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SAÚDE | BEM-ESTAR »

Métodos nada convencionais

O que há em comum entre iridologia, constelação familiar, hipnose, reiki e fitoterapia? Encontro Brasília ajuda a esclarecer as principais dúvidas sobre algumas terapias alternativas

Sara Campos - Publicação:28/03/2016 14:59Atualização:31/03/2016 11:13
Se receber o diagnóstico de uma doença já não é uma ocorrência simples, algumas questões que vêm em seguida, como decidir que tratamentos procurar e com quais profissionais se cuidar, também não são circunstâncias fáceis. Muitas pessoas recorrem à medicina convencional achando que é o único caminho a ser seguido. Nos últimos anos, contudo, inúmeros brasilienses têm descoberto tratamentos alternativos que também auxiliam nos diagnósticos ou até se transformam em métodos paralelos de cura ou alívio de doenças.

Encontro Brasília entrevistou especialistas de diferentes correntes que têm um ponto em comum: relacionam doenças a fatores emocionais e ressaltam a importância de tratamentos que vão além da cura da doença. Para eles, entender os conflitos emocionais é um passo importante para prolongar a saúde.

Ao perceber que poderia estar “com os dias contados”, o publicitário Luciano Bezerra, de 37 anos, tomou uma decisão que mudaria sua vida radicalmente. Após atingir 220 kg, resolveu fazer uma cirurgia bariátrica, escolha que transformaria seus hábitos alimentares. “Eu não tinha mais qualidade de vida, estava com diabetes e pressão alta. Cheguei a um ponto crítico”, relata. Um ano e meio depois da cirurgia, ele passou a se beneficiar de tratamentos alternativos paralelamente ao uso dos remédios indicados no pós-operatório. O primeiro contato foi com a iridologia – mapeamento do corpo e da mente por meio da íris. “O iridólogo detectou que eu tinha ansiedade, problemas no estômago e retenção de líquido. Cheguei lá um pouco incrédulo e sem falar nada. Ele acertou vários dos meus problemas”, conta. Depois dessa experiência, o publicitário passou a ter um novo olhar para a alimentação e a potencialidade dos alimentos, inclusive usando chás e florais de Bach. “Essas formas diferentes de garantir a saúde requerem paciência. Vivemos em um mundo imediatista e as pessoas ficam presas aos remédios convencionais. Para mim, aliar as duas formas de medicina com equilíbrio tem sido uma boa escolha.”
 
'Vivemos em um mundo imediatista e as pessoas ficam presas aos remédios convencionais. Mas aliar diferentes formas da medicina tem sido uma boa escolha' , diz Luciano Bezerra, adepto da iridologia (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
"Vivemos em um mundo imediatista e as pessoas ficam presas aos remédios convencionais. Mas aliar diferentes formas da medicina tem sido uma boa escolha" , diz Luciano Bezerra, adepto da iridologia
Diagnósticos não descobertos por exames convencionais podem estar literalmente ao alcance dos olhos. É o que defende a iridologia, que estuda a íris através de uma fotografia detalhada da área responsável pela pigmentação dos olhos. O método foi descoberto pelo húngaro Ignats von Peczley no século 16. Enquanto estava caçando animais, ele deparou com uma coruja que estava com uma das patas machucadas. Ao levá-la em casa para tratá-la, percebeu uma mancha em um dos olhos do animal. Após a cura, Peczley viu que a mancha sumiu. O estudo da ligação entre a íris e o corpo então se aprofundou a ponto de serem mapeadas todas as partes do corpo, um princípio similar à acupuntura e à reflexologia.

Os diferentes e certeiros diagnósticos revelados pelas marcas da íris atraíram a atenção de Massao Honda. O primeiro contato aconteceu durante o trabalho de fotografia da íris: como assistente, ele presenciou muitas análises interessantes dos pacientes. “Na iridologia é possível verificar tanto a parte orgânica quanto a comportamental. Alguns sinais estão sendo mapeados desde a infância e outros vão aparecendo de acordo com o que você faz com o seu corpo”, ressalta.

Em qualquer pessoa, é possível fazer diagnósticos de várias regiões e órgãos do corpo, exceto em casos de pessoas que já passaram por cirurgias de íris. Segundo o especialista, áreas amareladas ou esbranquiçadas podem indicar alterações como inflamações ou infecções, além da tendência ao desenvolvimento de alguma doença. “É uma terapia que pode ser utilizada de forma preventiva”, diz Massao Honda.
 
Especialista em iridologia, Massao Honda diz que áreas amareladas ou esbranquiçadas na íris podem indicar inflamações ou infecções pelo corpo  (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Especialista em iridologia, Massao Honda diz que áreas amareladas ou esbranquiçadas na íris podem indicar inflamações ou infecções pelo corpo
A consulta é dividida em duas etapas. Primeiro é feita a foto da íris e, aproximadamente uma semana depois, é apresentado o diagnóstico, dividido em duas partes: comportamental e orgânico. Após o tratamento, algumas manchas saem e outras não, porque existem pontos causados por alguma fragilidade e há pontos genéticos permanentes.

Já as relações familiares podem influenciar em nossas vidas muito além do que imaginamos. Observando esse fato, o psicanalista alemão Bert Hellinger fez pesquisas entre grupos tribais na África do Sul na década de 1970. O resultado garantiu o surgimento da técnica constelação familiar, um trabalho terapêutico no qual a família é representada por um grupo de pessoas ou por objetos como bonecos ou bastões de madeira.

“Esse é um trabalho terapêutico bem diferente da terapia convencional. É um campo sistêmico, não se baseia apenas na narrativa de quem está constelando, mas sim na dinâmica que é apresentada através de objetos ou pessoas. A partir disso, traz respostas mais precisas”, destaca o terapeuta Maurice Jacoel.
 
A técnica chegou ao Brasil por intermédio da alemã Minansa Erika Farny, na década de 1980. Em 2001, com a visita de Bert Hellinger ao Brasil, o método passou a ser amplamente difundido. Para participar, o constelante (nome dado ao adepto) revela algum problema que o esteja incomodando, mas não é preciso revelar muitos detalhes. De maneira intuitiva, o paciente posiciona os objetos ou participantes voluntários em locais distintos. Após essa etapa, eles são instigados pelo terapeuta constelador a expor o que sentem no momento em relação a cada participante. Durante a constelação, é comum que eles sintam exatamente as angústias e dores dos papéis que estão representando. “Em muitos casos, é possível chegar a acontecimentos e conclusões sobre determinada situação que não foram ditas ou que não eram conhecidas pelo constelante e que muitas vezes são confirmadas posteriormente”, ressalta Maurice.

No caso da constelação familiar realizada com objetos, o terapeuta passa a interpretar o posicionamento de cada um e dialoga com o paciente para tentar entender a dinâmica familiar, além de sugerir novas demarcações. A sessão coordenada por Maurice Jacoel dura no máximo 1h30min. A técnica fez tanto sucesso que ganhou adaptações, como versões focadas no ambiente corporativo.
 
Maurice Jacoel, terapeuta: a técnica constelação familiar baseia-se na narrativa do participante e na dinâmica que é apresentada através de objetos ou pessoas (Raimundo Sampaio/Encontro/D.A Press)
Maurice Jacoel, terapeuta: a técnica constelação familiar baseia-se na narrativa do participante e na dinâmica que é apresentada através de objetos ou pessoas
Após dois anos de pesquisa, o psicólogo Abdon Sardinha passou a usar a hipnose ericksoniana como terapia integrativa à psicologia clínica. Esse tipo de hipnose difere-se de outros mais difundidos, nos quais se utiliza o pêndulo. Uma das essências dessa corrente hipnótica é o chamado método indireto. “Ao contrário da hipnose tradicional, nesta, nós sugerimos ordens através dos recursos bind e double bind”, afirma o especialista, referindo-se a induções realizadas com o intuito de estabelecer um diálogo com o inconsciente.

Esse tipo de tratamento é recomendado para quem enfrenta problemas diversos como ansiedade, insônia, depressão e dores crônicas. “No caso de pacientes com ansiedade, a hipnose utiliza recursos que o próprio corpo já tem. É possível alcançar resultados bastante efetivos”, afirma Abdon Sardinha, que desde o início da carreira aplica psicologia com técnicas integrativas e acredita que “o fenômeno humano é mais do que aquilo que se consegue entender”.
 
Resultados efetivos: o psicólogo Abdon Sardinha passou a usar a hipnose ericksoniana como terapia integrativa à psicologia clínica (Raimundo Sampaio/Encontro/ D.A Press)
Resultados efetivos: o psicólogo Abdon Sardinha passou a usar a hipnose ericksoniana como terapia integrativa à psicologia clínica
Um dos mitos que se tem relacionado à hipnose está na falta total de racionalidade do paciente. “Mas ela não retira o livre-arbítrio. A hipnose estabelece um diálogo com o subjetivo do paciente”, ressalta o especialista. Para participar de uma sessão, que dura aproximadamente 35 minutos, a pessoa se deita numa espécie de tatame e é induzida pela narrativa do terapeuta, que utiliza os elementos presentes no ambiente em nível de processamento mental e sensorial. “A confiança é fundamental no processo químico. O efeito da hipnose vai depender da capacidade do paciente em confiar no processo”, ressalta o terapeuta.

Uma rotina intensa de trabalho fez com que a advogada Beatriz Kicis de Sordi conhecesse em 1997 os benefícios do reiki. De férias no Rio de Janeiro, ela decidiu fazer o curso da técnica que canaliza energia vital através das mãos. “Quando me aprofundei no assunto, passei a entender o que estava acontecendo comigo. Lacrimejava e bocejava com frequência e vi que isso resultava numa enorme perda de energia”, relata Beatriz, que hoje é mestre de reiki e autora do livro Reiki – Saúde, Amor e Desenvolvimento Pessoal. Na língua japonesa, REI significa universal e KI, força da energia vital.
 
'Ao receber a energia reiki, a vibração do paciente muda, isso nos dá essa possibilidade de não sermos impotentes diante da vida', diz Beatriz Kicis (André Violatti/Encontro/D.A Press)
"Ao receber a energia reiki, a vibração do paciente muda, isso nos dá essa possibilidade de não sermos impotentes diante da vida", diz Beatriz Kicis
Para ser aplicada, a prática criada pelo professor Mikao Usui no Japão em 1922 independe de crença ou mentalização. O receptor pode se sentar em uma cadeira ou se deitar em uma maca. O reikiano aplica a técnica de imposição de mãos nos pontos energéticos principais do corpo – os chakras – com o objetivo de neutralizar as energias e reduzir sintomas como dores físicas e emocionais. “A energia reiki é muito boa para a cura de vícios. Ao recebê-la, a vibração do paciente muda. Essa energia nos dá essa possibilidade de não sermos impotentes diante da vida” ressalta Beatriz, que já formou mais de 5 mil alunos.

O reiki é uma filosofia de vida que vem ganhando adeptos no Brasil desde a década de 1980. Os alunos aprendem os princípios básicos da prática, que, segundo a mestre Beatriz, podem ser colocados em prática em qualquer situação cotidiana: pense somente no hoje, não sinta raiva, não se preocupe, seja grato, pratique a gentileza e trabalhe honestamente. Para difundir a prática no DF, Beatriz e seu grupo de alunos aplicam reiki gratuitamente à comunidade todas as segundas-feiras, às 20h, na sede da Escola Brasileira de Reiki, no bloco C do comércio da 111 Norte.

Outra forma de terapia alternativa que conquista adeptos, a fitoterapia tem mostrado sua eficiência em casos que a medicina convencional pode não encontrar respostas. “Muitos pacientes vêm até o consultório porque não conseguiram um diagnóstico preciso. Com a ajuda de outros métodos conseguimos descobrir o que está acontecendo e usamos propriedades das plantas para a cura”, afirma o fitoterapeuta Túlio Americano, que se dedica profissionalmente ao tema desde os anos 1980.
 
'Tem gente que acredita que o medicamento, quanto menos sintético, menos resolutivo. A fitoterapia está aí para provar o contrário',diz o fitoterapeuta Túlio Americano (Raimundo Sampaio/Encontro/ D.A Press)
"Tem gente que acredita que o medicamento, quanto menos sintético, menos resolutivo. A fitoterapia está aí para provar o contrário",diz o fitoterapeuta Túlio Americano
A cura através das plantas é uma prática milenar, aplicada de diferentes formas em várias regiões do mundo. Túlio utiliza conhecimentos de vários países como Japão, Tailândia, Estados Unidos e Brasil, grande parte atrelada a ensinamentos de comunidades tradicionais. Entre as vantagens da fitoterapia, de acordo com o especialista, estão a ausência quase total de efeitos colaterais, a universalidade e a efetividade dos tratamentos. “Nos remédios naturais, as doses tóxicas são muito poucas se comparadas às doses terapêuticas. As plantas conseguem curar o paciente de vários sintomas ao mesmo tempo e conseguimos atingir um índice de resolutividade até maior do que os medicamentos sintéticos em altas dosagens”, destaca. Ele afirma que um dos paradigmas quebrados pelo tratamento é a máxima de que altas dosagens podem garantir efetividade. “Tem gente que acredita que, quanto menos sintético, menos resolutivo é o medicamento. A fitoterapia está aí para provar o contrário.” Mesmo defendendo o uso dos princípios ativos das plantas para o restabelecimento da saúde, o especialista é categórico ao afirmar que os remédios sintéticos não podem ser descartados em casos de doenças graves. “Em situações oem que o tempo está contra as pessoas, o medicamento sintético é insubstituível. O erro é geralmente utilizar esse tipo de medicamento de forma banalizada”, sintetiza
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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017