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Moda | Comportamento »

Elas valorizam o seu estilo

Ter uma imagem marcante tornou-se indispensável para muitas pessoas. Com isso, surgiram as personal stylists. Conheça as mais requisitadas da cidade

Thaís Paranhos - Redação Kelly Almeida - Redação Publicação:24/11/2014 12:00Atualização:24/11/2014 13:44

As sócias Clariana Gonzaga 
e Clarice Dewes, consultoras 
de imagem, conheceram-se 
num evento de moda: contratadas por shopping para auxiliar 
as clientes em datas especiais (Vinícius Santa Rosa/Encontro/D.A Press)
As sócias Clariana Gonzaga e Clarice Dewes,
consultoras de imagem, conheceram-se num
evento de moda: contratadas por shopping
para auxiliar as clientes em datas especiais
Seguir a carreira de consultora de imagem não estava no plano delas, pelo menos não no início da vida profissional. Mas o talento para o trabalho surgiu naturalmente e, de repente, elas estavam dando dicas aqui e ali, para as mães, as irmãs e as amigas. O bom gosto sempre ditou a moda dentro de casa e até mesmo no trabalho. Daí veio a profissionalização. Clariana, Clarice, Daniela, Clarissa, Maria Cristina e Maria Thereza têm algo em comum e se tornaram referência no mercado de Brasília. Hoje, têm um público fiel de clientes que aprenderam um pouco mais sobre si mesmos e descobriram um estilo próprio.


A procura pelo serviço na capital federal ainda é cercada de certo preconceito, mas, aos poucos, essa realidade tem mudado. Graças ao trabalho das consultoras. Cada uma delas trilha seu próprio caminho em busca do reconhecimento. Clariana Gonzaga, de 32 anos, e Clarice Dewes, de 30, ambas nascidas em Brasília, trabalharam sozinhas até se encontrarem e formarem uma dupla e se tornarem parkblogger do ParkShopping. Clariana sempre gostou de moda, era reconhecida como a fashionista entre as amigas. A vida, porém, a empurrou para outro caminho. Formou-se em relações internacionais com pós-graduação em comércio exterior, mas nunca atuou na área.


Depois da faculdade, foi trabalhar com a irmã em uma clínica odontológica. Mas não se sentia realizada profissionalmente. Em 2009, decidiu criar um blog para compartilhar o talento com outras pessoas. “O blog deu muito certo e comecei a ter um retorno. No ano seguinte, meu pai estava se aposentando e disse que me apoiaria na busca pelo sonho. Fui apresentada ao Instituto Marangoni e me mudei para Paris, sempre tive o ideal de morar fora por um tempo”, conta. Ela largou o emprego no consultório e fez um curso de verão em consultoria de imagem. Daí, não parou mais. De volta ao Brasil, o blog rendeu alguns convites para fazer trabalhos com lojas famosas na cidade. Foi assim que Clariana e Clarice se conheceram, em um evento de moda.


Na adolescência, Clarice tinha uma ideia de trabalhar com moda, mas a falta de uma faculdade em Brasília fez com que a consultora deixasse de lado a ideia. “Tinha de me mudar para São Paulo ou para fora do país, mas meu pai não deixou porque eu era muito nova. Fui fazer direito e me apaixonei pela área”, lembra. Durante cinco anos atuando como advogada, Clarice nunca deixou de lado a moda. Tanto que, em seu meio, colegas pediam ajuda na hora de se vestir. “Até que um amigo me chamou e pediu para que eu orientasse a secretária dele. Foi um sucesso, e ele pediu para que eu fizesse o mesmo com todos os funcionários da loja”, diz.


Ela chegou a montar uma parceria com uma amiga consultora de recursos humanos. Para isso, foi a São Paulo aprender na teoria o que já fazia na prática. “Eu precisava me especializar, não podia passar para as clientes algo que eu não sabia. No primeiro dia de aula, tive a certeza de que queria fazer aquilo para o resto da vida. A sociedade não deu certo e eu continuei o trabalho sozinha. Foi aí que conheci a Clariana”, conta. As duas começaram a conversar e decidiram montar a dupla. Elas apresentaram um projeto ao ParkShopping e hoje fazem trabalho de consultoria para as clientes do shopping em datas comemorativas. Lá, já atenderam mais de 600 pessoas com a parceria, que nasceu em 2011.


Para elas, o trabalho das consultoras de imagem vai muito além da escolha de uma roupa impactante para uma festa. Passa por um processo de autoconhecimento da cliente, de percepção do que lhe cai bem e até de uma mudança de vida. É isso o que impulsiona as mais procuradas profissionais da capital federal a buscar sempre se aperfeiçoar e fazer cursos.


Longe de ser um trabalho supérfluo, Clariana e Clarice defendem que a consultoria é para qualquer pessoa, para quem quer se conhecer um pouco mais, saber o que lhe cai bem e, assim, até economizar tempo e dinheiro na hora de comprar roupas e de se arrumar. “Queremos passar que a mulher pode, falamos muito isso nas nossas aulas. Hoje, quem não tem uma depressão, uma síndrome do pânico, quem não tem medo do espelho? Queremos que a mulher se olhe e se sinta poderosa todos os dias. Trabalhamos muito com autoestima, não é só com o que está na moda”, garante Clariana. “Muitas clientes saem esperançosas, porque uma peça de roupa, uma modelagem que realmente cai bem pode levantar o astral e elas passam a acreditar mais nelas, saem transformadas ou com o primeiro passo para a transformação”, define Clarice.


Iguais no modo de pensar, as duas têm estilos bem diferentes, mas é isso que as complementa e até ajuda na hora de fazer uma consultoria, dependendo do perfil da cliente. “Sou a mulher contemporânea, que gosta de viajar o mundo e estar bem em qualquer situação. Adoro o que é moderno, gosto de tendência e de estar na moda”, define-se Clariana. “Sou mais clássica, dificilmente saio toda na tendência. Normalmente, só compro depois que me acostumo, não sou da novidade”, completa Clarice.


Depois de muitas compras e roupas esquecidas no armário por até cinco anos, a fisioterapeuta Adenise Borges, de 43 anos, decidiu recorrer às consultoras de moda. Foram horas de conversa até que decidiu ir ao shop-ping para as primeiras compras, há dois anos. Resultado: guarda-roupas completamente renovado. Aos poucos, as cores únicas deram espaço às estampas. Hoje, Adenise também não compra nada com babado ou renda, apesar de achar bonito. “Eu comprava porque eram peças bonitas, mas quando vestia não gostava. Aprendi que nem tudo que é bonito no manequim fica bom”, reconhece.


Adenise conta que também aprendeu a usar estampas. Mais do que isso: a misturá-las. A possibilidade, até então, era inaceitável. “Quando procurei o trabalho das consultoras, admiti que não sabia nada e queria aprender. No início, foi difícil aceitar estampa com estampa, mas elas foram me ensinando e hoje sou fã número um. Sei o que posso usar e jogar com cada peça. Aprendi a valorizar o meu corpo e não fico presa à moda ou a um estilo. Sei usar o que me faz bem”, comemora.


Agora, em vez de pequenas escolhas ao longo do ano, Adenise faz duas grandes compras, geralmente em fevereiro e em agosto, acompanhada das profissionais. “Tudo o que compro eu uso. Antes, eu saía, olhava com uma amiga e gostava, aí comprava. Quando chegava em casa, a peça ficava guardada. Eu chegava a comprar até quatro roupas para um evento e não usava nenhuma. Continuo com elas, mas já tenho segurança para ir à loja e escolher o que vai ficar bom em mim”, garante a fisioterapeuta.


Para Adenise, muito mais do que aprender a se vestir melhor e aproveitar todas as peças do guarda-roupa, a consultoria a tornou mais segura e confiante de si. “Minha autoestima melhorou muito. Tenho mais segurança para tudo. E as pessoas notaram e comentam minhas roupas. Perguntam onde comprei, como escolhi. Estou muito mais feliz com minha imagem e me sinto bem com o que vejo em mim.”

 

 

 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017