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VEÍCULOS | Lançamento »

Picape urbana

A chegada da picape Toro, resultado da parceria Fiat e Jeep, transforma em realidade um antigo projeto da marca italiana

Fábio Doyle - Publicação:29/03/2016 12:44Atualização:29/03/2016 15:19

A aparência robusta transmite a impressão de que a picape Toro é maior do que realmente é (Divulgação)
A aparência robusta transmite a impressão de que a picape Toro é maior do que realmente é
Quem é o cliente da picape Toro? Foi essa a pergunta formulada por um revendedor Fiat de Belo Horizonte ao reunir clientes para a apresentação da nova picape média da  Fiat Chrysler Automobile (FCA). A resposta é ainda uma incógnita. Não será apenas o cliente fazendeiro, que busca um meio de transporte com caçamba capaz de vencer terrenos difíceis, que marca o DNA de quem usa camionetes. As características da Toro atendem a esse quesito, mas vão além.


O projeto, resultado da parceira Fiat e Jeep, tem marcante personalidade urbana. Como um SUV, a Toro é um veículo alto com design que transmite força, desenvoltura e domínio, características apreciadas principalmente pelas mulheres, para quem o tamanho e a altura do carro são sinônimo de segurança no trânsito.
Sobre os SUVs, a Toro traz ainda a vantagem de oferecer a caçamba. Esse aspecto, mais voltado para o lado racional, deve agradar mais aos homens, que, mesmo sem ter sítio ou fazenda, vira e mexe precisam transportar objetos de formatos inusitados e maior tamanho, que não cabem em porta-malas fechados. Se for adepto de bikes e motos, melhor ainda. A caçamba da Toro pode carregar 820 litros. Isso é quase o triplo que suporta o bagageiro do Renegade, com quem a picape Toro divide a plataforma.


O maior desafio na construção de uma picape que pretende oferecer, ao mesmo tempo, as qualidades práticas de um veículo de carga e de trabalho e as características de conforto e segurança de um automóvel de passeio está no aspecto do conforto e estabilidade. Quem já viajou no banco traseiro de uma picape cabine dupla enfrentando lombadas, buracos e pisos irregulares sabe o incômodo que causa. A sensação é de total desconforto, que se acentua ainda mais com a caçamba vazia. É uma pulação sem fim. Parece que estamos montando um cabrito.


O avanço nas soluções tecnológicas dos sistemas de suspensão, nos amortecedores, vem reduzindo esse incômodo ao longo dos anos, mas ele ainda está presente nas picapes atuais. Até agora, entre as que já foram experimentadas por nossa reportagem, a que menos transmite os trancos para os passageiros é a Amarok, da Volkswagen.


A FCA afirma que a Toro tem dirigibilidade e conforto de um carro de passeio de última geração. Para comprovar isso, apresentou de forma detalhada aos jornalistas participantes do encontro de lançamento, em painéis técnicos, todas as soluções desenvolvidas e utilizadas no projeto. Entre esses, chama a atenção a suspensão independente na dianteira e traseira, uma solução pouco usual em picapes. A dianteira traz o sistema McPherson e a traseira é uma sofisticada multilink (multibraços). “Os sistemas são fixados na carroceria por apoios de elementos elásticos especiais, que garantem total isolamento e silêncio para os ocupantes, mesmo em pisos esburacados”, explica a engenharia da FCA.

É também em decorrência dessa solução, unida à tração predominantemente dianteira e longa distância entre-eixos, que a Toro oferece um rodar macio e sem trancos. Trata-se, porém, de um novo segmento. Até então, picapes com essas características, para serem realmente confortáveis, eram quase que obrigatoriamente muito grandes. Detalhe que incomoda, principalmente pela dificuldade de conduzir e estacionar um ‘trambolho’ nos centros urbanos brasileiros. As vagas demarcadas nos estacionamentos são muito apertadas. Parece que os projetistas consideram que a frota circulante do país se limita a automóveis compactos.

 

A Toro tem comprimento de 4,91 metros, o mesmo de um sedã médio como o Audi A6. Para efeito de comparação, a Chevrolet S10 tem 5,35 m, além de ser 5 cm mais larga que a picape Toro. O espaço da cabine dupla é comparável ao de um automóvel médio. A impressão é ser idêntico ao do Renegade, que emprestou à nova picape Fiat o acabamento interno e o formato dos bancos, reforçando sua personalidade urbana.


O test-drive organizado para a imprensa durante o lançamento não incluía trechos off-road, o que pode ser um sinal de que a picape Toro não tem vocação para desbravar trilhas radicais, apesar da oferta de versões 4x4, sem caixa de redução. O sistema que gerencia automaticamente a tração prioriza a função de otimizar a dirigibilidade e o conforto e com menor ênfase a de proporcionar aderência e força para escaladas radicais.


As versões mais caras têm uma ampla lista de soluções tecnológicas, outra indicação de sua personalidade urbana. Uma que merece ser destacada é a que, a distância, por meio de um dispositivo de controle remoto, permite não apenas destravar as portas, como também colocar o motor em funcionamento e ligar o ar-condicionado. Outra inovação é a possibilidade de o comprador incluir a relação de acessórios desejados, que serão instalados na unidade adquirida ainda na linha de produção da fábrica em Goiana, Pernambuco. É o início do processo de customização da indústria automobilística.


A picape Toro é a segunda representante do novo segmento das picapes médias compactas. Antes chegou a Renault Oroch, derivada do SUV Duster, que custa menos (a partir de 64 mil reais), mas é mais espartana: não tem caixa automática e não oferece a opção do motor a diesel.


Se o perfil dos clientes para a picape Toro ainda gera dúvidas, o certo é que, com esse projeto, a FCA Brasil inicia uma nova era no mercado brasileiro. O sonho de ter um representante no segmento de picapes de porte médio no Brasil era acalentado pela Fiat há tempos, desde 2006, quando o grupo indiano Tata Motors iniciou joint venture (já encerrada) com o grupo italiano

Picape Toro (Reprodução)
Picape Toro

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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017