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Gastrô | Crianças »

Brincadeira na cozinha

Pratos infantis são até fáceis de fazer. O desafio de chefs e nutricionistas é envolver os pequenos no preparo para que eles descubram o sabor dos ingredientes saudáveis

Dominique Lima - Redação Publicação:20/02/2015 18:12Atualização:25/02/2015 12:04

Evelyne Ofugi, com o filho Enzo: pratos gostosos e atraentes aos olhos infantis (Vinícius Santa Rosa/Encontro/D.A Press)
Evelyne Ofugi, com o filho Enzo: pratos gostosos e atraentes aos olhos infantis
A combinação de criança e cozinha não é apenas possível, é recomendável. Tomando-se os devidos cuidados com a segurança, a familiarização dos pequenos com o cotidiano das práticas culinárias ajuda a expandir o paladar, além de desenvolver habilidades motoras e de concentração. Por meio da manipulação de alimentos, as crianças se tornam mais conscientes do que comem e por que comem. Conseguem criar empatia por ingredientes antes considerados vilões. A atividade gastronômica pode ser ainda uma fonte importante de interação entre pais e filhos.


“A participação da criança no preparo da comida melhora sua conexão com o alimento e a valorização de cada etapa, desde a produção rural até a hora de cozinhar”, explica a engenheira agrônoma e chef Alessandra Brant, que está à frente do projeto Arca do Sabor. A ideia da instituição é oferecer cursos para crianças e pais com dicas de preparo equilibrado e prático de alimentos. As atividades são planejadas para serem divertidas e envolverem as crianças.


Para Alessandra, os meninos e as meninas se beneficiam não apenas da integração na cozinha, mas também de passeios a feiras e mercados, aprendendo assim sobre a origem dos alimentos. Mãe de dois filhos, ela se esforça para transmitir a eles o clima de descontração, prazer e aconchego na cozinha que herdou dos pais e avós. Foi também das experiências da infância que a proprietária da Bentô Kids, Evelyne Ofuji, encontrou a inspiração para o seu projeto. A ideia é oferecer opções lúdicas, práticas e saudáveis para crianças.


Formada em biologia, ela usou seu conhecimento e as lembranças dos bentôs que a mãe preparava para criar as imagens lúdicas em cada prato. Evelyne fez cursos sobre a arte de transformar pratos em imagens simpáticas aos olhos infantis e escolheu priorizar os ingredientes mais benéficos para a saúde. O grande incentivo para iniciar o projeto foi o nascimento do filho Enzo, hoje com 4 anos. Ao ficar grávida, começou a se preocupar tanto com o que iria oferecer ao filho quanto com as maneiras que usaria para incentivar uma boa alimentação. Hoje, ele participa ativamente da rotina da mãe, que sempre o convida, mas nunca o obriga a presenciar o preparo de suas refeições.


O mestre em ciência dos alimentos e coordenador do curso de nutrição do Centro Universitário Iesb, Murilo Pereira, também adere à prática de incentivar de maneira lúdica a alimentação de crianças, além de introduzir em receitas divertidas ingredientes importantes para o bem-estar delas. A filha dele, de 2 anos, é uma das fontes de inspiração. “Medidas simples, como chamar couve-flor de florzinha, brócolis de arvorezinha, já desperta o interesse”, conta. Uma adição interessante ao prato infantil, ele sugere, são os corantes naturais. Cada cor advinda de um alimento fresco traz um importante componente funcional, como o licopeno, presente em frutas e legumes vermelhos e um importante oxidante, ou a antocianina, encontrada em comidas roxas, que atua como proteção cardíaca. O incentivo por meio da visão, do tato e do olfato acaba sendo estratégia importante para as crianças se apaixonarem pelo potencial da gastronomia.

 

 

 

 

 

 

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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017