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Especial Educação| Revista Out. 2015 »

Educar para o mundo

Escolas internacionais proporcionam imersão em idiomas estrangeiros e oferecem métodos modernos de ensino, atraindo cada vez mais adeptos

Dominique Lima - Redação Publicação:29/10/2015 16:07Atualização:29/10/2015 16:51

Às sextas-feiras, alunos da Escola Suíça apresentam aos colegas e aos pais o que aprenderam ao longo da semana (Vinicius Santa Rosa/Encontro/D.A Press)
Às sextas-feiras, alunos da Escola Suíça apresentam aos colegas e aos pais o que aprenderam ao longo da semana
Nos corredores da Escola das Nações estão dispostos os trabalhos de arte dos estudantes dos ensinos fundamental e médio. Alguns reproduziram em papel-machê sapatos típicos da Sérvia. Outro grupo confeccionou uma série de bonecas da cultura do Azerbaijão. Para o Festival das Nações, evento anual da escola, cada turma ficou responsável por pesquisar e apresentar à comunidade escolar a cultura de um país. Enquanto isso, na Escola Americana de Brasília, os estudantes do ensino fundamental sentam-se em grupo e o assento, um banco dinâmico chamado Hokki, permite que a criança se mantenha em movimento mesmo quando sentada, o que auxilia os mais agitados a manter a atenção. Além da imersão em idiomas, a promoção da diversidade e o uso de metodologias inovadoras são pilares de escolas internacionais e bilíngues de Brasília. A proposta tem atraído muitos pais da cidade, ávidos por dar aos filhos chances de conquistar espaço não apenas dentro das fronteiras do Brasil, preparando-os para entender melhor o mundo ao seu redor em termos de linguagem e de diversidade cultural.

Marcelo e Ana Conforto escolheram a Escola das Nações para o filho Lucca: decisão tomada antes do menino nascer (Vinicius Santa Rosa/Encontro/D.A Press)
Marcelo e Ana Conforto escolheram a Escola das Nações para o filho Lucca: decisão tomada antes do menino nascer

Em resposta à procura, o número de escolas aumentou significativamente nos últimos 10 anos. São quatro novas desde 2007. Marcelo e Ana Cláudia Conforto escolheram matricular o filho, Lucca, de 12 anos, em escola bilíngue antes de ele nascer. O pai pesquisou sobre vários aspectos desse tipo de educação,  inclusive os benefícios para o desenvolvimento cerebral da criança. No colégio, Lucca aprende algumas  disciplinas – matemática, ciências exatas – em inglês  e outras - história do Brasil, geografia – em português, num currículo que  exigências do Ministério da Educação. Ao fim dos estudos, poderá  obter até três diplomas: certificado brasileiro de conclusão do ensino médio, diploma dos Estados Unidos de conclusão de High School e certificado AP Capstone, da instituição norte-americana Colege Board,   aceito como pré-requisito  para entrada   em diversas universidades do mundo.  O intuito é que ele tenha  a mesma facilidade de se inscrever em universidades brasileiras e internacionais. Segundo  a diretora executiva da instituição, Lisa Perskie, o uso de metodologia conhecida como dual language, em que o conteúdo escolar é ministrado em dois idiomas, muda a estrutura cerebral dos estudantes, afetando positivamente áreas diversas, inclusive a de tomada de decisões. Aluno do 7º ano da Escola das Nações, o estudante é um “experimento que deu certo”, brinca Marcelo. Além de demonstrar altas habilidades em algumas áreas, maturidade de linguagem e de opiniões, Lucca é uma criança consciente, responsável e sociável. “Ao chegar em casa, ele sabe o que tem de fazer, não é preciso cobrar”, conta o pai. Não apenas o ensino formal e o desenvolvimento cognitivo atraíram os pais de Lucca à Escola das Nações. A filosofia da instituição, baseada em princípios de aceitação das diferenças e formação de cidadania, também teve impacto importante na escolha.

Ao lado da mãe, Cristina Batista, Marcelo encontrou na Escola Americana método de ensino ideal: em outros colégios, ele não tin-ha o mesmo desempenho (Vinicius Santa Rosa/Encontro/D.A Press)
Ao lado da mãe, Cristina Batista, Marcelo
encontrou na Escola Americana método de
ensino ideal: em outros colégios, ele não tin-
ha o mesmo desempenho

A médica Cristina Andrada Batista, mãe de Marcelo, de 10 anos, e de Ricardo, de 7, teve dificuldades em encontrar a escola ideal para o filho mais velho. Uma criança agitada, ele passou por cinco diferentes colégios brasilienses em menos de seis anos. Todas apontaram Marcelo como um aluno problemático. Especialistas o diagnosticaram com diferentes condições, do transtorno de déficit de atenção ao autismo, e receitaram medicações diversas. Por indicação de colegas, Cristina decidiu, então, matricular o filho na Escola Americana de Brasília (EAB). Deu sorte e conseguiu uma vaga no 3º ano rapidamente. Em geral, há uma longa lista de espera, de meses ou anos até. Foi lá que Marcelo encontrou um professor que acreditou nele, conta Cristina. Sua conduta não era mais vista como impertinente. Dois meses depois de entrar na escola, a criança parou de tomar os remédios prescritos, porque não exibia mais os sintomas de antes. “O trabalho dos professores, que estimulam a responsabilidade nos estudos e o amor por aprender, fez toda a diferença para o cultivo de sua autoestima”, conta Cristina. A mãe agora aguarda a chance de matricular o filho mais novo na escola. Para Noela Xavier, diretora de admissões da EAB, além de oferecer ambiente de diversidade cultural – 45% dos alunos não são brasileiros –, a instituição tem por objetivo preparar o aluno como um todo. “Aqui a competência acadêmica tem o mesmo peso e importância de áreas como atividades sociais, produções artísticas, esportes, serviço comunitário e desenvolvimento de liderança”, explica.

 

Edson e Cristina Curto, pais de Camila, de 7 anos, aluna da Swiss International School (SIS), optaram pelo colégio por conta da metodologia de ensino. Eles acreditam na importância de aprender em profundidade um segundo idioma, porém, queriam, mais do que tudo, que a filha estivesse exposta a um ambiente escolar diverso do acadêmico conteudista. Na SIS, que segue metodologia suíça de ensino, os estudos são transdisciplinares, baseados na prática e no incentivo da independência. Não há provas até o 4º ano. As avaliações são feitas em sala de aula e durante a assembleia semanal, em que um grupo de alunos apresenta o que aprendeu ao resto da escola e aos pais, convidados a comparecer todas as sextas-feiras pela manhã.

Edson e Cristina Curto, pais de Camila, e Ana Carolina Gonçalves, mãe de Laura e Caio: para eles, a Swiss International School privilegia a diversidade (Vinicius Santa Rosa/Encontro/D.A Press)
Edson e Cristina Curto, pais de Camila, e Ana Carolina Gonçalves, mãe de Laura e Caio: para eles, a Swiss International School privilegia a diversidade

Os professores são outra vantagem da escola SIS, na opinião de Ana Carolina Diniz, mãe de Laura, de 7 anos, e Caio, de 4. Ela conta que os pais recebem o currículo detalhado de todos os professores dos filhos, sejam os brasileiros, que ensinam as disciplinas em português, sejam os estrangeiros, que ensinam em inglês. “A professora das matérias em português tem mestrado em ensino de filosofia para crianças. O preparo da equipe é muito bom”, diz. A valorização e o preparo do corpo docente na metodologia própria são também a base do ensino da Maple Bear, instituição canadense de ensino bilíngue. Segundo o diretor pedagógico da escola, Robert Gendron, o método tem por objetivo o incentivo ao aprendizado prático e contínuo, aquele que extrapola a sala de aula. O trabalho em equipe e a promoção da diversidade também são alicerces.

Oswaldo e Karin Gomide matricularam João Aloysio e Sofia na Maple Bear: enfoque em valores morais sem vínculo religioso (Vinicius Santa Rosa/Encontro/D.A Press)
Oswaldo e Karin Gomide matricularam João
Aloysio e Sofia na Maple Bear: enfoque em
valores morais sem vínculo religioso

Encontrar uma escola internacional com metodologia moderna, mas que não estivesse distante da realidade brasileira, era a prioridade de Oswaldo e Karin Gomide, pais de Sofia, de 8 anos, e João Aloysio, de 2. Eles descobriram a Maple Bear na sala de espera do pediatra, quando a filha mais velha tinha 2 anos. Ouviram a indicação de outra mãe. Entre as vantagens da escola, na opinião do casal, estão o incentivo à leitura e o enfoque em valores morais sem vínculo religioso. “Outro ponto forte da escola é a participação dos pais, que são convidados a ficar próximos da rotina escolar das crianças”, diz Karin.

 

O custo acima da média parece ser o maior impeditivo na hora de optar por uma escola internacional ou bilíngue. Por isso mesmo, e para explicar metodologias talvez pouco conhecidas por brasileiros, grande parte dessas instituições oferece palestras e encontros que expõem em detalhe tanto a proposta pedagógica quanto as justificativas para os valores das mensalidades, que ficam entre 2,5 mil e 4 mil reais.

 

Aqueles que optam por esse tipo de educação dizem que há bom custo-benefício. Edson Curto, pai de Camila, explica que o total gasto com a escola da filha acaba sendo muito parecido com o valor que gastariam num colégio particular tradicional brasileiro, se levado em consideração o que gastaria com atividades extracurriculares. Isso porque, numa escola que oferece o currículo em período integral, evitam-se os gastos com boa parte das refeições diárias e babá, no caso dos mais novos. Marcelo Moreira, pai de Lucca, lembra também que contratar professores estrangeiros aumenta o valor dessas escolas, que pagam em dólar os salários competitivos para o mercado internacional. “A mensalidade é alta, mas, na nossa análise, vale a pena”, avalia.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017