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ESPECIAL EDUCAÇÃO|Reforço »

Aprendizado independente

Método japonês criado nos anos 1950 incentiva o desenvolvimento individual. O resultado pode ser alcançado a longo prazo, mas permite ao aluno ganhar autonomia nos estudos

Publicação:20/11/2015 14:31Atualização:20/11/2015 14:07

Os irmãos Fernanda, de 8 anos, e Gustavo Wambier, de 5, são alunos do método Kumon: aulas vão além do conteúdo escolar (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Os irmãos Fernanda, de 8 anos, e Gustavo Wambier, de 5, são alunos do método Kumon: aulas vão além do conteúdo escolar
Uma preocupação comum aos pais impulsionou o surgimento de um dos métodos de ensino mais difundi- dos do mundo, o Kumon. Ao observar o desempenho do filho na escola, o professor de matemática Toru Kumon criou, em 1958, o método de estudo individualizado que incentiva o desenvolvimento de acordo com o ritmo de cada aluno e sem grandes interferências dos educado- res. Marcado pela autonomia nos estudos, o Kumon rompeu as barreiras japonesas e atualmente está presente em 48 países, com mais de 4 milhões de alunos. No Centro-Oeste, o Kumon conta com 70 unidades e 8,9 mil alunos – grande parte concentrada no Distrito Federal, que abriga 40 unidades e 5 mil alunos. “Os pais da nova geração estão investindo na educação dos filhos cada vez mais cedo: são pessoas que sentiram na pele a importância do preparo antecipado”, ressalta Cleiton Lopes, gerente regional do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Kumon.

 

A procura dos pais para crianças cada vez mais jovens levou a adaptações: o material de português e matemática direcionado a crianças entre 2 e 9 anos sofreu reformulações. Segundo Lopes, uma das particularidades dos pais brasilienses é matricular os filhos em mais de uma disciplina: “30% dos brasilienses que buscam o Kumon fazem mais de uma matéria, o que comprova a preocupação deles com a interdisciplinaridade”. De acordo com Cleiton, o curso de inglês será o próximo a passar por alterações para atender a esse público.

 

Para entrar no Kumon, todos os alunos passam por uma entrevista realizada pelo orientador da unidade, que apresenta o método e, desse modo, conhece melhor o aluno. “É um método de estudo longe de ser imediatista. É preciso saber que o resulta- do pode ser alcançado a longo prazo, ao contrário do reforço escolar. Nosso objetivo  é  embasar  conhecimento e dar o suporte suficiente para que os desafios apareçam e sejam resolvi- dos pela criança por conta própria”, pondera Cíntia Menezes, orientadora e fundadora da primeira unidade do Kumon em Brasília, inaugurada em 1991. Segundo a pioneira do Kumon na cidade, para que o método funcione, é preciso uma tríade formada pelo orientador, aluno e família. “'É como um verdadeiro tripé: o método não dá certo se um desses falhar”, ressalta.

Coordenador Regional do Kumon em Brasília, Cleiton Lopes: 'Os pais da nova geração investem na educação dos filhos cada vez mais cedo' (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Coordenador Regional do Kumon em Brasília, Cleiton Lopes: "Os pais da nova geração investem na educação dos filhos cada vez mais cedo"
 

Depois da entrevista, o aluno recebe um planejamento de estudos com a previsão da conclusão de cada estágio do material didático, período que pode variar de acordo com o ritmo de cada aluno. Acompanhar o estudo das crianças nunca foi um problema para a família Wambier. Apesar da vida cor- rida da carreira de médica, a mãe Tatiana sempre dedica um tempo para acompanhar o desenvolvimento dos filhos, Fernanda, de 8 anos, e Gustavo, de 5, no Kumon. O desempenho  da filha mais velha é impressionante: mesmo cursando o 4º ano do ensino fundamental, ela já concluiu os cursos de português e inglês, cujo conteúdo equivale ao lecionado nos três anos do ensino médio. Atualmente, ela se de- dica ao Kumon de matemática, onde está no estágio equivalente à 1ª série do ensino médio e estuda conceitos como álgebra e aritmética. “O que eu mais gosto no Kumon é que aprendo coisas que ainda não vi na escola e consigo fazer os exercícios mais rápido que antes”, ressalta Fernanda.

Pioneira do Kumon em Brasília, Cíntia Menezes: 'Nosso objetivo é embasar conhecimento e dar o suporte suficiente para que os desafios apareçam e sejam resolvidos pela criança por conta própria' (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Pioneira do Kumon em Brasília, Cíntia Menezes: "Nosso objetivo é embasar conhecimento e dar o suporte suficiente para que os desafios apareçam e sejam resolvidos pela criança por conta própria"

Antes de entrar no Kumon, os ir- mãos foram alfabetizados com o Doman – método norte-americano criado  em  1950  por  Glenn  Doman. Mesmo com a alfabetização precoce, a filha mais velha apresentava dificuldades de coordenação motora na hora de desenvolver  a escrita, o que   a fez procurar o Kumon. “Tinha a impressão de que o Kumon era voltado  a crianças que tinham dificuldades de aprendizagem, mas, depois que conversei com outros pais, vi que o método também pode ajudar crianças a desenvolverem seus potenciais”, afirma Tatiana, que acredita que a maior vantagem do Kumon é a melhora da qualidade de vida da rotina escolar.

 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017