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Verão na sala de aula

Aproveitar as férias para estudar idiomas, artes, música e até balé já é prática comum entre os brasilienses. Adultos e crianças desenvolvem habilidades ou descobrem novos hobbies

Cecília Garcia - Redação Publicação:20/12/2014 16:00Atualização:19/12/2014 23:46

A professora de balé Flávia Tavares diz que o curso de verão não é voltado para 
a parte técnica 
da dança: o foco 
é no preparo físico (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A. Press)
A professora de balé Flávia Tavares diz que o curso de verão não é voltado para a parte técnica da dança: o foco é no preparo físico
Para alguns, férias são sinônimo de descanso. Para outras pessoas, o período significa uma oportunidade de sair da rotina e aprender coisas novas. E são elas que enchem as salas dos cursos e turmas especiais abertos especialmente em dezembro e janeiro. Cursos de línguas, dança, música e outros estudos, que podem despertar interesses, levar à descoberta de novos hobbies ou ao aperfeiçoamento de habilidades já existentes. A procura é tanta que a maioria dos estabelecimentos oferece esse modelo de aulas intensivas há anos. O que muda é a motivação de cada aluno.


O professor de pintura Elyoenai Moreira está pronto para receber 
as crianças nas férias: espaço também oferece aulas de circo e teatro  (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A. Press)
O professor de pintura Elyoenai Moreira está
pronto para receber as crianças nas férias:
espaço também oferece aulas de circo e
teatro


No Instituto Cervantes, na Asa Sul, a procura é maior por parte daqueles que não costumam ter tempo durante o ano para fazer os níveis regulares do idioma espanhol duas ou três vezes por semana. Um exemplo são os professores universitários, que aproveitam as férias letivas para se tornarem alunos. Mas não são só eles. “Alguns estudantes são servidores públicos, têm licença para estudos e costumam vir aqui aprender”, comenta Ana Isabel Reguillo Pelayo, coordenadora pedagógica da instituição.


A profissional explica que, apesar de intensivo, o programa de férias segue a mesma linha dos cursos regulares e há turmas para todos os níveis. A exceção fica por conta dos preparatórios para o exame que confere títulos oficiais de espanhol com reconhecimento internacional, os chamados Diplomas de Espanhol como Língua Estrangeira (DELE). Esses cursos só ocorrem pouco tempo antes das provas. Já as turmas de verão ocorrem de segunda a sexta, com opções em três turnos, cada um deles com três horas de duração. “São os mesmos professores, só o conteúdo que é mais concentrado. E há pessoas que fazem dois níveis no período”, comenta Ana.


O psicólogo Antônio Bento aproveita os cursos de férias para 
aperfeiçoar o es-panhol: atendimentos no idioma ex-pande a clientela (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A. Press)
O psicólogo Antônio Bento aproveita os
cursos de férias para aperfeiçoar o es-
panhol: atendimentos no idioma ex-
pande a clientela
Para Antônio Bento Miranda, a motivação foi outra. O psicólogo está em um dos níveis mais avançados de espanhol e mesmo assim sempre recorre aos cursos intensivos. Seu objetivo, conta, é se aprimorar constantemente. “Mais importante que passar de nível, é melhorar cada vez mais a minha comunicação. Essa é uma oportunidade de interagir e aprender um pouco mais”, conta. Tal disposição torna-se mais importante agora, pois neste ano o terapeuta começou a atender pacientes de língua hispânica, como argentinos e colombianos. Além disso, o psicólogo faz as consultas, inclusive de casais, em espanhol. Para ele, a boa comunicação com seus pacientes é fundamental.


Já as pessoas que costumam procurar o Instituto Cultural Ballet Brazil no verão são aquelas que nunca praticaram a dança ou que aprenderam as técnicas, mas há muito tempo não dançam. O curso intensivo do local, que ocorrerá em janeiro, será de segunda a sexta, com duração de uma hora e meia, com turmas voltadas para esses adultos. Serão duas classes divididas entre os que já fizeram balé antes e os que precisam treinar o básico. Geralmente, a procura é por mulheres a partir de 18 anos.


De acordo com a professora Flávia Tavares, o foco do intensivo é preparo físico. Eles treinarão postura, sustentação de perna. Este é um curso que serve como alternativa para quem busca manter-se em forma de maneira não muito convencional. Não haverá aulas com características técnicas do balé. “É mais um hobby para quem quer fazer exercício físico, mas não gosta de academia, das músicas de lá”, explica Flávia. Também participam alguns alunos dos cursos regulares que não querem ficar parados nesse período. Além disso, iniciantes que se matriculam no intensivo acabam pegando gosto e permanecem nas turmas oferecidas no restante do ano.


Para a garotada, o período das férias é de descanso, mas isso não significa que não possa ser aliado ao aprendizado de novas e artísticas habilidades. Na colônia de férias do Espaço Cultural Mapati, a diversão das crianças envolve aulas de teatro, circo e artes plásticas. “As outras aulas, mudamos de acordo com o tipo de aluno, se são mais agitados ou mais calmos”, explica o professor de pintura Elyoenai Moreira Borges. “Alguns pais não têm tempo de ficar com as crianças por causa do trabalho e alguns procuram a colônia por causa do lado artístico”, conta.


Para participar é preciso adquirir um pacote semanal, com aulas de segunda a sexta, escolhendo entre os períodos matutino, vespertino ou integral. As classes começaram em dezembro e vão até fevereiro. Toda sexta-feira, as crianças fazem apresentações de circo e teatro para os pais. Além da parte artística, a colônia promove ações de sustentabilidade, que geram descontos nos pacotes. Essas atitudes incentivam o uso de bicicletas como meio de transporte e contribuições, como doação de lixeiras para coleta seletiva, papel rascunho, brinquedos usados e outros itens. “Isso é para incentivar a conscientização infantil”, conclui Elyoenai.


Uma possibilidade de unir jovens e adultos para estudar nas férias são as oficinas da BSB Musical do Sudoeste. Segundo o dono do local, Paulo Palau, para crianças a partir de 10 anos, em dezembro e janeiro, haverá oficinas de canto e violão. Os maiores de 13 anos ainda podem se inscrever nas oficinas de interpretação teatral em janeiro. No último mês do ano, serão cinco aulas intensivas com duas horas de duração cada uma, no período da tarde. Já no começo do ano, serão dez dias de aulas, de segunda a sexta, também no horário vespertino.


Não é a primeira vez que o estabelecimento oferece as classes no período das férias, que geralmente são de canto e violão. Este ano é a estreia da oficina de teatro. As aulas são voltadas para os iniciantes em cada uma das modalidades. A procura pelo intensivo é em parte por aqueles que não têm tempo durante o ano para os cursos regulares. “Mas tem também a procura por ocupação nas férias. Nesse caso, já pegamos até uma família de mãe e duas filhas”, conclui Paulo.

 

Ana Isabel Reguillo Pelayo, coorde-nadora pedagógica do Instituto 
Cer-vantes: intensivo de espanhol traz aulas com três horas de duração (Vinícius Santa Rosa/Encontro/D.A. Press)
Ana Isabel Reguillo Pelayo, coorde-
nadora pedagógica do Instituto Cer-
vantes: intensivo de espanhol traz
aulas com três horas de duração
 
Paulo Palau, dono da BSB Musical, no Sudoeste, diversificou a oferta neste período de férias: além de música, teatro (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A. Press)
Paulo Palau, dono da BSB Musical, no
Sudoeste, diversificou a oferta neste
período de férias: além de música,
teatro

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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017