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Estilo global

Mulher do ator Juliano Cazarré, a bióloga Letícia largou o emprego público e saiu de Brasília para virar stylist de atrizes no Rio de Janeiro

Olívia Meireles - Redação Publicação:30/10/2014 12:00Atualização:30/10/2014 14:07

Letícia Cazarré 
e sua capacidade 
de se reinventar, 
da biologia para 
a moda: 'Eu era 
feliz no meio do 
mato, mal ligava 
para o que vestia. 
Mas a maternidade 
não combinava 
com aquele 
estilo de vida' (Miguel Sá/Divulgação)
Letícia Cazarré e sua capacidade de se
reinventar, da biologia para a moda: "Eu era
feliz no meio do mato, mal ligava para o que
vestia. Mas a maternidade não combinava
com aquele estilo de vida"
Letícia Cazarré tem o dom de se reinventar. Cinco anos atrás, a brasiliense trabalhava como bióloga de campo e morava no meio da mata atlântica. Usava como uniforme uma calça antiga roubada do pai, uma bota grande e camisetas camufladas do exército. Hoje, a realidade em que vive é totalmente diferente: Letícia tornou-se figurinha carimbada de colunas sociais, blogs de fashionistas e sites de celebridades exibindo roupas superestilosas. Desde que saiu de Brasília e se mudou para o Rio de Janeiro, há um ano e meio, tornou-se stylist de algumas atrizes da Globo. Ela quem escolhe, por exemplo, as roupas e os acessórios que Fernanda Machado, Fabíula Nascimento e Juliana Knust vão usar em eventos.


A responsabilidade pela transformação da vida de Letícia tem nome e sobrenome: Inácio, Vicente e Juliano Cazarré. Respectivamente, os dois filhos e o marido de Letícia. "Eu era feliz no meio do mato, satisfeita no trabalho e mal ligava para o que vestia. Mas a maternidade não combinava com aquele estilo de vida", avalia. A transformação de bióloga para consultora de moda foi à base de estudo. Por três meses, em 2012, frequentou aulas no Fashion Institute of Technology (FIT), em Nova York, uma das principais faculdades de moda do mundo. Em julho, completou o curso na Nuova Accademia di Belle Arti Milano, em Milão, na Itália. Os diplomas juntaram-se ao, agora obsoleto, mestrado em biologia.


A busca por uma carreira na moda começou no momento em que largou o emprego de campo na Bahia – também havia passado um ano na Amazônia. Letícia foi prestar concurso. Passou primeiro para a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) e depois assumiu um cargo na Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). A carreira pública não era o sonho ideal, mas pelo menos estava perto da família. A calça velha e as botas foram aposentadas. Começou a fazer as pazes com a vaidade, ler revistas de moda e resgatar a curiosidade de adolescente sobre roupas.


Mais uma vez, entretanto, o destino lhe pregou uma peça. Juliano Cazarré se destacou na Globo. Rapidamente virou galã das novelas da emissora. "Não dava mais para ficar na ponte áerea entre Rio de Janeiro e Brasília. Investimos na carreira dele", revela. Por isso, ela mudou-se com os filhos para a capital fluminense. Ela largou o emprego público e apostou na nova profissão. A ideia era transformar o guarda-roupa de amigos e conseguir trabalhos pelo boca a boca. Com a mudança para o Rio, os colegas de cena do marido passaram a frequentar a casa do casal e, assim, os atores globais viraram clientes de Letícia.


Fabíula Nascimento e Juliano Cazarré são amigos há muitos anos. Mas ela só conheceu Letícia quando o casal se mudou para o Rio de Janeiro. A stylist ainda dava os primeiros passos na moda. “Já no primeiro look que vi, pensei: ‘Me veste, Letícia!’”, conta. Há um ano, Letícia veste a atriz para eventos oficiais, como a festa de lançamento da novela Boogie Oogie. “Letícia é antenada, cheia de referências. Confio no trabalho dela”, revela. A relação se transformou em amizade. “Mesmo quando eu estou colocando uma roupa para sair com amigos, mando um whatsapp e ela me ajuda a hora que for”, conclui.


O mercado de stylist de artistas no Brasil é pequeno. Poucos nomes destacam-se. Entre eles, Yan Acioly (Sabrina Sato), Renato Thomaz (Cláudia Leitte), Rodrigo Grünfeld (Fernanda Lima) e a dupla Juliano Pessoa e Zuel Ferreira (Bruna Marquezine). "As atrizes ainda não sabem como funciona a profissão de consultor de moda. Um dos meus papéis é explicar. Quando elas entendem, passam a indicar para as amigas." O diferencial de Letícia é a associação com marcas novas, principalmente as mineiras. Mas ela tenta fugir do óbvio, como as pedrarias de Patrícia Bonaldi, e dar evidencia para nomes menos conhecidos, como a Kalandra. Entre os brasilienses, destaca a grife Tutuia.


No portfólio de Letícia, o maior cliente é o próprio marido, Juliano, que foi sua cobaia. Aos poucos, ela está se associando a jovens destaques, como a brasiliense Mariana Nunes, no ar com o seriado Dupla Identidade; a capa da Playboy de agosto, Jéssika Alves, e Juliana Schalch, no ar na série da HBO O Negócio. Letícia finalmente se aquietou? "Ainda não é isso que quero para a minha vida. Estou estudando e mirando para produzir fotos conceituais em revistas e fazer trabalho comerciais com marcas. Há sempre espaço para se renovar."

 

Com o marido, Juliano Cazarré, Letícia mudou-se para o Rio: largou 
o cargo de servidora pública em Brasília e 
virou consultora 
de moda de atrizes (Jack Vartanian/Divulgação)
Com o marido, Juliano Cazarré, Letícia mudou-se para o Rio: largou o cargo de servidora pública em Brasília e virou consultora de moda de atrizes
 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017