..
  • (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Gastrô|Serviço »

Feira moderna

Serviço de entrega de vegetais em domicílio é novidade em Brasília e conquista quem deseja alimentar-se com saúde e qualidade

Leilane Menezes - Colunista Publicação:29/10/2015 16:53Atualização:29/10/2015 17:55
Erica Yamassaki, dona da empresa Superfresco, que entrega vegetais na casa do cliente: 'A terra é assim, vive nos dando presentes o ano inteiro. Nós temos muito amor pela terra e por atender clientes' (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Erica Yamassaki, dona da empresa Superfresco, que entrega vegetais na casa do cliente: "A terra é assim, vive nos dando presentes o ano inteiro. Nós temos muito amor pela terra e por atender clientes"
Não faltam barreiras para dificultar a vida daqueles que procuram uma alimentação mais saudável. Falta tempo para ir ao mercado e ainda há pouca oferta variada de vegetais frescos – especialmente orgânicos – no comércio tradicional. O delivery de frutas, legumes, verduras e produtos com uma pegada mais natural surge aos poucos para eliminar distâncias entre o público e os produtores, além de trazer praticidade ao dia a dia. É possível fazer a feira da semana sem sair de casa, pelo telefone ou via internet.

Além da comodidade, quem escolhe esse modelo de compra privilegia empresas pequenas que se unem a produtores locais. Os itens que compõem as cestas de produtos são cultivados no Distrito Federal, com exceção de alguns biscoitos e castanhas. Uma das opções, a empresa Superfresco, é administrada por uma família que colhe parte dos vegetais fresquinhos na chácara onde vive, no Riacho Fundo. O cultivo é livre de agrotóxicos, mas alguns itens levam adubo químico. São acrescidos às op-ções produtos da Ceasa e também linhaça, castanhas e chia, por exemplo. O cliente pode escolher entre cestas prontas ou personalizadas. Recebe tudo na porta de casa, de segunda a sexta-feira. O transporte é feito em carro refrigerado, para regiões como Asa Sul, Asa Norte, Noroeste, Sudoeste, Àguas Claras e Park Way.

“Folhagens são nosso forte. Se oferecêssemos somente o que plantamos, não conseguiríamos manter o negócio, pois é um produto barato. Precisávamos aumentar a variedade para viabilizar o delivery, por isso selecionamos o que há de melhor na Ceasa também. Preparamos a mercadoria do jeito que nós gostaríamos de receber. Caprichamos e sempre mandamos algo a mais, que o cliente não esperava”, explica a proprietária, Érica Yamassaki. Um dos últimos brindes recebidos pelos clientes foram jabuticabas direto do quintal do Superfresco. “A terra é assim, vive nos dando presentes o ano inteiro. Nós temos muito amor pela terra e por atender os clientes, porque eles percebem isso”, diz Érica, que deixou um emprego público para investir em um sonho.
A cientista social Mirella Malta transfor-mou o gosto pessoal em negócio lucrativo: montou a Carota, que faz uma seleção de produtos saudáveis e entrega em casa (Vinicius Santa Rosa/Encontro/D.A Press)
A cientista social Mirella Malta transfor-
mou o gosto pessoal em negócio lucrativo:
montou a Carota, que faz uma seleção de
produtos saudáveis e entrega em casa

A história dessa empresa familiar começou com os pais de Érica, o casal Sakuma Yamassaki e Toshico, descendentes de japoneses. Eles chegaram a Brasília em 4 de Julho de 1974, instalando-se no Riacho Fundo. Sua primeira plantação foi de rabanetes, porque crescem rápido e poderiam gerar mais rapidamente algum dinheiro. Ali tiveram três filhos e duas netas. Em agosto, a Superfresco iniciou sua comercialização diretamente ao consumidor. A fazenda resiste à especulação imobiliária, pois é uma das últimas áreas rurais de agricultura familiar na comunidade. A maioria das chácaras transformou-se em loteamento residencial. “Criamos o site para escapar dos intermediários e poder continuar com nossa produção, para proteger a nossa terra”, afirma Érica.

A preferência por consumir comida sem veneno (ou com o mínimo possível de intervenção) foi o ponto de partida para a criação da Carota, que também entrega combos de produtos naturais em domicílio. A cientista social Mirella Malta procurou ajuda do Sebrae para transformar o gosto pessoal em negócio lucrativo. Estudou e montou a própria empresa. A Carota, que significa cenoura em italiano, só trabalha com alimento orgânico. “Sou a favor de uma alimentação sem agrotóxicos, sem fertilizantes sintéticos. Tinha dificuldade em encontrar todos os produtos no mesmo lugar. Há poucos itens espalhados em cada mercado. Perde-se muito tempo procurando”, explica Mirella. Ela compra de produtores locais certificados como orgânicos, em Brazlândia, Planaltina e cidades próximas. Vende também itens naturais como granola, pasta de amendoim, molho de tomate e calda de maracujá.

O comprador pode optar por uma opção fechada com cinco produtos, a seleção econômica, ou outros pacotes com 10, 15 ou 20 unidades personalizadas. Aceitam-se pedidos por WhatsApp, telefone e e-mail. “Acabamos conhecendo o gosto de cada cliente, sabemos quem é celíaco, quem tem intolerância à lactose, se gosta mais de laranja ou de outra fruta. Assim, vamos nos especializando em agradar”, diz Mirella. As entregas de vegetais ocorrem às quartas, quintas e sábados. Produtos industrializados podem ser pedidos todos os dias, em qualquer área do DF. É preciso consultar para saber taxas de entrega para cada região.
Paula Rodrigues e Thágrid Rocha, da Qualifi-ca Alimentos, criaram aplicativo premiado: o Horta na Porta começa a funcionar em dezembro (Divulgação)
Paula Rodrigues e Thágrid Rocha, da Qualifi-
ca Alimentos, criaram aplicativo premiado:
o Horta na Porta começa a funcionar em
dezembro

Para facilitar ainda mais esse processo, duas nutricionistas brasilienses criaram o aplicativo Horta na Porta, que vai disponibilizar produtos de agricultores do DF em uma única plataforma virtual, por meio da economia colaborativa. Thágrid Rocha e Paula Rodrigues, sócias da Qualifica Alimentos, sediada em Brasília, criaram modelo de negócios que ficou em primeiro lugar no maior evento mundial de startups, o Startup Weekend, realizado em diversas cidades do mundo e pela primeira vez em Londrina (PR), em agosto. “A ideia surgiu para suprir a demanda de clientes que desejam consumir frutas e verduras frescas e de qualidade, mas não têm tempo de ir a um supermercado ou feira para comprar”, diz Thágrid.

Grandes aplicativos de sucesso, como Easy Taxi, surgiram em uma Startup Weekend. As brasilienses concorreram com 60 ideias apresentadas e venceram por ter viabilizado totalmente o projeto. Elas tiveram de executar, com sucesso, todos os passos até a entrega na casa do cliente.

A equipe formada para a competição tinha ainda profissionais de marketing, biomedicina, professores, engenheiros da computação e desenvolvedores de sistemas. No aplicativo, o cliente poderá montar kits, a partir de dezembro, quando a ideia entrará no ar. Nessa fase final, as sócias se reúnem com produtores rurais e cooperativas para definir questões sobre o funcionamento, como a margem de lucro dos produtores. “Todos os produtos passarão por rígido controle de qualidade e haverá várias opções de alimentos orgânicos”, explica a nutricionista.
COMENTÁRIOS
Os comentários estão sob a responsabilidade do autor.

EDIÇÃO 58 | outubro de 2017