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COLUNA | NAS TELAS »

A rivalidade dos heróis

José João Ribeiro - Colunistas Publicação:02/05/2016 08:46Atualização:05/05/2016 09:56
O lançamento triunfal não poupou a superprodução Batman VS Superman: A Origem da Justiça de sofrer com a fúria de uma crítica desapontada com o resultado. No entanto, o filme do diretor Zack Snyder pavimenta o sonho bilionário de criar uma franquia de filmes dos super-heróis da Liga da Justiça – a grande meta da DC Comics de competir com a Marvel, comprada pela Disney, que por muitas décadas comeu poeira da parceira da Warner Bros. Mas nada impede que os ajustes aconteçam e que tanto o Superman quanto o Batman reassumam o posto de ícones máximos da cultura pop.

Na nova produção, Batman/Bruce Wayne, interpretado pelo premiadíssimo Ben Affleck, presencia a destruição de Metropolis, quando do confronto do Superman/Clark Kent (Henry Cavill) com o General Zod, parte da sequência final de O Homem de Aço (2013). O estrago colossal deixa o Homem-Morcego com um pé atrás pela figura e força descomunal do filho de Jor-El. A antipatia é mútua, porém, com as interferências de um lunático Lex Luthor (Jesse Eisenberg), essa rivalidade ganha contornos de briga pela sobrevivência, ou de uma guerra que resvala nos cidadãos de Gotham e de Metropolis.
 
O diretor Zack Snyder se inspira, novamente, na trilogia do Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan, grande êxito da DC Comics nos últimos anos. Contudo, Zack não consegue imprimir o ambiente sério, conspiratório e claustrofóbico visto, principalmente, na segunda parte da saga comandada por Nolan. Tanto esforço não foi suficiente, com a narrativa perdendo ritmo, arrastando-se em grande parte do meio das quase três horas de projeção.
 
Briga dos heróis: Batman VS Superman representa o ponto de partida para que os personagens da DC Comics cheguem às telonas nos próximos anos (Divulgação)
Briga dos heróis: Batman VS Superman representa o ponto de partida para que os personagens da DC Comics cheguem às telonas nos próximos anos
 
De qualquer maneira, Batman VS Superman representa o ponto de partida para que os personagens da DC Comics cheguem às telonas nos próximos anos, seja em conjunto na reunião da Liga da Justiça, seja através de projetos solo. Um afastamento de Zack Snyder parece ser a primeira atitude prudente para a plena consolidação desse plano.

Na escalação para B v S, a grande expectativa é ver Ben Affleck vestindo o uniforme do Batman. O astro domina o filme, o que não é nenhuma surpresa para quem conhece seu poder dentro dos estúdios. Mas Ben exagerou na seriedade. Faltam ironia e leveza no novo Bruce Wayne, o que parece ter sido esquecido em todo o longa-metragem. O Superman de Henry Cavill não incomoda, principalmente aos fãs. Henry soube detectar suas limitações em O Homem de Aço demonstrando nítida evolução na segunda vez defendendo o papel de Superman. Parte vital do elenco e das pretensões de lucro, uma lindíssima Gal Gadot tem potencial como a nova Mulher Maravilha.

A briga dos heróis ultrapassa os domínios da DC. Com a estreia de Capitão América: Guerra Civil, no final de abril, a Marvel pode confirmar sua soberania no gênero. Praticamente, todo o cast de Os Vingadores foi escalado, com o reforço gigante do Homem-Aranha/Peter Parker, antes propriedade exclusiva da Sony. A Marvel domina, sem precedentes, as adaptações dos quadrinhos para o cinema. E pensar que, até poucos anos atrás, Batman e Superman, separados, eram maiores do que todos os Avengers juntos.
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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017