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Um novo Cine Brasília

Todo mês, Márcio Cotrim, diretor cultural da Fundação Assis Chateaubriand, apresenta uma sugestão de sua "Usina de Ideias"

Publicação:02/03/2015 11:11Atualização:02/03/2015 11:15
 (Ilustração: Jailson Belfort)
Lá está ele, no coração da Asa Sul. Depois de sucessivas reformas, continua verdadeiro filet mignon para gente que prefere Chaplin ou Fellini a rambos e quejandos, tanta estupidez nas telas de onde eclodem labaredas e carros em pandarecos.
O Cine Brasília inspira excelente nicho de mercado. Aposto que boa pesquisa confirmará a expectativa de um novo shopping cultural rico em opções. Eis a ideia.
Explorar em plenitude o espaço oferecido. Venha comigo, vamos dar uma volta em torno do prédio. Como é enorme aquela área! E ela está prontinha para receber um comércio com afinidade cultural, não lhe parece?
Na parte posterior do cinema pequenas livrarias, um bem abastecido sebo, galerias de arte, locadoras de filmes, butiques de discos e vídeo, um jornaleiro que venda e faça assinaturas de revistas nacionais e estrangeiras – e, por que não, um aconchegante bistrozinho para confidências ao pé do ouvido.
Uma sucessão de, digamos, doze lojinhas voltadas para um comércio sofisticado como esse, próprio para uma capital que se preze. Nada do alarido de lanchonetes lambuzadas de ketchups e cocas. Quem vai aparecer por lá não será gente bulhenta, e sim artistas que farão tranquilamente sua vernissage, noites de autógrafos e pequenos concertos para público maduro, apreciador não apenas da vida que passa, mas também do que ela tem de melhor.
Não é a edificação de uma torre de marfim frequentada por figuras desbotadas, de olhares vagos e que ficam falando a noite inteira do imponderável, do impenetrável, do inacessível. Em poucas palavras, um agradabilíssimo shopping cultural, refúgio para pessoas inconformadas com a indigência intelectual que nos assola. Numa palavra: um porto civilizado no meio do cerrado.
Depois de assistir a um bom filme, a calma escolha de um livro e uma passada na banca que vende o Nouvel Observateur. E, claro, uma sentadinha com os amigos no delicioso bar ao lado para degustar o melhor dos vinhos e um excelente brie – que alguns qualificam como o queijo que lembra o aroma dos pés de Deus...
As obras serão de custo relativamente baixo e sua exploração comercial, mediante concessão por prazo determinado, certamente dará lucro ao GDF.
Fica a sugestão aos que estão chegando, cheios de planos e de bom gás. A cidade vai vibrar e agradecer.
“Você vê as coisas que existem e pergunta: por quê? Eu sonho com as coisas que não existem e me pergunto: por que não?” (Bernard Shaw)
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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017