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Os casamenteiros

Brasília tem nomes que se destacam em apresentações musicais e garantem a alegria dos convidados nas celebrações de matrimônio

Jéssica Germano - Redação Publicação:14/09/2015 16:00Atualização:14/09/2015 16:11
Rogério Midlej tem 24 anos de carreira: 'Minha música sempre passou pela veia romântica' (Felipe Menezes/Divulgação)
Rogério Midlej tem 24 anos de carreira: "Minha música sempre passou pela veia romântica"
A quarta capital que mais casa no país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), parece não ter tempo ruim para comemorações, mesmo em meio à crise. Feitos alguns ajustes que podem ajudar a não extrapolar o orçamento do casório, determinadas escolhas aparecem como prioridade e não merecem economias. Experts do assunto garantem que a música faz parte do pilar fundamentada celebração e pode, sim, determinar o sucesso de uma festa. À frente de bandas com diferentes estilos, do jazz mais suave ao som animado da percussão, quatro cantores da cidade têm ganhado espaço no comando das principais trilhas sonoras de uniões em Brasília. Com agenda disputada e datas fechadas até o fim de 2016, a dica é se programar para não ter baixa no salão após o “sim”.

Segundo César Serra, cerimonialista que há mais de 30 anos atua no mercado de casamentos, alinhar a personalidade do casal com o repertório escolhido não é apenas recomendado. É fundamental. “A música, além de ter uma importância enorme na animação da festa, faz parte dos três pilares de uma comemoração”, explica. “A boa bebida, a boa comida e a boa música formam o tripé de um bom casamento.” Para isso acontecer, alguns requisitos costumam ser recomendados pelo staff do evento.

Para cerimônias religiosas em igrejas, por exemplo, a ordem é não fugir das músicas clássicas ou sacras, sempre ao vivo. Caso a união civil ocorra em outro espaço, como num salão de fes-tas, os noivos podem até optar por um toque de música popular, desde que não destoe do momento. Para a recep-ção, é de bom-tom algo mais tranquilo, segundo Serra. “Eu sempre falo para os noivos: pensem em uma música que você gostaria de jantar ouvindo”, sugere. Já durante a festa, a fórmula é apostar em uma casadinha. “Às vezes, um show, uma atração de fora, mas sempre acompanhada de um bom DJ, porque é ele quem faz a base e segura a festa”, destaca.
Banda Camafeu em cena: 90% da agenda são ocupados com casamento (Chá das Duas/Divulgação)
Banda Camafeu em cena: 90% da agenda são ocupados com casamento

“Minha música sempre passou pela veia romântica”, conta Rogério Midlej, fazendo um passeio no tempo pela carreira, que há 24 anos é marcada pelos casamentos. “Eu sou aquele cara que, se não estivesse cantando, estaria se emocionando, chorando, na cerimônia”, confessa, entregando o grau de envolvimento que tem com as uniões matrimoniais. Dono de uma empresa de consultoria musical, que realiza, entre outros projetos, interpretações com atores cantando e apresentações com orquestra, o músico é frequentemente escolhido para fazer cerimônias ao vivo e recepções de casamento. Com uma voz que acompanha bem os ritmos delicados, ele se destaca, especialmente, pelas interpretações de jazz, bossa nova e canções de MPB. “Os nossos arranjos são exclusivos”, explica. Não são raras as vezes em que a banda transforma músicas mais pops, como hits de Jason Mraz e Ed Sheeran, para serem executadas na ocasião. “A nossa função é tornar viável, e de bom gosto, aquilo que a pessoa está sonhando.”

A playlist, nesses casos, é sempre discutida com os donos da festa. “A minha intenção é personalizar aquela cerimônia”, enfatiza. “Então, eu alimento e instigo muito os noivos a pensarem em músicas de quando se conheceram, de algum momento especial, e de que os dois gostem”, cita o músico. Foi por essa característica de trabalhar bem com diferentes músicas, e prepará-las para celebrações de casais, que a empresária Maria Luiza Ferreira escolheu Midlej para se apresentar durante sua cerimônia de casamento. Agendada para outubro, no espaço Recanto das Águas, a união será embalada pela voz do músico, além de contar com pick-up e banda no momento da festa. “Eu o vi cantar no casamento de uma amiga no ano passado e fiquei muito encantada. Eu não tive nem muitas dúvidas para escolhê-lo”, lembra.

Já para a comemoração, a noiva deu um passo além. “Nós somos um casal muito animado, que gosta de ir a shows”, conta. O perfil deles justifica a procura pelo Camafeu, grupo liderado por Guga Santana. “Hoje, colocar uma banda, de um estilo que nós curtimos muito, é um ponto a mais em uma festa de casamento, além do DJ”, observa a empresária. Foi, então, por decisão dos noivos e também indicação do cerimonial, que ela procurou o conjunto reconhecido pelo ritmo de percussão e influência forte de axé music. “O Guga tem muita presença. As pessoas comentam muito isso. Ele já entendeu o momento do casamento, de animar a galera”, observa Maria Luiza. “Não é uma bandinha qualquer.”

 

É devido a essa boa recepção por parte dos noivos e fornecedores que Guga mantém 90% da sua agenda de shows ocupada por casamentos. “Tem união. É o amor que move mesmo”, acredita o cantor. Com estrutura de apresentação toda própria, o músico, que já tocou com bandas de baile como Squema Seis e Joy Band, oferece aos contratantes um espetáculo completo, com itens como palco, gerador e painel de LED. “A pessoa vai olhar e não vai ver só o Guga cantando e o Camafeu tocando”, promete. “Eu tenho um iluminador que sabe do meu repertório, sabe a hora que começa a música, que termina, quando eu vou cantar sozinho e a luz tem que vir só em mim”, descreve.

O contato com o casal costuma acontecer duas vezes antes da festa: uma para apresentar a proposta da banda e outra para fechar o contrato. Nesses encontros, Guga costuma reparar que a procura tem vindo, justamente, pela música baiana que apresenta. “Isso é um fator muito importante. Porque queremos fazer história nesse meio com isso, com o nosso som”, frisa. Ainda assim, clássicos de O Rappa, Paralamas do Sucesso e Zeca Baleiro costumam aparecer no repertório. “Se o pai estiver saindo do salão, eu mando um Gilberto Gil, e ele já olha para trás”, comenta. “Eu toco Caetano e ele para. É tudo Bahia”, considera. E, mesmo com o burburinho da crise, a música de casamento parece estar reagindo bem. “Até o fim do ano, graças a Deus, não tem mais sábado”, declara Guga. Para 2016, já estão marcados 32 casamentos e, em 2017, três.
Clique para ampliar (Raimundo Sampaio e Vinicius Santa Rosa/Encontro/D.A Press)
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Para Thiago Nascimento, a percepção sobre o mercado também é positiva. “Diariamente, eu recebo quatro, cinco e-mails pedindo orçamento”, conta. Ele explica que a entrada nesse meio veio de forma natural. “Eu já tinha banda, tocava muito em barzinho e em festas particulares, e as pessoas começaram a me convidar: ‘Toca no meu casamento?’.” Desde então, há dois anos e meio, o músico de 28 anos e 12 de profissão, ocupa quase 50% da agenda com festas matrimoniais. “Eu adoro tocar em casamento. É muito fácil: você chega e já está todo mundo esperando você para subir no palco. É animação certa.”
Bastante requisitado para festas de bodas, Thiago Nascimento adora: 'É animação na certa' (Vinicius de Melo/Divulgação)
Bastante requisitado para festas de bodas,
Thiago Nascimento adora: "É animação na certa"

Com um repertório voltado para a música da Bahia – raiz dele como cantor, que tem mãe baiana e cresceu nos carnavais de interior do estado –, Thiago conta que não trabalha com uma lista de canções fixa. O norte, segundo ele, é a pista de dança. “Nossa meta é fazer com que todo mundo pule e dance no casamento”, avisa. Para que isso aconteça, ele e a banda que o acompanha trabalham com um gráfico de folia. “Nosso repertório começa na escala

100 de animação, no meio vai a 80 e finaliza com 100”, explica.

 

 

A formação eclética de Alysson Takaki, por sua vez, deu a ele uma demanda personalizada. Depois de estudar canto erudito, atuar em musicais e se apresentar na noite, o músico começou a carreira profissional já pelos casamentos e carrega, desde ali, uma performance moldável aos sonhos dos noivos. “A noiva quer uma música que nunca foi feita em casamento, mas que ela ouviu e faz parte da história deles: nós aprendemos, tiramos a música, fazemos o arranjo e tocamos”, explica. Com esse tipo de serviço, o cantor, acompanhado de quatro músicos, é frequentemente contratado para tocar durante a própria união e para abrir a pista de dança, dando o pontapé inicial da comemoração. Nesse último momento, a variação de estilos é ainda mais latente. “Saímos do xote, passamos pelo reggae, rock e vamos até house”, elenca o músico.
Alysson Takaki no palco: formação eclética com canto erudito e atuação em musicais (Henrique Francois/Divulgação)
Alysson Takaki no palco: formação eclética
com canto erudito e atuação em musicais

Com uma experiência de 19 anos, Alysson comenta que a maioria dos casais já o procura pelo estilo que ele desenvolveu. “Por conta da internet, dos nossos vídeos, dos blogs que as noivas mantêm para trocar informações, a grande maioria já chega conhecendo o nosso trabalho.” Talvez por isso a responsabilidade de tocar nesses eventos seja ainda maior, graças à expectativa gerada. “Hoje em dia, todas as equipes de filmagem gravam o áudio que tocamos, então não existe espaço para erro. É uma emoção que envolve a família, os amigos e todos os convidados”, explica.

A música, nesses casos, entra também como estepe de toda a cerimônia. É possível prolongar a entrada da noiva ou suavizar um imprevisto. “É uma trilha sonora em tempo real.”
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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017