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NAS TELAS »

John Hughes faz muita falta

José João Ribeiro - Colunistas Publicação:30/03/2016 09:19
O clássico Curtindo a Vida Adoidado está completando 30 anos do seu lançamento. Uma comédia inesquecível do gênio John Hughes, falecido em 2009, o pai do cinema adolescente na década de 1980. Uma história simples e ingênua, para os atuais padrões, do moleque gaiato, que com o melhor amigo e a namorada fazem o diabo para cabular um dia de aula. Tamanha nostalgia deixa mais latente a falta de um estilo de alto nível e tão particular como do visionário John Hughes, que foi tudo em Hollywood, desde roteirista, produtor, diretor, até alcançar o clube dos criadores de indeléveis tendências, que fizeram a cabeça de toda uma geração.

O garoto Ferris, de Chicago, era o que qualquer menino sonhava parecer naquela época. O novinho Matthew Broderick dominava um carisma gigante no papel que o projetou no cinema. Aliás, nunca mais o ator repetiu um personagem com tanta empatia junto ao público. Em outro blockbuster que protagonizou, Matthew só emprestava a voz, em O Rei Leão, dublando o jovem Simba. Com grande talento e versatilidade, o eterno ídolo Ferris soube se reinventar, transformando-se em uma das estrelas mais bem pagas nos musicais da Broadway.

Com o conflito de misturar ator e personagem, Matthew Broderick disputava com Michael J. Fox o símbolo de ser o rosto daquela década. Por trás das câmeras, o cérebro e o coração do cinema teen era o “bicho de cinema” John Hughes, que varreu a linguagem chula, a pornografia barata e a escatologia dos filmes feitos e pensados para o espectador jovem.

A ternura e um imenso cuidado e respeito com o público em fase de crescimento produziram comédias, hoje produções na lista de cults, a exemplo de Gatinhas e Gatões, Clube dos Cinco, A Garota de Rosa-Shocking e Ela Vai Ter Um Bebê.
 
Nos 30 anos do clássico Curtindo a Vida Adoidado, a genialidade do diretor John Hughes está sendo lembrada, e exaltada (Reprodução)
Nos 30 anos do clássico Curtindo a Vida Adoidado, a genialidade do diretor John Hughes está sendo lembrada, e exaltada
 
Mas a consagração do gênero aconteceu com Curtindo a Vida Adoidado, a surpresa na concorrida temporada de verão de 1986, nos Estados Unidos. Uma produção em que absolutamente tudo deu certo: da picardia à aposta em nomes desconhecidos. A irmã de Ferris, vivida pela atriz Jennifer Grey, parceira de Patrick Swayze em Dirty Dancing, poucos anos depois, começa na trama rivalizando com o irmão, um gênio na arte dos trambiques. Paga o preço indo parar numa delegacia, onde conhece um cara com jeitão punk, nada mais, nada menos que Charlie Sheen, em uma de suas primeiras aparições no cinema.

Todos muito jovens, com carreiras promissoras e descobertos pelo Midas da rebeldia John Hughes, que cinco anos depois ganhou seu único prêmio, apesar de uma incrível trajetória, como produtor do ano, quando inventou a febre Macaulay Culkin, produzindo e roteirizando o fenômeno Esqueceram de Mim (1990).

John Hughes, infelizmente, não fez escola. O cinema nerd de qualidade regrediu bastante nos últimos anos. O cineasta Judd Apatow, talvez, seja o que mais se aproxima do padrão criado pelo saudoso mestre das matinês para a garotada. Judd investe, atualmente, em comédias e séries para a televisão, caso das deliciosas Love (Netflix) e Girls (HBO). Certamente foi cria da genialidade do inventor de Ferris Bueller. Como se diz no filme: Save John Hughes!
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017