Janeiro e São Paulo, firma-se como polo de comércio para produtos internacionais. Para encontrar uma base da Dior ou os vestidos italianos de Roberto Cavalli, a capital ganhou a confiança de fortes investidores e não para de ganhar vitrines com sotaque gringo. Os conhecidos agradecem: pode estar perto o fim da temporada de viagens com encomendas.


A diretora comercial da rede Lord em Brasília, Adriana Ricci, e seu sócio, Ennius Muniz: 
exemplos de negócio bem sucedido de multimarcas na capital brasileira (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
A diretora comercial da rede Lord
em Brasília, Adriana Ricci, e seu
sócio, Ennius Muniz: exemplos de
negócio bem sucedido de multimarcas
na capital brasileira
A notícia de um endereço apresentar variadas marcas em seus mostruários não é exatamente novidade no cerrado – a exemplo de algumas bem consolidadas grifes brasilienses. Mas especialmente do final do ano passado para cá, diversas lojas internacionais, famosas por apresentarem diferentes etiquetas, aterrissaram no planalto.


Conhecida por sua atuação como maior rede de beleza do mundo, a francesa Sephora abriu em novembro, no Shopping Iguatemi, o sétimo ponto no país, embasada em uma positiva pesquisa de mercado da cidade. “A mulher brasiliense é extremamente vaidosa, e havia uma carência nesse segmento do mercado no Distrito Federal”, conta a diretora geral da marca no Brasil, Flávia Bittencourt, depois de quase um ano de funcionamento da loja por aqui.


Hoje, com cerca de sete mil produtos, oriundos de mais de 100 marcas, expostos em suas gôndolas, a Sephora é um dos referenciais mais próximos ao comércio de cosmético e luxo que as brasileiras encontram facilmente em Nova York ou Paris. E a abertura crescente da fatia de importações, além de mostrar a força que o mercado brasiliense tem ganhado, fala alto sobre o acesso a itens habituais de listas de desejo. “Nosso público não precisa mais esperar viagens internacionais para conhecer os lançamentos ou renovar o estoque de produtos preferidos. Ele pode sair da loja com tudo em mãos”, pontua Flávia.


Conquista da marca: a estudante Maria Fernandes Nonino gosta de poder testar maquiagens na loja The Beauty Box (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
Conquista da marca: a estudante
Maria Fernandes Nonino gosta de
poder testar maquiagens na loja
The Beauty Box
“Por que comprar lá fora, se ele pode ter aqui?”, indaga Fabiana Ortiga sobre o questionamento que já parece comum aos clientes brasilienses. À frente da grife de roupas e acessórios que leva seu sobrenome e acaba de completar 20 anos na capital, a empresária mostra propriedade ao descrever o perfil que vem impulsionando o mercado de multimarcas. “As pessoas hoje têm muita informação. São clientes que viajam, conhecem essas grifes, e sabemos das necessidades deles”, comenta. Com cinco marcas internacionais e outras nacionais de destaque no portfólio, a loja, localizada na 309 Norte, segue a tendência que vem aquecendo o comércio de varejo na cidade. “O Brasil tem hoje vários escritórios que representam essas marcas”, conta, explicando como se dão os contratos entre empresários e players do ramo.


A boa aceitação desse tipo de negócio tem a ver principalmente com facilidade e conforto, segundo Fabiana. Se antes os brasilienses precisavam viajar ou esperar a troca de uma coleção para ter determinada peça, hoje as parcerias com escritórios representantes no país permitem que produtos cheguem ao Brasil na mesma temporada em que são lançados no circuito da moda. É o caso das novidades das marcas Class e Just Cavalli, que chegam à Ortiga neste mês, simultaneamente com as lojas da Europa. Já o custo-benefício aparece em diferentes formatos. Mesmo o Brasil sendo mundialmente famoso pelos altos impostos no quesito importação, a sócia-proprietária da multimarca brasiliense lembra que ainda assim é possível equilibrar a balança comprando aqui. “Lá fora paga-se mais barato, mas à vista”, pondera. “Aqui o cliente ainda pode parcelar em três, quatro vezes”, exemplifica.


'Por que comprar lá fora, se pode ter aqui?', instiga Fabiana Ortiga, sobre produtos de marcas internacionais que brasilienses encontram na sua loja  (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
"Por que comprar lá fora, se pode ter aqui?", instiga Fabiana Ortiga, sobre produtos de marcas internacionais que brasilienses encontram na sua loja
Foi o bom poder aquisitivo do brasiliense que impulsionou também a vinda da The Beauty Box para a cidade. Filha mais nova do grupo O Boticário, a loja chegou apostando no bom retorno do consumidor local. E se surpreendeu. “A venda está acima das expectativas”, conta o diretor de marketing e vendas, Breno Salek, pouco mais de dois meses após a abertura da loja no Conjunto Nacional. Com o conceito de apresentar as principais tendências, de maquiagem a cabelo, aliado a uma linguagem jovem, a empresa apostou no conceito high low, já difundido na moda. “É misturar marcas seletivas, como Calvin Klein, Dior, Carolina Herrera, com marcas novas no Brasil, como a The Balm, a Teazer, com marcas nacionais, que são acessíveis, como a Granado, a Febo e a quem disse berenice?”, explica.


Foi esse mix que atraiu Maria Fernandes Nonino, de 13 anos, até o endereço físico da loja, que funciona amplamente também com e-commerce. “Eu gostei dos esmaltes e das marcas que geralmente não existem no Brasil, como a Revlon”. Apaixonada por maquiagem e esmaltes, a estudante rapidamente faz um comparativo que pesa muito para quem consome esse tipo de produto. “E é bom porque as linhas que geralmente são vendidas nas farmácias nós não podemos testar. Aqui pode.”


Sem espera: lançamentos de produtos de grifes famosas chegam aos consumidores brasilienses pela loja Sephora (Vinícius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
Sem espera: lançamentos de produtos de grifes famosas chegam aos consumidores brasilienses pela loja Sephora
Já com negociações para abertura de novos endereços na cidade, os mais de quatro mil produtos da The Beauty, divididos em 100 marcas e 10 categorias (entre elas perfumaria, corpo e banho, acessórios e produtos masculinos) devem ampliar o contato do brasiliense com itens estrangeiros. “Oitenta por cento do mix é de marcas importadas”, cita Salek, dimensionando a frente em que atuam. “Vinte por cento são de marcas locais, nacionais”.


Para os representantes do setor, essa movimentação envolve bons indicadores. “São empresas que estão nos Estados Unidos, também em São Paulo, no Rio, e estão vindo para cá”, pontua o presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal, Edson de Castro. “Isso é muito bom porque dá maior visibilidade, não só a Brasília, como também ao comércio local.” Ele cita ainda uma das principais características da região, que faz da capital federal um alvo bastante favorável para a vinda de marcas conhecidas. “É a maior renda do país, e tem a indústria do funcionalismo público”, completa. “Isso traz um movimento financeiro muito grande.”


Há 50 anos no mercado, a Lord é possivelmente o exemplo mais bem sucedido de negócio multimarca por aqui.  Com 12 lojas e 300 marcas distribuídas em perfumaria e beleza, a empresa é a que mais vende itens de maquiagem Givenchy e produtos Chanel no país. “A resposta de Brasília é muito boa”, conta a diretora comercial da rede, Adriana Ricci, ao lado do sócio, Ennius Muniz, mencionando as vantagens que isso traz nas parcerias com as marcas e seus representantes. Segundo ela, eventos com profissionais de destaque e até melhores preços são possíveis por causa do feedback dado pelo serviço prestado e, mais à frente, pela tradição que a empresa cria na praça. Veja acima produtos que se destacam no mercado da cidade por conta dessa relação.

 

 

Yes, we can
Após chegar a Rio e São Paulo no ano passado, a americana - e queridinha das jovens - Forever 21 sentiu o termômetro e aproveitou a mesma onda que embalou a vinda de outras grandes outras lojas para o Centro-Oeste. O resultado foi a inauguração da filial brasiliense no último dia 18. 'O consumidor brasileiro é um que ama comprar e estar no topo das últimas tendências de marca e moda', conta Linda Chang, gerente de marketing da marca, conhecida por seus preços baixos para roupas e acessórios. Segundo ela, foi o sucesso das primeiras lojas na América Latina, e a constante demanda dos consumidores brasileiros, que fez com que a marca decidisse entrar no país. A loja de Brasília, no Park Shopping, é a mais recente das cinco abertas no nosso território. 'Nós escolhemos localizações que representam a marca', conta. Segundo ela, o foco da Forever 21 é disponibilizar uma moda 'empolgante', com variedade de produtos. 'Brasília vai aderir a esses princípios', aposta.
Yes, we can

Após chegar a Rio e São Paulo no ano passado, a americana - e queridinha das jovens - Forever 21 sentiu o termômetro e aproveitou a mesma onda que embalou a vinda de outras grandes outras lojas para o Centro-Oeste. O resultado foi a inauguração da filial brasiliense no último dia 18. "O consumidor brasileiro é um que ama comprar e estar no topo das últimas tendências de marca e moda", conta Linda Chang, gerente de marketing da marca, conhecida por seus preços baixos para roupas e acessórios. Segundo ela, foi o sucesso das primeiras lojas na América Latina, e a constante demanda dos consumidores brasileiros, que fez com que a marca decidisse entrar no país. A loja de Brasília, no Park Shopping, é a mais recente das cinco abertas no nosso território. "Nós escolhemos localizações que representam a marca", conta. Segundo ela, o foco da Forever 21 é disponibilizar uma moda "empolgante", com variedade de produtos. "Brasília vai aderir a esses princípios", aposta.
 

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017