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EDUCAÇÃO | COMPORTAMENTO »

Sem sofrimento

Retornar aos horários e obrigações depois de curtir longos períodos de férias não é fácil para adultos, muito menos para crianças. Especialistas dão dicas para que a volta às aulas seja mais tranquila para toda a família

Thiago Soares - Da redação Publicação:25/02/2016 17:02Atualização:25/02/2016 18:18
'Eu mesma levo meus filhos pelo prazer de acompanhá-los na vida estudantil', diz Illa Maria Camargo, mãe de Teodoro e Catarina (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
"Eu mesma levo meus filhos pelo prazer de acompanhá-los na vida estudantil", diz Illa Maria Camargo, mãe de Teodoro e Catarina
O retorno à rotina depois de um longo período de férias nunca é tarefa fácil. Nas escolas, os alunos, independentemente da idade ou série que cursam, sempre reclamam quando retomam horários e obrigações geralmente suspensos na época de descanso. A adaptação, no entanto, pode ser gradativa, segundo especialistas. Para ajudar pais e estudantes a sofrerem menos nesses momentos, Encontro Brasília lista dicas para que a volta às aulas seja mais tranquila.

Um dos filhos da oficial de finanças Lívia Sanches teve a rotina mais que alterada nos últimos dias. Até o ano passado, Pedro, de 14 anos, estudou no período vespertino. Com a mudança de série, agora no 9º ano do ensino fundamental, veio a troca de horários. As aulas do irmão dele, Luca, de 11 anos, são no turno da manhã. Uma semana antes do retorno à classe, a rotina da família já começou a mudar. “Para não ficar muito pesado, principalmente para o mais velho, começamos a dormir mais cedo”, diz a mãe.

Lívia também verificou as condições dos uniformes e materiais escolares dos filhos dias antes do retorno. Outro fato é que o filho mais velho ganhou mais responsabilidades. “Vejo como um momento certo de dar confiança ao Pedro. Ele passou a ficar sozinho em casa a tarde, e em alguns dias tem aulas de inglês no contraturno”, conta Lívia. Para o adolescente, os primeiros dias de mudança de rotina são os mais puxados: “Tem sido diferente acordar cedo para ir para a escola depois de tanto tempo tendo aulas à tarde. Eu fico cansado, mas acho que será apenas questão de tempo para me acostumar.”

A família mora em Águas Claras e as crianças estudam na Asa Sul. Por causa do horário de trabalho da mãe, os dois vão de van para a escola. No momento da escolha, Lívia se preocupou com a legalidade do serviço. “Busquei informações com outros pais. Verifiquei o estado do veículo e se o motorista segue as regras de trânsito”, diz.

O retorno de hábitos uma semana antes é uma das dicas dadas pela psicóloga e pedagoga Silvana Bergmann, que atualmente é coordenadora de ensino do Colégio Sigma da Asa Sul. “É importante reinserir a criança na rotina de horários habituais para não sentir muito nos primeiros dias de aulas. Quanto antes à rotina voltar, melhor para os alunos e para os pais”, pontua. De acordo com a especialista, os responsáveis devem ficar atentos à organização: “O uniforme precisa fazer parte do guarda-roupa do estudante. Os cadernos, livros e demais objetos devem estar preparados para o momento de estudo.”
Lívia Sanches muda seus hábitos para acompanhar o ritmo dos filhos Pedro e Luca: horários flexíveis nas férias e todos dormindo mais cedo quando as aulas voltam (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Lívia Sanches muda seus hábitos para acompanhar o ritmo dos filhos Pedro e Luca: horários flexíveis nas férias e todos dormindo mais cedo quando as aulas voltam

A presença constante dos pais também se faz necessária para ajudar no desenvolvimento dos estudantes. De acordo com Silvana, o importante é que os responsáveis acompanhem os filhos na vida escolar. “É legal conversar sobre as perdas e ganhos do ano letivo anterior, além de estar disposto a dar assistência para os filhos, seja buscando no colégio ou auxiliando na hora dos estudos em casa. Outra dica é se aproximar da comunidade escolar, conhecer o corpo pedagógico e se inteirar do desempenho da criança”, orienta a pedagoga.

“Eu mesma levo meus dois filhos pelo prazer de acompanhá-los na vida estudantil.” O comentário é da professora Illa Maria Camargo, mãe de Teodoro, de 14 anos, e Catarina, de 5 anos. O fato de ela exercer a profissão de educadora também facilita o entendimento do assunto e a importância de sua presença na vida deles. “Estou vivendo dois momentos, com a caçula, que está nos primeiros anos de estudos, e com o maior, que está para decidir a profissão”, conta. O mais velho, neste ano, tem aulas mais cedo – cerca de 30 minutos, em relação ao ano passado. Além disso, ele terá atividades em alguns dias da semana no contraturno. “Eu busco deixar meu material separado no dia anterior, conforme as disciplinas da agenda, para não me atrasar na hora de ir”, comenta Teodoro.
Illa e os filhos, Teodoro e Catarina (Raimundo Sampaio / Encontro / DA Press)
Illa e os filhos, Teodoro e Catarina

O gestor escolar e diretor do Colégio Presbiteriano Mackenzie Brasília, Walter Ribeiro, explica que a interação da família é importante tanto no momento de chegada quanto na saída do filho da vida estudantil. “Os pequenos saem de um mundo de proteção e passam a conviver com outras crianças e ter horários estabelecidos. Já os adolescentes, estão no momento de dúvidas em relação ao futuro profissional. Nesses dois casos, a presença e o apoio dos pais são fundamentais”, destaca o especialista. Ribeiro também alerta para a organização de um local de estudo. “A criança ou adolescente deve ter um espaço para se concentrar nas lições de casa, longe da televisão ou computador. As tecnologias se mostram aliadas em alguns momentos, mas em outros podem prejudicar o desempenho do estudante”.
 
Dicas
 
REAJUSTE! Uma semana antes de voltar à rotina, reajuste os horários da família, especialmente a hora de dormir

DIALOGUE! Converse com a criança sobre o desempenho no ano letivo anterior e sobre a importância dos estudos

ORGANIZE! O material escolar deve estar disposto conforme a agenda a disciplina. O uniforme deve fazer parte do guarda-roupa do estudante

ESTABELEÇA!
Reserve um local adequado para o estudo as crianças em casa e horários
para fazer as tarefas

PARTICIPE!
Busque conhecer o corpo pedagógico do colégio em que o filho estuda. Auxilie as crianças nas lições de casa, mas cuidado para não fazer  atividade para elas
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017