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SAÚDE | VITAMINA D »

Os perigos de não tomar sol

Antes considerada nociva, a radiação solar é importante para o bom funcionamento do organismo, mas com moderação

Dominique Lima - Redação Publicação:04/05/2016 14:13Atualização:05/05/2016 09:58
Apesar de parecer contraditório que a mesma luz seja perigosa e indispensável, os especialistas aconselham: é preciso que o bom senso prevaleça (Carlos Vieira/CB/D.A. Press)
Apesar de parecer contraditório que a mesma luz seja perigosa e indispensável, os especialistas aconselham: é preciso que o bom senso prevaleça
A época em que se adotava a prática de esturricar ao sol passou. Os riscos da radiação se tornaram bastante difundidos ao longo das últimas gerações. A necessidade de evitar o sol entre as 10h e as 16h, usar filtro solar sempre e diminuir os períodos sob a luz tornaram-se hábitos dos brasileiros. Fugir totalmente do sol, no entanto, também pode ser nocivo à saúde. A radiação ultravioleta é essencial para o metabolismo da vitamina D. Por essa razão, médicos têm se preocupado em aconselhar pacientes a manter equilíbrio, certificando-se que estão tomando um nível mínimo de radiação por dia.

O necessário para garantir a síntese da vitamina D – que, na realidade, é um hormônio produzido pelo organismo, não uma vitamina propriamente dita – é a exposição ao sol. Ela é responsável pela saúde dos ossos e dos músculos. “Protetores solares com proteção acima de fator 15 podem impedir a formação adequada de vitamina D. Por outro lado, a exposição solar sem o uso do produto pode aumentar os riscos de câncer de pele. É importante que cada pessoa se aconselhe com o seu médico de como poderá tomar sol. Ele avaliará essa necessidade e pode orientar conforme a idade, os hábitos de vida e a alimentação”, alerta a endocrinologista do laboratório Exame, Rosita Fontes.
 
A maioria das pessoas que fazem o exame para avaliar a vitamina D hoje percebe algum tipo de déficit, de acordo com o médico Julian Machado (Raimundo Sampaio/Encontro/ DA Press)
A maioria das pessoas que fazem o exame para avaliar a vitamina D hoje percebe algum tipo de déficit, de acordo com o médico Julian Machado

A falta de quantidade adequada desse hormônio prejudica a calcificação dos ossos, tornando-os quebradiços, e pode ainda levar à sarcopenia, doença em que os músculos perdem massa e força, muito comum em pessoas idosas. A relação entre a vitamina D e as duas doenças estão muito bem definidas pela ciência. Novas pesquisas, no entanto, também relacionam a presença da vitamina no organismo com a prevenção de alguns tipos de câncer.

Casos cada vez mais frequentes de deficiência de vitamina D em países ensolarados como o Brasil chamou a atenção da comunidade científica. Anteriormente se acreditava que habitantes das regiões tropicais do planeta não sofreriam da falta desse hormônio. Questões comportamentais, no entanto, transformaram essa realidade. Segundo Julian Machado, coordenador de ortopedia do Hospital Santa Lúcia e presidente regional da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, a maioria das pessoas que fazem o exame para avaliar a vitamina D no país hoje percebe algum tipo de déficit, mesmo que mínimo: “É muito importante, por isso, estimular uma boa alimentação, maior consumo de verduras, principalmente as verde-escuras, que são ricas em cálcio também”.

Médicos têm recomendado cuidados minuciosos para crianças, gestantes e idosos, grupos mais propensos a sofrer a deficiência. O tratamento é a suplementação por meio de medicamentos. Isso porque, como a produção do hormônio não depende apenas da radiação solar, não adianta apenas aumentar o tempo de exposição ao sol. Além disso, há um limite máximo de exposição ao sol considerado saudável.

Segundo a dermatologista Wanessa Barbosa, do Hospital Anchieta, o ideal é evitar mais do que 10 minutos de radiação direta do sol por dia no Brasil, e é necessário que essa exposição seja sempre até as 9h ou depois das 16h. Mais do que isso, pode ser fonte de preocupação, havendo aumento do risco de aparecimento de manchas, como melasmas e melanoses. A exposição ao sol acima do recomendado incrementa ainda as chances de desenvolvimento de câncer de pele.
 
'O sol que tomamos no braço enquanto estamos no carro ou no ônibus já é o suficiente', explica a dermatologista Wanessa Barbosa (Arquivo pessoal)
"O sol que tomamos no braço enquanto estamos no carro ou no ônibus já é o suficiente", explica a dermatologista Wanessa Barbosa

Mesmo com a diminuição do hábito de tomar sol, é comum que a pessoa atinja a necessidade mínima de exposição para metabolismo da vitamina D durante seu dia a dia. “O que todos tomamos no braço enquanto estamos no carro ou no ônibus ou em qualquer caminhada rápida já é o suficiente”, explica a dermatologista. Na hora de tomar sol, a região da face, colo e pescoço merece atenção redobrada. A razão é que essas áreas são as mais expostas ao longo da vida, acumulando os efeitos da radiação. Não é por acaso que 90% dos casos de câncer de pele aparecem nessa região.

Apesar de parecer contraditório que a mesma luz seja perigosa e indispensável, os especialistas aconselham sempre que o bom senso prevaleça. A servidora aposentada Rita Pedreira tenta manter esse equilíbrio. Baiana, fã de sol, ela diz que a luz solar é importante até para seu humor. Por isso, faz questão de estar ao ar livre todos os dias. Quando não sai para caminhar ou correr no Parque da Cidade, ela prefere ir a pé à academia e aproveita os minutos de sol durante o trajeto. Além disso, faz parte de um grupo que se apelidou de Amigas do Sol e se encontra em clubes frequentemente, mas elas não se expõem à radiação solar depois das 11h. E nunca sem protetor solar. O resultado do contato com a luz solar deu muito certo para a manutenção de uma boa saúde. “Acho que o sol não é o único fator que contribui. É parte de uma série de cuidados. A alimentação acompanhada por nutricionista e a atividade física também auxiliam muito na qualidade de vida”, diz.
 
Rita Pedreira tem idade óssea mais jovem que sua idade real: ela diz que a presença de luz solar é importante até para seu humor (Raimundo Sampaio/ Encontro/ DA Press)
Rita Pedreira tem idade óssea mais jovem que sua idade real: ela diz que a presença de luz solar é importante até para seu humor
 
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017