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Artigo | Márcio Cotrim »

Ver para crer

Márcio Cotrim - Redação Publicação:19/11/2014 15:37Atualização:19/11/2014 15:39

 (Jailson)
Tudo já foi dito, chorado e soluçado sobre a violência no trânsito. E muito tem sido marcado, retratado em passeatas que, se nada resolvem de concreto, pelo menos servem para conscientizar as pessoas. Só que elas já estão mais que conscientizadas sobre o assunto. Estão, isto sim, é exaustas de verem assassinos do volante zanzando por aí com habeas corpus no bolso.


Passadas as tragédias, o tempo conduz ao lento esquecimento e os criminosos permanecem soltinhos da silva. É por isso que se diz, com razão, que no Brasil o crime compensa.


Todo santo dia entram em circulação mais de trezentos novos veículos. Na verdade, Brasília estimula a velocidade. Mais que um mero autorama, parece um grande autódromo. Pior que isso, as fábricas produzem automóveis que chegam a 220 Km/h.

 

Outro gravíssimo problema é o álcool. Você vem rodando tranquilamente. De repente, dá de cara com um capô alheio e logo se sabe que a culpa foi de um irresponsável bem bebido que acaba com sua vida e de sua família.


Nesse desumano contexto, eis uma solução construtiva. O Detran poderia firmar convênio com o Hospital Sarah e levar até lá todos aqueles que estão fazendo exame para motorista ou renovando a carteira. A visita, obrigatória, seria um dos itens da prova. Em poucos minutos o candidato conhecerá de perto, ao vivo e a cores, o quadro traumático dos que ali se recuperam de acidentes de trânsito.
Poderia ser também em outros hospitais, mas o Sarah é uma instituição modelar, um exemplo para o Brasil e para o mundo dirigido pela competência e abnegação do dr. Campos da Paz e da drª Lúcia Willadino Braga.


Não se trata de uma proposta, digamos, aterrorizadora, mas de cunho profundamente didático e humano. É fundamental que o candidato a uma carteira de motorista, além de conhecer os fundamentos mecânicos da direção de um veículo, tenha plena noção de sua responsabilidade com terceiros.
Vai alarmar? Vai assustar ver os amputados, os tetraplégicos pelos corredores e pelas enfermarias? Claro que sim, mas essas imagens, tão tristes, ficarão gravadas nas lembranças e virão à mente do motorista na hora da imprudência. Quem viver verá...


“Nestes dias de tráfego intenso e louco, só existem duas categorias de pedestres: os ligeiros e os mortos”. (Lord Dewar)

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017