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Espaços multiuso

Com foco na diversidade de serviços, estabelecimentos comerciais apostam em múltiplas frentes. A veia gastronômica, especialmente, está em alta

Jéssica Germano - Redação Publicação:29/02/2016 12:04Atualização:29/02/2016 16:56
Ao entrar no ambiente, o caminho é decorado com fotografias. As plotagens nas paredes indicam o nome das séries e de seus respectivos autores. Mais à frente, em uma das salas, as fotos se integram a um cenário delicado, que serve de decoração também para o café, extremamente charmoso, onde a aposta são criações artesanais: do chocolate quente – grande vedete – às quiches e massas frescas. Essa é apenas uma descrição breve do que envolve o Quintal f/508, uma extensão do Espaço f/508, há 10 anos na cidade como escola de fotografia.
Motobar RD-50, as paixões por moto e gastronomia unem frequentadores com interesses comuns: o picadinho está entre os pratos mais pedidos (Andre Violatti/Esp. Encontro/D.A. Press.)
Motobar RD-50, as paixões por moto e gastronomia unem frequentadores com interesses comuns: o picadinho está entre os pratos mais pedidos

A ideia de unir aulas e guloseimas veio a pedido de alunos, que não encontravam opções rápidas para comer no novo endereço do projeto – nos fundos da 413 Norte, com vista para o Parque Olhos D’água. “A gente se propôs a fazer um café para atender essa necessidade, mas acabou que o público externo se afeiçoou ao lugar”, conta uma das sócias, a fotógrafa Raquel Pellicano.

O local funciona ainda com lojinha, vendendo desde fotos até livros de arte e caderneta; estúdio; local para impressão de imagens; e de promoção de turismo. “Nós programamos várias viagens para festivais de fotografia e lugares interessantes para fotógrafos”, explica Raquel. A aceitação do público caminha lado a lado ao carinho que ela criou pelo projeto completo, em vigor há dois anos. “Acho que isso é uma tendência não só de Brasília, mas geral”, pontua. “E acho que faltava aqui um pouquinho de lugares com propostas variadas, onde você não fosse só comer, mas ter uma experiência: ver uma exposição, ler um livro bacana.”
Raquel Pellicano é sócia do Quintal f/508, espaço para quem se interessa por fotografia e gosta 
de um bom café: propostas variadas (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Raquel Pellicano é sócia do Quintal f/508, espaço para quem se interessa por fotografia e gosta de um bom café: propostas variadas

Na Barbearia Isac.com Club,Vinícius 
Prado alia serviços de  beleza
e diversão: tesouras, cerveja
e mesa de bilhar no mesmo 
ambiente (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Na Barbearia Isac.com Club,Vinícius
Prado alia serviços de beleza
e diversão: tesouras, cerveja
e mesa de bilhar no mesmo
ambiente
No caso de um dos novos endereços para beleza masculina em Águas Claras, o diferencial no conjunto de serviços foi pensado desde o início. À frente da franquia brasiliense da Barbearia Isac.com Club, o empresário Vinícius Prado apostou no formato de cortes e tratamentos estéticos aliados a uma ambientação mais requintada, com direito a todas as cadeiras serem massageadoras e os penteados, finalizados com pomada importada. A isso, somou-se o conceito que aparece já no nome do negócio e engloba espaço de jogos com videogame, bar e espaço kids. “Criamos uma outra opção que é a diversão: vir cortar o cabelo com um amigo e aproveitar para conversar, jogar sinuca, ficar para um happy hour”, diz.

À disposição de qualquer interessado, mesmo que não consuma algum procedimento estético, estão cerca de 30 rótulos de cerveja, logo atrás do balcão cercado por cadeiras altas, e comandados direto no caixa. A mesa de bilhar também é aberta a quem quiser se arriscar. “Já houve cliente que veio cortar, enquanto quatro amigos ficaram jogando, esperando”, comenta o proprietário.

O misto de café e loja, com peças autorais de artistas brasilienses e de fora, do Cobogó Mercado de Objetos está entre as principais referências da cidade quando o assunto é misturar propostas.

Concebido pelo casal sócio Mariana Dap e Ph Caovilla, o endereço foi escolhido justamente para abrigar venda de produtos, produção local – permitindo também que eventos culturais acontecessem ali – e cafeteria. Esta última por pura necessidade do ponto comercial, frisa a sócia proprietária. “Porque aqui nas 700 é completamente fora do hábito das pessoas”, justifica, usando a pontuação de forma tão vantajosa quanto negativa.
 
Do balcão que serve receitas primordialmente caseiras, como o bolo de cenoura com muita calda de brigadeiro, criou-se um dos principais atrativos. “O café, aqui, foi uma necessidade, mas ele é indispensável para o funcionamento do resto todo”, observa Mariana. “Se não o tivéssemos, não estaríamos abertos até hoje”, acredita ela, que não economiza esforços para fazer de toda a esquina onde se firmou um motivo para passeio: instalou um parquinho de madeira para as crianças, pediu a grafiteiros parceiros que pintassem brincadeiras no chão, plantou mudas e semanalmente convida dois food trucks a estacionarem ali e servirem seu público. “O que eu ganho é de o meu cliente estar aqui e ter tudo o que eu consigo oferecer simultaneamente para ele”. Mas ela alerta: “São duas administrações muito diferentes. A dinâmica, o controle. Tem de pensar bem.”
Referência na cidade quando o assunto é misturar propostas, o casal Ph Caovilla e Mariana Dap, do Cobogó, oferece diferentes serviços simultaneamente (Andre Violatti/Esp. Encontro/D.A. Press.)
Referência na cidade quando o assunto é misturar propostas, o casal Ph Caovilla e Mariana Dap, do Cobogó, oferece diferentes serviços simultaneamente

“Não dá para você simplesmente parar com uma única coisa”, defende Cida Caldas que, neste ano, completa três décadas à frente do sebo/loja/café/bistrô mais popular do quadradinho. “Nesse espaço, qual é o perfil da clientela e o que nós temos ou podemos oferecer a quem já frequenta?”, repete ela a indagação que diz ser o motor do Sebinho. É pensando nisso, segundo a empresária, que se deve começar a imaginar onde ampliar, o que criar e como inovar. Foi assim com a livraria de obras usadas que passou a vender também fitas em VHS, depois DVD e Blu-Ray, e hoje aposta no universo geek e em uma área ampla com mesinhas que servem de cappuccinos a pratos mais elaborados. “Se já temos esse cliente, por que não investir em um espaço onde ele pode vir, ficar mais tempo, lanchar, almoçar, enfim?”

O público pôde acompanhar a 
adaptação do Sebinho ao longo
de 30 anos de funcionamento
da casa: sebo, loja, café, bistrô  
e atualmente foco no universo geek (Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
O público pôde acompanhar a
adaptação do Sebinho ao longo
de 30 anos de funcionamento
da casa: sebo, loja, café, bistrô
e atualmente foco no universo geek
Perceber o melhor momento e entender a demanda do mercado aparecem também como pilares fundamentais para o sucesso. “Tem que ter muita perseverança, paciência, conhecimento da área e acreditar muito no seu negócio”, lista ela, como em uma fórmula. Nesse quadro, todas as mudanças são bem-vindas, defende Cida: “Falo no sentido de alavancar um novo comércio, novos nichos, dentro de um comércio que já existe.”

Conhecido pela forte movimentação de motos e frequentadores equipados com roupas de couro, o setor de oficinas do Sudoeste na QMSW, há pouco mais de um ano, ganhou um lava a jato, oficina e bar/restaurante voltado para esse público. Pelo menos por ora. O gerente do Motobar RD-50 (em alusão ao primeiro modelo fabricado no Brasil), Daniel Rodrigues, conta que o proprietário do lugar, o empresário e chef Alex Fediczko, sempre foi aficionado pelo tema. Foi assim que, junto com o pai, ele viu a demanda do local para opções gastronômicas. Até então, as pessoas costumavam ficar bebendo na rua, entre barraquinhas informais. “O carro-chefe do Alex é a cozinha e ele queria juntá-la a essa paixão por motos”, descreve o gerente.

Com peças de motor e guitarras nas paredes, portas de aço e uma parte ilustrada por acessórios e capacetes coloridos, vendidos na loja, a marca chegou a focar no rock e nos petiscos mais elaborados como estilo, mas acabou ampliando seu leque ao conquistar clientes mais diversificados. “Hoje, aos sábados, nosso público vem com a família, para almoçar, e fica para a banda”, conta Daniel, para citar o picadinho como um dos pratos mais pedidos. Durante a semana, porém, a movimentação continua forte pelos interessados em lavar seu veículo enquanto esperam na parte do bar. O método de vapor wash costuma funcionar por empresas terceirizadas e é recomendado ligar antes para confirmar disponibilidade.

Foi também com o intuito de oferecer um diferencial para os clientes que os donos da marca Lavínia Outlet firmaram parceria com a Brauny’s Doce Sabor, grife especializada no típico bolinho americano, mas que até então funcionava apenas sob encomendas. Na loja inaugurada no fim do ano passado, na 308 Norte, as araras com vestidos, blusas e calças multimarcas se misturam ao cheiro de café e chocolate que invade o primeiro andar. “A ideia foi esta: trazer uma experiência diferente para os dois clientes”, diz Gustavo Leal, sócio da primeira marca e amigo de infância de Rodrigo Galvão, empresário responsável pela parte açucarada. A dupla sociedade, segundo eles, viabiliza ainda oferecer os produtos com um preço mais baixo que o mercado.
Araras com roupas multimarcas se misturam ao cheiro de café e chocolate na Braunys Café: Gustavo Leal e Luiza Galvão comemoram o sucesso da parceria (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Araras com roupas multimarcas se misturam ao cheiro de café e chocolate na Braunys Café: Gustavo Leal e Luiza Galvão comemoram o sucesso da parceria

“A localização é excelente e o nosso custo acaba não sendo exorbitante”, pondera Rodrigo. “Se fôssemos alugar um espaço como esse por nós mesmos, eu tenho certeza de que não estaríamos abertos hoje”, avalia ele, sobre a primeira loja física, batizada de Braunys Café. Frederico Leal, que ao lado de Luiza Galvão completa o quadro de gestão do negócio para as duas partes, lembra que a ideia casada acaba gerando movimento para as duas empresas por divulgar ambas de forma espontânea. “E diminuir custos não quer dizer, necessariamente, que irá diminuir a receita”, completa.
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017