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Pet zen

Acupuntura, reiki, homeopatia, cromoterapia e outros recursos menos invasivos já são usados com sucesso para tratar animais. Alívio das dores e redução do estresse estão entre os principais benefícios

Paloma Oliveto - Publicação:04/12/2015 14:48Atualização:04/12/2015 15:06

A veterinária Camila Garcia usa o reiki, uma técnica não envasiva, para tratamento  em animais: até na UTI traz alívio (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
A veterinária Camila Garcia usa o reiki, uma técnica não envasiva, para tratamento em animais: até na UTI traz alívio
Maria Bonita andava estressada. E com toda razão. Essa senhorinha de quase 16 anos precisou alterar seus hábitos alimentares após um problema renal e, para  piorar,  tinha  de suportar o quebra-quebra de uma reforma no prédio onde mora. Para o desespero da bancária Raquel Gonçalves Moura, a gata parou de comer e nada a fazia abrir a boca. “Eu já estava desanimada”, recorda Raquel.

 

Foi aí que ela descobriu que terapias complementares, como reiki, fitoterapia, florais de Bach e cromoterapia, não são  exclusividade  dos  seres  humanos. Por recomendação do veterinário que atende Maria Bonita, a bancária a levou para uma consulta com Camila Mesquita Garcia, médica veterinária holística, que passou a tratar a gatinha com sessões semanais durante cerca de três meses. “No primeiro dia, ela já ficou mais calma e equilibrada, e começou a beber mais água. Hoje, ela é outra gata”, brinca Raquel.

 

Ainda pouco difundidas no Brasil, as técnicas alternativas na medicina veterinária têm surtido bons resultados em estudos internacionais, que já atestaram sua eficácia para uma variedade de condições, como estresse, ansiedade, inflamações e dores, além de problemas gástricos,  renais  e cardíacos,  entre outros. Essas terapias não visam substituir o tratamento tradicional, mas complementá-lo. Elas se inserem no conceito holístico, que tem como base a individualização do paciente e o equilíbrio entre estado físico, mental e energético. O foco não é a doença, mas o doente.

Momento zen: tratamento de cromoterapia feito pela veterinária Camila Garcia (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Momento zen: tratamento de cromoterapia feito pela veterinária Camila Garcia

“Terapias como reiki, florais de Bach e cromoterapia são fortes aliadas dos tratamentos convencionais. Utilizo, inclusive, o reiki para animais internados em UTIs veterinárias, onde observamos bastante sucesso”, conta Camila Mesquista Garcia, que também aplica a técnica em humanos, como nos internos do Hospital de Base. Ela explica que esse sistema de harmonização energética de origem japonesa não é invasivo nem requer contato físico, e pode ajudar no tratamento de doenças e lesões emocionais, comportamentais e físicas. “Por exemplo, pode reduzir os efeitos colaterais da quimioterapia, ajudar a melhorar o sistema imunológico, reduzir estresse, cessar ou aliviar dor e acelerar processos cicatriciais”, diz.

 

Os médicos veterinários holísticos também fazem   uso   da cromoterapia– técnica que usa as cores para gerar impulsos elétricos que relaxam e dão segurança, além de auxiliar na cicatrização e nos tratamentos de distúrbios renais, e dos florais. Essas gotinhas são muito usadas para problemas emocionais e comportamentais. “Eles podem ser utilizados para tratar diversos problemas que comumente ocorrem em animais domésticos, entre eles, tristeza, solidão, hiperatividade, agressividade e medo”, enumera Camila.

Anne Costa com o poodle Arthur, que fez tratamento para ansiedade com florais: hoje, passeia com mais tranquilidade (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Anne Costa com o poodle Arthur, que fez
tratamento para ansiedade com florais:
hoje, passeia com mais tranquilidade

Para Arthur, um poodle de 10 anos, os florais de Bach e os óleos essenciais ajudaram a driblar o comportamento genioso. Quem o vê saltitando como  um “lord” com outros cachorros nas manhãs de domingo, dia de um encontro de cães na Octogonal, não imagina que, há até muito pouco tempo, passear com ele era um desgaste. “Ele era extremamente agressivo. Nós morávamos em Uberlândia, lá ele vivia em casa e só tinha contato com outros cães pela grade do quintal. Quando viemos para Brasília, a agressividade aumentou com cachorros e pessoas”, relata a bióloga Anne Pinheiro Costa. Qualquer movimento rápido – gente andando de bicicleta, no skate ou sobre patins – tirava o poodle do sério. Nas caminhadas, era comum ele surpreender Anne e os passantes: “Do nada, pulava nas pessoas. Nunca mordeu, mas rosnava. Era uma tortura”, afirma a bióloga.

 

Por causa de um problema que Arthur tem na coluna, Anne decidiu levá-lo a uma acupunturista. Lá, descobriu que, além das dores, as agulhas poderiam deixá-lo mais calmo. A veterinária Rebeca Sales Nardotto, que atendeu o poodle, conta que o carro-chefe da acupuntura veterinária é a analgesia, as doenças ortopédicas e neurológicas. Contudo, ela destaca que essa técnica da medicina tradicional chinesa também funciona bem em questões comportamentais, desde que o proprietário do animal também aceite mudar. “De todas as áreas, o comportamento é o mais complicado, por- que o animal sente muito o que o dono transmite. Se ele é ansioso, o animal sente a ansiedade. Não adianta apenas tratá-lo”, observa. Quando Arthur fez o tratamento com agulhas e florais, Anne também tomou as gotinhas.

Raquel Moura, com a gatinha Maria Bonita, que tem 16 anos e fez tratamento de reiki e cromoterapia para lidar com o estresse (Vinicius Santa Rosa/Encontro/DA Press)
Raquel Moura, com a gatinha Maria Bonita,
que tem 16 anos e fez tratamento de reiki
e cromoterapia para lidar com o estresse

Hoje, o poodle brinca, solto, com os amigos de quatro patas, sem criar caso com ninguém. Também é tranquilo com humanos, embora ainda não fique muito à vontade quando crianças mexem nele. Além do  comportamento, Arthur melhorou muito da coluna. “Na segunda sessão, já estabilizou a dor. Na hora de espetar a agulha, ele mostrava os dentes porque é muito genioso. Mas, acabou de colocar, ele já relaxava completamente. Não vou dizer que o Arthur nunca mais teve crise, mas nunca mais teve crise do nada. Desde o tratamento, foram só duas vezes em que ele pulou demais”, conta Anne.

 

A acupuntura é reconhecida como tratamento pelo Conselho Federal de Veterinária (CFV). Em Brasília, a técnica é, inclusive, aplicada nos animais do Zoológico. De acordo com Rebeca Sales Nardotto, qualquer espécie animal pode ser beneficiada.  Naqueles que não aceitam a agulha, os especialistas podem recorrer ao laser para ativar os pontos. Dependendo da patologia, a técnica é utilizada sozinha ou em conjunto com o tratamento convencional. A res- posta depende de cada organismo, mas não é raro os pacientes de quatro patas melhorarem na primeira sessão.

 

Além da acupuntura, a homeopatia tem o reconhecimento do CFV. O método, criado no século 18 pelo alemão Samuel Hahnemann, busca atacar as causas da enfermidade, e  não  apenas os sintomas. “Na homeopatia, há comprovação científica para praticamente tudo. Ela é usada para várias doenças, como dermatites, problemas de estômago, fígado e endócrinos, entre outros, com bastante êxito”, afirma a médica veterinária homeopática Ana Catarina Viana Valle.

 

De acordo com a especialista, estudos recentes realizados pela Universidade Paulista (Unip) e pela Universidade Estadual de Londrina também demonstraram o potencial do método no tratamento de câncer e leishmaninose, respectivamente. Há pouco tempo, Ana Catarina atendeu uma cadela com tumor venéreo transmissível (TVT), doença tratada tradicionalmente com diversas sessões de quimioterapia. Com a homeopatia, ela foi curada com apenas uma sessão de quimioterápico. A veterinária observa que, há uma década, quando se formou, sofreu muito preconceito na área. “Mas, de três anos para cá, acho que a consciência está mudando,  assim  como  o lugar  do animal dentro da família mudou”, acredita

A veterinária Ana Catarina Valle com a shih-tzu Kiara: uso dos florais ajuda a combater o estresse (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
A veterinária Ana Catarina Valle com a shih-tzu Kiara: uso dos florais ajuda a combater o estresse
 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017