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PET | FOTOGRAFIA »

Com pinta de artista

A moda de fazer book de pets ganha admiradores na internet e está chegando com força à Brasília

Paloma Oliveto - Publicação:29/03/2016 11:50Atualização:29/03/2016 12:37
Quando Humphry foi para casa, o casal australiano Matt e Abby resolveu eternizar cada momento junto ao pequenino. O casal contratou a experiente fotógrafa Elisha Minnette para clicá-los nas tradicionais poses da chegada do bebê. Tem foto de Humphry no carrinho, dormindo enrolado na manta, sentado na cestinha, dando os primeiros passos, com os pezinhos no meio dos pés do pai e da mãe... Até aí, nada de extraordinário. A não ser o fato de Humphry ter quatro patas, orelhas compridas e pelos fartos. Ele não é um menininho, mas um cachorro.

Era para ser uma brincadeira de Matt e Abby, que tiveram a ideia de fazer um book do filhote quando voltavam do canil onde o buscaram. Não valia qualquer foto: tinha de ser tal e qual os retratos de recém-nascidos que fazem sucesso entre as famílias. Ao postar o resultado no Facebook, o casal virou celebridade na internet. O fofíssimo Humphry estava em sites do mundo todo. Ele, aliás, foi um dos que mais se divertiu com a sessão: para ficar quietinho, ganhava petiscos. “Foi hilário”, contou Elisha Minnette, em entrevista ao site BuzzFeed.
 
Newborn de um pet: a ideia de fazer um book do pequeno Humphrey começou como brincadeira e deu fama ao casal australiano Matt e Abby na internet (Elisha Minette/Divulgação
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Newborn de um pet: a ideia de fazer um book do pequeno Humphrey começou como brincadeira e deu fama ao casal australiano Matt e Abby na internet
 
Mesmo para quem não tem planos de fazer algo idêntico, contratar um fotógrafo para registrar os melhores momentos do pet pode ser uma boa ideia. Em São Paulo, já existem empresas especializadas em realizar ensaios de cachorros e gatos. Em Brasília, ainda falta aos profissionais descobrir esse filão promissor – afinal, o país é o terceiro mercado mundial de produtos para pets, e o Distrito Federal é a unidade da federação com maior número de animais de estimação por habitante.

Apaixonado por animais, o fotógrafo Frank Carvalho vai começar a investir nos books de pets em Brasília. Com a experiência de quem já fez diversos trabalhos para canis, agora ele se diz pronto para partir para um trabalho voltado aos que desejam imortalizar a imagem de seus cães e gatos. Um tipo de álbum que Frank vai oferecer é o de filhotes, no estilo “newborn”, como o feito pelo casal Matt e Abby com o cãozinho Humphry. Outra ideia é a de levar todo mundo para o estúdio e clicar as tradicionais fotos de família: pai, mãe, avós, tios, primos e, claro, os peludos.
 
Em Brasília: apaixonado por animais, o fotógrafo Frank Carvalho vai começar a investir nos books de pets na cidade (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Em Brasília: apaixonado por animais, o fotógrafo Frank Carvalho vai começar a investir nos books de pets na cidade
 
O primeiro pet fotografado por Frank foi Schummy, schnauzer que deu de presente à irmã. Depois, vieram os trabalhos profissionais para canis. Com os modelos de quatro patas, ele aprendeu que, além de amor e paciência, é preciso petisco para conseguir boas fotos. “Não é difícil fotografar animais, mas é um desafio. Você tem de conhecer bem o comportamento dele e escolher o momento certo. O ideal é que os donos estejam perto, para que ele se sinta seguro”, ensina. “Também tem os artifícios, como a psicologia da compensação. Para conseguir a atenção do animal, o fotógrafo pode usar bichos sonoros e brinquedos”, ensina.

Apesar de não ter diploma de fotógrafa profissional, a veterinária Ana Carolina Assunção acumula intimidade com a máquina. No início da década de 1990, ela ganhou o concurso de fotos de uma importante montadora de automóveis e nunca mais parou. No começo, os humanos – crianças, em especial – eram o foco do trabalho. Com o tempo, cães e gatos passaram a protagonizar, também, as produções de Ana Carolina.
 
O perfil da veterinária Ana Carolina Assunção bomba no Instagram: cães e gatos são protagonistas (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
O perfil da veterinária Ana Carolina Assunção bomba no Instagram: cães e gatos são protagonistas
 
Quem segue o perfil da veterinária no Instagram se diverte com as fotos da golden Summer nas mais diversas poses. Fantasiada de Olaph (o boneco de neve de Frozen), equilibrando um copo na cabeça, correndo com uma bolinha na boca ou nadando com os amigos de quatro patas, ela parece uma “top model” nata. Mas não é a única. Balde, o gatinho de Ana Carolina, também já posou vestido de Minion, morcego e ET, embora, geralmente, apareça in natura, encarando as lentes com o tradicional olhar blasé dos bichanos. “Para pose, ele colabora menos, tem dias que não está afim. Aí, é claro que não forço”, explica a veterinária. Já Summer adora ser clicada.

Amiga de vários donos de cachorros – especialmente goldens –, Ana Carolina virou a fotógrafa oficial da turma de peludos. Às vezes, eles combinam de juntar os pets para as sessões de fotos, com até 17 “modelos”. Nessas ocasiões, a veterinária explica que costuma colocar todo mundo para se cansar, brincando bastante, antes de começar as poses. Também ajuda o fato de os cães conhecerem comandos básicos – principalmente o “fica” e o “dá a patinha”. “Para eles, aquilo é uma grande brincadeira. Alguns já até conhecem o barulho da máquina”, conta Ana Carolina, que usa um modelo manual.
 
 (Frank Carvalho e Ana Carolina Assunção)
 
Para não perder nenhum momento da trupe, ela costuma programar o equipamento no disparo automático. “Geralmente, em 10 minutos, tiram-se 10 fotos. Para sair uma perfeita, são necessárias 50, 60”, explica. O resultado são divertidíssimas imagens de goldens pulando na piscina, vestidos de papai noel, assistindo missa juntinhos. Em breve, a veterinária pretende sair de trás da câmera e posar como modelo em um book que quer fazer com Duda, sua cadelinha.

“Esse é um bom momento para fazer um ensaio, quando o animal está com idade mais avançada, você faz e guarda para recordação, como um álbum de família”, opina o fotógrafo Frank Carvalho. Para quem pensa que basta um smartphone e um belo cão, ele avisa que um resultado profissional depende muito do equipamento e de questões técnicas, como a equalização da luz, a velocidade e o uso da lente certa.
 
 (Arte/Encontro)
 
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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017