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A capital também é olímpica

No ano em que o maior evento esportivo do planeta acontece no Rio de Janeiro, Encontro Brasília reúne dicas e depoimentos de quem pratica por aqui modalidades como ginástica artística, tiro com arco, tênis, hipismo e remo

Thaís Cunha - Publicação:25/02/2016 15:52Atualização:29/02/2016 15:59

Aumento do interesse: modalidades como a ginástica olímpica 
devem entrar mais na rotina dos brasilienses em 2016

 (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Aumento do interesse: modalidades como a ginástica olímpica devem entrar mais na rotina dos brasilienses em 2016
No país do futebol, uma bola de meia e dois chinelos são suficientes para que a prática esportiva comece assim que as crianças aprendem a andar. Nas ruas e quadras de Brasília, o futebol domina, enquanto os esportes olímpicos ficam quase restritos à tevê, a cada quatro anos. Este ano é um desses momentos em que praticantes de esportes menos usuais saem de seus “esconderijos”.

 

Se em 2014 o coração foi parar na ponta da chuteira, em agosto o brasileiro se dividirá na torcida de 42 esportes. O número pode até assustar leigos, mas, para muitos brasilienses, serviu como motivação para procurar o topo do pódio. Aqui, temos campeões mundiais, atletas olímpicos, centros de treinamento profissionais, herdeiros de esportistas consagrados e muito espaço para o esporte paralímpico.

Você sabia, por exemplo, que pessoas com deficiência podem treinar tiro com arco gratuitamente no Plano Piloto? Ou que a cidade abriga ao menos cinco centros de treinamento de tiro esportivo? O resultado dessa busca mostra que, em Brasília, os esportes olímpicos, surpreendentemente, não servem apenas aos atletas. Empolgados, os praticantes se esforçam para difundir as modalidades menos conhecidas. Do exótico tiro com arco, passando pelo para-hipismo, até o famoso tênis, a reportagem percorreu espaços de treino e conheceu brasilienses que podem inspirar adultos e crianças a seguirem o caminho de atletas consagrados.



Hipismo

'Tenho sorte de poder fazer o alto rendimento na cidade' diz o para-atleta Sérgio Oliva (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
"Tenho sorte de poder fazer o alto rendimento na cidade" diz o para-atleta Sérgio Oliva

O que poderia ser dificuldade serviu de motivação para que Sérgio Oliva investisse na carreira esportiva. O servidor público de 33 anos montou em um cavalo pela primeira vez ainda criança, para sanar problemas motores, resultado da paralisia cerebral. Aos 14 anos, a ecoterapia se transformou em para-hipismo. E, após uma pausa para os estudos, com o incentivo dos treinadores, virou profissão.


Com o esporte profissional, o brasiliense tem rotina agitada: além de treinar regularmente e competir, Sérgio Oliva é formado em direito, tem pós-graduação e é servidor no TJDFT. Em cima do cavalo, o ginete já competiu duas paralimpíadas e esteve em três mundiais. No de 2007 foi campeão e, desde então, não sai da seleção brasileira. Todo o esforço foi reconhecido no fim do ano passado, quando o para-atleta foi considerado o melhor na modalidade no prêmio do Comitê Paralímpico Brasileiro.


Nascido no quadradinho, Sérgio Oliva nem pensa em deixar a capital para aprimorar os treinamentos. “Tenho sorte de poder fazer o alto rendimento na cidade”, comenta. Depois de começar na Sociedade Hípica de Brasília, ele estabeleceu a rotina no Brasília Country Club e diz que não sente falta de nenhuma estrutura para garantir o treinamento. “As pistas são ótimas, não vejo nenhuma necessidade de sair daqui”, comenta. Nos próximos meses, até o início dos Jogos Paralímpicos do Rio, em 23 de agosto, a meta é intensificar os treinamentos e garantir a vaga. Hoje, a cidade conta com nove escolinhas cadastradas na Federação Brasiliense de Hipismo.

Informações: (61) 3338-8563,
Brasília Country Club - SMPW Qd. 27, cj. 3 Park Way

 

Ginástica Artística

Carlinhos, o mais famoso treinador de ginástica artística em Brasília: 'Daqui saem atletas de base que outros clubes acabam levando' (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Carlinhos, o mais famoso treinador de ginástica artística em Brasília: "Daqui saem atletas de base que outros clubes acabam levando"

 A dificuldade em manter atletas profissionais treinando na capital do país não abate o treinador de ginástica artística Carlos Augusto Bezerra, o Carlinhos. Aos 48 anos, ele se dedica ao esporte na cidade há 26, desde que saiu da faculdade de educação física, e se orgulha de produzir talentos tipo exportação. “Nós ficamos na expectativa de que dias melhores virão. É muita paixão envolvida nos profissionais com o esporte”, diz.


O professor considera que as condições de treino estão abaixo do ideal. Ainda assim, atletas que começaram a saltar nos seus trampolins chegaram à Seleção Brasileira. É o caso dos irmãos Bruno e Beatrice Martins, na década de 1990. Hoje, a estrela que saiu da capital para brilhar em Minas é Felipe Arakawa. “Daqui saem atletas de base, que outros clubes acabam levando”, lamenta o professor.


A esperança é de que o sonho olímpico melhore as condições de treino na cidade. Com um novo kit de treinamento, ele sonha com uma equipe multidisciplinar – com profissionais como nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas– para completar a formação das crianças. Além do Setor Leste, referência no esporte para a comunidade, Brasília ainda outros seis centros de treinamento cadastrados na Federação Brasiliense de Ginástica, entre as várias modalidades: artística, acrobática, rítmica, de trampolim.


Informações: (61) 3901-7602,
Setor Leste - SGAS 611 / 612, Conjunto E, Asa Sul

 

Tiro com arco

Bernardo Oliveira tem um canal com mais de 10 mil inscritos no YouTube: tudo sobre a modalidade que ele conheceu quase por acaso (Divulgação)
Bernardo Oliveira tem um canal com mais de 10 mil inscritos no YouTube: tudo sobre a modalidade que ele conheceu quase por acaso

O segredo para conhecer esportes inusitados e ainda se profissionalizar? Tenha os vizinhos certos. No Lago Sul, Bernardo Oliveira morava perto de um treinador de tiro com arco, que despertou o interesse no esporte. Ele logo procurou aulas e se apaixonou: “Lembro a sensação da primeira vez que pratiquei. Foi incrível, sabe? É como se o arco fosse uma parte de mim”, recorda.


Agora, além de competir no alto rendimento, o atleta quer que mais pessoas tenham a mesma sensação. Em um canal no YouTube, o No Alvo, Bernardo conta tudo sobre a modalidade, para quase 10 mil inscritos. O conteúdo envolve desafios, explicações de como atirar, como começar. “É um material que ainda não existia em português”, comenta. Não à toa, há vídeos com mais de 100 mil visualizações.


A vida digital divide espaço com uma carreira séria de atirador. Aos 22 anos, Bernardo participou do Pan de Toronto, no Canadá, no ano passado, e agora mira nas Olimpíadas. A classificação está praticamente garantida. Estar na seleção brasileira é meio caminho andado para a disputa dos jogos.

 

As opções para quem quer praticar o esporte na cidade ainda são poucas. No Setor Policial Sul, o Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetefe) tem aulas gratuitas para pessoas com deficiência. Mais informações pelo telefone (61) 2025-3435. Já o Clube do Exército dá aulas avulsas a 25 reais.

Saiba mais: (61) 3226-2616, Setor de Clubes Esportivo Sul - Trecho 2, Lote 23.

 

 

Tênis

'Brasília é um ótimo lugar para treinar tênis. Temos muito espaço 
para quadras e clubes', diz o treinador Edison Raw (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
"Brasília é um ótimo lugar para treinar tênis. Temos muito espaço para quadras e clubes", diz o treinador Edison Raw

As quadras de rua fizeram com que o ex-tenista Edison Raw construísse uma história na modalidade. Nascido e criado na cidade, ele começou ainda criança, brincando na rua, em meados dos anos 1970. “Comecei nos torneios pequenos até chegar ao Grand Slam”, recorda. Hoje, ele trabalha para formar atletas profissionais e para divulgar o esporte entre os adultos da cidade.


A escola Raw Tênis, no Clube do Exército, recebe aspirantes de todas as idades e aperfeiçoa o treinamento. A ideia é que não falte nada aos atletas, para que eles não tenham de sair da cidade na hora de se profissionalizar, como ocorrem em várias modalidades. “Brasília é um ótimo lugar para treinar tênis. Temos muito espaço para quadras e clubes”, diz.


Para o professor, estrutura e espaço não faltam, mas o esporte poderia ter mais praticantes na cidade. Raw ainda esbarra em uma lógica comum a escolinhas esportivas: adolescentes costumam deixar a rotina de treinamento para investir nos estudos.


É por isso que ele trabalha para mandar os alunos para os Estados Unidos. Cinquenta já se formaram lá fora, com a faculdade paga pelo esporte. “Chega um momento em que eles têm de decidir entre a escola e o esporte profissional. Esse é um jeito de unir o útil ao agradável”, explica o professor.

 

Informações: (61) 3225-0661,
Setor de Clubes Sul, Trecho 2, Lote 23

 

Remo

Herança de família: O professor André Luís Côrrea dá aulas de remo num barco de 1930 (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Herança de família: O professor André Luís Côrrea dá aulas de remo num barco de 1930

Mesmo sem praia, Brasília impressiona pela quantidade de praticantes de esportes náuticos. Remar no lago Paranoá parece já ser tradição entre brasilienses. O que pouca gente sabe é que tudo começou com o pai de André Luiz Corrêa, dono de um clube independente de remo da cidade. A árvore genealógica vai além: o avô de Corrêa foi campeão brasileiro da modalidade quatro vezes. E tudo indica que ele tenha participado dos Jogos Olímpicos de 1936.


Prova documental não tem, mas o sr. Agenor Correa Wilson de Freitas foi visto com uma camisa distribuída aos atletas que participaram dos jogos de Berlim, em plena ditadura nazista. “Ele foi um dos primeiros atletas negros com destaque no remo, conhecido como Cobra D’água”, conta o neto.


Além do herdeiro professor, o legado dessa história está no lago Paranoá, na região da Concha Acústica de Brasília. Um barco construído nos anos 1930 cai na água para que mais pessoas conheçam o esporte. André Luiz se orgulha de ter um clube exclusivo “só de esportes a remo”. Hoje, o professor dá aulas avulsas e tem a opção do pacote com 10 horas/aula.

 

Informações: (61) 8402-2055.  
Clube do Remo Brasília - SHTN Polo 3,
Trecho 1, Lote 9

 

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017