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TECNOLOGIA|Comportamento »

Brasília nas redes

Célebres no Instagram e Snapchat, moradores da cidade mostram a capital federal que foge dos estereótipos

Dominique Lima - Redação Publicação:03/12/2015 17:20Atualização:03/12/2015 16:46

Célebres nas redes sociais e representando o melhor lado de Brasília, jovens brasilienses atraem cada vez mais seguidores (Instagram/Reprodução)
Célebres nas redes sociais e representando o melhor lado de Brasília, jovens brasilienses atraem cada vez mais seguidores
Ao mostrar um pouco do seu dia a dia, usuários de redes sociais como o Instagram e o Snapchat apresentam também a cidade em que vivem. Com centenas de milhares de seguidores, alguns brasilienses têm aproveitado para mostrar a sua Brasília. E essas visões estão bem distantes dos estereótipos da capital. Nada de cidade fria, com pouca oferta do que fazer. Raramente há referências a Brasília como sede do poder, lar apenas de políticos. A cidade de Marcella Di Donato, Denise Gebrim, Lucas Borges e Luísa Peleja é colorida e versátil, cheia de opções de lazer.

 

A mineira Marcella Di Donato tem menos tempo de Brasília do que de Instragram. Na rede social de compartilhamento de fotos, ela está há três anos. Na capital federal, há dois. Por isso mesmo, ela acredita ter conseguido mostrar que a cidade pode, sim, receber muito bem os recém-chegados. Muitos dos seus seguidores não conhecem Brasília pessoalmente. É comum eles entrarem em contato para perguntar onde ela tirou determinada foto, que geralmente foi clicada num ponto turístico de Brasília, como algum local da orla do lago Paranoá. Para ela, o interesse vem do fato de os lugares de Brasília serem únicos, sem igual no mundo.

 (Vinicius Santa Rosa/Encontro/DA Press e Instagram Marcella Didonato/Reprodução)

É comum também ela receber pedido de dicas turísticas. Quando isso acontece, Marcella sempre indica o Pontão do Lago. “Gosto de lá por causa da variedade. Você pode fazer um passeio sem compromisso. Pode inclusive levar animais de estimação. Há opções para jantar, tomar um lanche”, explica. Ela acha importante que cada vez mais pessoas conheçam e possam curtir o lago e os outros locais da cidade que oferecem espaços ao ar livre, alternativas aos shoppings e lugares fechados. Muito do dia a dia de Marcella também está no Snapchat, em que é possível acompanhar vídeos curtos dos usuários, que ficam disponíveis para acesso por 24 horas.

 

“Nessas redes, posso compartilhar coisas de que gosto, dicas de viagens, lugares da cidade. Há ainda a questão da proximidade, principalmente no Snapchat”, diz. Essa proximidade vem dos compartilhamentos em vídeo. Momentos curtos, de 10 segundos, sobre o que se passa naquela hora com a pessoa. A sensação de estar convivendo com quem se segue se torna ainda maior porque há o acesso à rotina diária dessas pessoas. O retorno carinhoso dos seguidores é o maior trunfo dessa empreitada, na opinião da brasiliense Denise Gebrim, dona do blog de moda que leva seu nome, o Diário da Denise Gebrim.

 

Ela gosta muito dessa interação, que por vezes se desdobra do mundo virtual para o real. É comum ela ser reconhecida em restaurantes, filas, no shopping e se diverte com as diferentes abordagens dos admiradores. Ela demorou para aderir ao Instagram. Está por lá há mais de um ano, tempo em que conquistou o público de quase 120 mil pessoas. No Snapchat,   há uns seis meses, a blogueira percebe a popularidade nessa rede social por meio das fotos que os usuários fazem daquilo que ela publica. Em média, os envios têm entre 5 mil e 8 mil fotos.

 (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press e Instagram Denise Gebrim/Reprodução)

“Recebo muito contato de gente que já morou em Brasília e usa o Snap para matar saudade. Elas contam que, ao verem os vídeos, sentem como se estivessem aqui”, diz. A própria Denise se lembra da necessidade de matar a saudade quando morou longe de Brasília. Ela fez faculdade na Itália e também estudou nos Estados Unidos. Hoje, aproveita a capital por meio de diversas atividades. Entre as que mais gosta, mostradas nas redes sociais, estão andar de lancha no Lago Paranoá, aproveitar a orla para tomar água de coco. A época da seca é muito querida por proporcionar a oportunidade de curtir essas atividades. E a quantidade de luz ajuda também a produzir belas fotos. Foi a vontade de mostrar a beleza da luz e das paisagens da capital que levou o modelo e estudante Lucas Borges a fazer um vídeo para o Snapline de Brasília. A interação consiste em publicação para todos os usuários de vídeos com tema específico. Ele conta que queria muito participar desse dia para contribuir com a imagem positiva da cidade. A estratégia deu certo.

 

A equipe da rede social selecionou o vídeo entre as dezenas de snaps usados para mostrar Brasília. Nos 10 segundos, Lucas aparece dando bom dia e andando pelo centro da cidade, com o céu azul como pano de fundo. O vídeo chamou a atenção e ele percebeu a resposta no Instagram: foram mais de 15 mil novos seguidores em 72 horas. O estudante conta que entrou nessas redes sociais por curiosidade. A interação com gente que não conhece parecia um conceito interessante. A ideia foi brincar um pouco. Para ele, usar as redes sociais acaba sendo uma maneira de se esquecer dos problemas, falar de assuntos leves, divertir-se. “Recebo mensagens de pessoas  dizendo  que  o dia delas melhora depois de verem meus vídeos. É engraçada essa  noção de ajudar de alguma forma alguém que você nem sabe quem é”, explica.

 (Vinicius Santa Rosa/Encontro/DA Press e Instagram Luisa Peleja/Reprodução)
 

Ele espera mostrar também alguns endereços que acredita serem pouco aproveitados, entre eles o Cine Brasília e o Cine Drive-in. “Brasília é uma cidade bonita e diferente. Muita gente no dia a dia, na rotina de trabalho, esquece que vive num lugar lindo”, diz. A brasiliense Luísa Peleja também espera que os momentos que compartilha no Instagram e Snapchat contribuam para uma imagem positiva de Brasília. Apaixonada por fotografia, ela acredita que Brasília se faz um belíssimo cenário. Sair à procura de prédios fotogênicos nas superquadras e de interessantes obras  de arte urbana,  cada vez mais presentes na paisagem, se tornou uma atividade querida.

 

Luísa também discorda com veemência da ideia de que a cidade tem poucas opções de lazer e balada. Ela prefere festas a boates e encontra em média duas ótimas opções por mês. A lista de lugares que ela indica e gosta de frequentar para fazer esporte, espairecer ou comer bem também é longa. Jardim Botânico, clubes para prática de Stand-up Paddle, o SUP, e eventos culturais e gastronômicos ao ar livre são alguns dos preferidos. “É comum receber mensagens de pessoas de fora que estão vindo à cidade e querem dicas do que fazer por aqui. Gosto muito de dar esse tipo de conselho”, conta.

 

 (Vinicius Santa Rosa/Encontro/DA Press e Instagram Lucas Borges/Reprodução)

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017