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CULTURA | ROTEIRO »

Uma blitz nos museus

O acesso à arte na capital federal melhorou, mas a falta de acervo permanente e relevante nos espaços culturais persiste. Encontro Brasília fez um tour pelos principais espaços para mostrar como está o funcionamento

Dominique Lima - Redação Publicação:24/06/2015 15:05Atualização:24/06/2015 16:09
Museu Nacional do Conjunto Cultural da República (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Museu Nacional do Conjunto Cultural da República

O estudante Sormani Vasconcelos é frequentador assíduo dos museus de arte de Brasília. Encontra variedade e boa estrutura no Museu Correios e na Caixa Cultural, apesar de o acesso durante a semana ser mais difícil para ele. Sormani também gosta muito do Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, mesmo sentindo que a construção prioriza a beleza em detrimento do espaço adequado para exposições. Acima de tudo, admira a efervescência da arte em Brasília. Os cariocas Filipi Dias, que é designer, e Yane Cabral, estudante, se encantaram com o Centro Cultural Banco do Brasil da capital federal. Os espaços amplos da área externa, com muito verde, quase ofuscam a dificuldade de acesso por conta da distância do centro. Sobre os museus brasilienses que puderam visitar – Filipi também conheceu o Museu Nacional –, alegam apenas sentirem falta de um local que tenha peças ícones, que chamem a atenção e que marquem a identidade da capital federal.

O designer Filipi Dias e a estudante Yane Cabral, no CCBB  de Brasília: local bate sucessivos recordes de visitação (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
O designer Filipi Dias e a estudante Yane Cabral, no CCBB
de Brasília: local bate sucessivos recordes de visitação

 

Achar pessoas as mais diversas em visita aos seis museus de arte de Brasília é tarefa fácil. São muitos os frequentadores. O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) pretende lançar em breve o resultado de pesquisa finalizada em abril deste ano, mas é possível ter ideia do volume de visitantes. É de Brasília um dos recordes mundiais de visitação do ano passado. O Centro Cultural Banco do Brasil daqui recebeu mais de 470 mil pessoas para a exposição Obsessão Infinita, de Yayoi Kusama, o 38º maior número do mundo em 2014. Se o feito não foi repetido em outras ocasiões, o alto fluxo é percebido por quem procura um dos museus nos dias finais de exposição. Longas filas, falta de estacionamento e lotação plena são comuns nesses períodos em qualquer um dos museus da cidade.

 

Além do CCBB, Brasília conta com o Museu Correios, o Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, a Caixa Cultural, o Museu da Cidade e o Espaço Cultural Marcantonio Vilaça. Estão todos listados como museus de artes plásticas em lista fornecida pelo Ibram. Além deles, há dois espaços que se encontram fechados atualmente. O Espaço Cultural Contemporâneo (Ecco), com previsão de rearbetura em dezembro deste ano, e o Museu de Arte de Brasília, que está fechado e sem previsão de abertura.

 

O resultado da grande frequência da população em museus é o aumento do nível de exigência, segundo explica a professora da Universidade de Brasília e historiadora de arte Elisa de Souza Martinez. Com cada vez maior acesso à arte, visitantes dos museus de Brasília formam critérios de avaliação baseados em tudo o que vivenciam, principalmente naquilo que é relevante à sua realidade. Eles querem a arte que desperte ainda mais a curiosidade afiada. Querem também encontrar a si mesmos. Pretendem ainda ser surpreendidos. E tudo isso sob condições excelentes de estrutura.

 

Centro Cultura Banco do Brasil (CCBB) (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Centro Cultura Banco do Brasil (CCBB)
No entanto, para Elisa Martinez, que é membro do conselho consultivo do patrimônio museológico do Ibram, o público deveria exigir ainda mais. Para ela, no caso específico das artes visuais, ficam muitas lacunas a serem preenchidas quando o público vê eventos que, isoladamente, não compõem um panorama minimamente abrangente. “Sem um museu com uma coleção que possa fornecer uma visão geral, como o Masp, em São Paulo, o público em Brasília perde uma parte da história, e vê o que lhe é oferecido com certo grau de ingenuidade”, diz. Se por um lado essa ingenuidade permite ver as obras de arte sem interpretações prontas ou preconcebidas, por outro perde-se a oportunidade de compreender o diálogo que as obras criam com a história da arte.

 

A falta de maior acervo permanente e relevante na cidade esbarra ainda no paradoxo da existência de obras de grande valor histórico e patrimonial instaladas em prédios públicos de acesso restrito. Tribunais, ministérios e Congresso, bem como prédios do governo distrital, têm acervo importante, mas que não pode ser visitado livremente por qualquer pessoa. Há algumas que podem ser apreciadas em visitas guiadas pelos locais. Outras, nem isso. Ficam em salas privadas e só são vistas por autoridades e funcionários. “Hoje, questiona-se o papel dos museus como detentores de uma leitura universal da arte, mas continua sendo inegável seu papel como lugar de confluência para os debates em torno do que denominamos ‘histórias da arte’”, ressalta Elisa Martinez.

 

Professoras Marcia Kotnick e Vanusa Freitas  (à direita), em visitação no Espaço Cultural Marcantonio Vilaça:museus também são espaço de educação (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Professoras Marcia Kotnick e Vanusa Freitas
(à direita), em visitação no Espaço Cultural
Marcantonio Vilaça:
museus também são espaço de educação
Esse papel dos museus como espaços propícios à discussão o fazem tão essenciais para uma cidade quanto escolas. Essa visão é compartilhada pelas professoras Márcia Kotnick e Vanusa Freitas, ambas do Centro de Ensino do Núcleo Bandeirante. Elas acreditam que o mais importante objetivo de programas educativos em museus deve ser o incentivo ao hábito de visitar o museu como opção de lazer. Segundo Márcia, o melhor meio para conquistar essa relação – que deve ser baseada na igualdade entre espaço cultural e frequentador – é saber ouvir o visitante, esse mesmo que é jovem e estudante. Em visita ao Espaço Cultural Marcantonio Vilaça, que fica no Tribunal de Contas da União, com um grupo de alunos, as duas professoras reconhecem o aumento na oferta de oportunidade de conhecer locais como aquele por meio de programas educativos.

 

“Mas ainda acho que poderia haver melhor divulgação de projetos como esse e também das opções de acesso aos museus”, diz Vanusa.
Um importante passo para a universalização do acesso e grande vantagem dos museus da cidade é a gratuidade. Todos os seis museus mencionados têm livre acesso às exposições, e o fato deve ser celebrado. A melhor forma de a população honrar o privilégio é mantendo a alta frequência aos locais. Em troca, espera-se que esses lugares mantenham o compromisso de fornecer espaços de expressão, reconhecimento e crescimento. “O papel do museu é tornar o que é exposto familiar, necessário”, diz a pesquisadora Elisa Martinez.

Espaço Cultural Marcantonio Vilaça (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Espaço Cultural Marcantonio Vilaça
 

 

Informações:

 

Museu Nacional do Conjunto Cultural da República

Endereço:  Setor Cultural Sul, lote 2, próximo à Rodoviária do Plano Piloto

Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 18h30

Telefones: (61) 3325-5220 e 3325-6410

Site: sc.df.gov.br

 

 

Caixa Cultural

Endereço: SBS Quadra 4, Lotes 3 e 4, Asa Sul

Horário de funcionamento: De terça a domingo, das 9h às 21h

Telefones: (61) 3206-9450 e (61) 3206-9449

Site: caixa.gov.br/caixacultural

 

 

 

Espaço Cultural Marcantonio Vilaça

Endereço:  Setor de Administração Federal Sul, Quadra 4, Lote 1, Térreo do edifício-sede.

Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 19h, e aos sábados, das 14h às 18h

Telefone: (61) 3316-5221

Site: tcu.gov.br/espacocultural

 

 

Centro Cultural Banco do Brasil

Endereço: SCES, Trecho 02, lote 22

Horário de funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h

Telefones: (61) 3108-7600 /

Agendamento do Programa Educativo: (61) 3108-7623/7624

 

Site: culturabancodobrasil.com.br 

 

Museu Correios

Endereço:  Setor Comercial Sul, Quadra 4, bloco A, nº 256

Horário de funcionamento:  de terça a sexta, das 10h às 19h. Sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h

Telefone: (61) 3213-5076

 

 

Museu da Cidade

Endereço:  Praça dos Três Poderes - Centro Cívico

Horário de funcionamento: De segunda a domingo, das 9h às 17h

Telefones:  3325-6163 e 3325-6244

Site: sc.df.gov.br

 

 

 

 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017