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É dia de feira!

A preocupação com o bem-estar, o problema de mobilidade urbana e a busca por ingredientes frescos têm garantido o crescimento de feiras no Plano Piloto

Sara Campos - Publicação:01/12/2015 16:33Atualização:01/12/2015 18:21

O casal Gabriela Albuquerque e Igor Marmo, com o filho Sávio, costumam comprar produtos orgânicos na 315 norte: alimentos saudáveis no cardápio (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
O casal Gabriela Albuquerque e Igor Marmo, com o filho Sávio, costumam comprar produtos orgânicos na 315 norte: alimentos saudáveis no cardápio
O interesse do brasiliense por uma alimentação mais saudável tem gerado bons frutos. O fator nutricional aliado ao crescimento vertiginoso da cidade formam uma dupla que impulsionou a criação de feiras de hortifrútis em pontos cada vez mais acessíveis no Plano Piloto. Segundo estatísticas da Emater-DF, o Distrito Federal tem 160 mil consumidores de orgânicos, o que garante a produção de 6.900 toneladas ao ano e uma renda bruta de 30 milhões a toda a cadeia produtiva.

 

"O público de Brasília sempre foi muito exigente. O surgimento dessas feiras foi uma resposta à demanda de mercado e garante uma solução de mobilidade urbana, que tem sido um grande problema na cidade. Espaço é o que não falta para que essas feiras em Brasília se multipliquem em lugares como praças ou entrequadras", ressalta José Nilton Lacerda, responsável pela coordenação de feiras da Emater-DF, que contabiliza o envolvimento de 220 famílias na produção agrícola, que garante o abastecimento de 37 feiras espalhadas pelo traçado de Lucio Costa.

Apesar de alguns pontos de venda não serem formados exclusivamente por alimentos sem agrotóxicos, essas feiras valorizam a produção de orgânicos e agroecológicos. Entre os consumidores, é comum surgir a dúvida da diferença entre os dois tipos de produção. "A diferença entre essas duas categorias está na certificação do orgânico e em outro fator de produção. No caso da agroecológica, o terreno é utilizado para uma grande variedade de cultivos e nos orgânicos existe a possibilidade de o produtor trabalhar apenas com um tipo de fruto”, esclarece Lacerda.

 

Cada feira apresenta suas particularidades e oferece diferentes categorias de produtos, como hortaliças, frutas, produtos de origem animal, grãos e alimentos processados. O perfil desse tipo de feira, denominado circuito curto, é caracterizado pela proximidade entre os locais de venda e os de produção. Os pontos de venda têm chegado a diferentes locais da cidade, o que evita grandes deslocamentos do consumidor em busca de produtos frescos.

José Nilton, coordenador de feiras da Emater, diz que ainda tem muito espaço para a criação de feirinhas no DF: são 37 atualmente (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
José Nilton, coordenador de feiras da Emater, diz que ainda tem muito espaço para a criação de feirinhas no DF: são 37 atualmente

Essa tendência aumentou a qualidade de vida da servidora pública Te- reza Batista. Funcionária pública, ela aproveita para fazer a compra semanal de hortifrúti na nova feira, que ocorre todas as quintas-feiras no térreo do anexo IV do Palácio do Planalto. “Aproveito a hora do almoço para comprar. É uma praticidade no dia a dia para quem valoriza a origem do produto", destaca Tereza, que tinha o costume de fazer compras na Ceasa por muitos anos e agora evita o estresse do trânsito até lá.

 

Entre os produtores participantes da feira está Luciana de Oliveira, que iniciou a produção de orgânicos em março do ano passado. Cebola, manga, banana,  alho-poró,  milho,  alface, espinafre e salsão estão entre os mais de 20 itens que Luciana colhe semanalmente ao lado do marido no Núcleo Rural Tororó, em São Sebastião. Os produtos abastecem três feiras da cidade. Ela já chegou a vender para restaurantes, mas enxergou na venda direta uma oportunidade de crescimento.  Para alinhar esse tipo de comercialização, Luciana e o marido entraram no projeto de Organização de Controle Social (OCS), um termo de compromisso fiscalizado pelo Ministério da Agricultura  que garante a produção orgânica e a venda exclusiva aos consumidores. “O contato direto com o cliente ajuda a melhorar a minha produção. Alguns nos conheceram em feiras e ficaram tão interessados na produção que passaram a comprar diretamente na nossa chácara”, conta Luciana.

Rômulo Cabral leva produtos orgânicos para vender na feira do Lago Norte. 'É bom mostrar que nossa proposta não é só produzir alimento, mas produzir alimento melhorando tudo ano nosso redor' (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Rômulo Cabral leva produtos orgânicos para vender na feira do Lago Norte. "É bom mostrar que nossa proposta não é só produzir alimento, mas produzir alimento melhorando tudo ano nosso redor"

As idas às feiras ao lado do avô e dos irmãos durante as férias escolares no Rio de Janeiro fazem parte das lembranças de infância da engenheira florestal Gabriela Albuquerque. O hábito se transformou em rotina semanal na família: todos os sábados, ela faz as compras ao lado do marido, Igor Marmo, na feirinha da Igreja Messiânica, na 315 Norte. “Lá costumamos comprar frango, ovos, arroz, feijão e hortifrútis. Como é perto de casa, é prático para nós”, destaca. A inclinação para o consumo de orgânicos foi impulsionada por um bom motivo: a chegada do pequeno Sávio em junho do ano passado. “Na gravidez procurei me alimentar da forma mais natural possível. Depois que nosso filho nasceu, melhoramos a nossa própria alimentação”, afirma Gabriela, que passou a introduzir orgânicos na dieta do filho em dezembro do ano passado, ao iniciar a alimentação sólida.

 

O sabor dos alimentos sem agrotóxicos foi outro fator que impulsionou a mudança alimentar na família. “O sabor do orgânico é incomparável. Além disso, a sustentabilidade e o contato com os pequenos produtores fazem uma grande diferença para nós”, afirma Gabriela, que, ao lado do marido, comanda um restaurante de cozinha mexicana e faz questão de comprar insumos de fornecedores locais.

Produtora rural, Luciana de Oliveira vende seus produtos na feira localizada no anexo do Palácio do Planalto: produção iniciada ano passado (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Produtora rural, Luciana de Oliveira vende seus produtos na feira localizada no anexo do Palácio do Planalto: produção iniciada ano passado

 

Para o engenheiro agrônomo Rômulo Cabral Araújo, a produção orgânica exige um elo de confiança entre o consumidor e o vendedor. “Apesar de as certificações garantirem o cumprimento das normas, é bom mostrar que nossa proposta não é só produzir alimento, mas produzir alimento melhorando tudo ao nosso redor.” A ideia de se dedicar à produção rural surgiu ainda na faculdade. A realização de um sonho chegou em 2013, após comprar um terreno no Lago Oeste, onde construiu o sítio Raíz. O segundo passo foi garantir o escoamento da produção. Ele conta que a primeira feira de que participou foi a do Lago Norte, que já tinha vários produtores rurais que utilizavam o sistema agroecológico. Houve a mobilização do grupo e, em seguida, foi criada a Associação  Agro-Orgânica,  que  conta hoje com 30 associados em cinco feiras da cidade. Os brasilienses agradecem!

 (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017