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Atenção à vida

Em sua terceira edição, o movimento Maio Amarelo mobiliza sociedade civil e órgãos públicos em iniciativas mundiais para reduzir os acidentes nas ruas

Jéssica Germano - Redação Publicação:05/05/2016 09:18Atualização:05/05/2016 09:59
No ano passado, um recorde foi registrado: o número de acidentes com mortes foi o menor dos últimos 20 anos no Distrito Federal, mesmo com a frota de carros tendo triplicado. O dado é um orgulho que destaca Brasília frente a outras capitais brasileiras, por possuir índices de ocorrências costumeiramente menores do que a média no país. É com o intuito de seguir nessa via, e melhorar pontos como a convivência crescente entre motoristas e ciclistas, que o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) toma frente de uma série de ações educativas e promove mais de um mês voltado para a atenção nas ruas.
 
Congresso Nacional iluminado na campanha Maio Amarelo de 2015: o projeto pede atenção para os acidentes de trânsito e faz alusão a uma epidemia real nas pistas (Carlos Moura/CB/DA Press)
Congresso Nacional iluminado na campanha Maio Amarelo de 2015: o projeto pede atenção para os acidentes de trânsito e faz alusão a uma epidemia real nas pistas
 
A iniciativa é mundial. Em 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou a Década de Ação para Segurança no Trânsito, que, até 2020, tem o objetivo de salvar 5 milhões de vida. No país, é o Observatório Nacional de Segurança Viária que encabeça o movimento. "O número de acidentes no Brasil é muito grande ainda", destaca Gláucia Simões, diretora de educação no trânsito do Detran-DF.

É por conta desse quadro também a escolha da cor - no trânsito relacionada à atenção – para simbolizar o movimento batizado de Maio Amarelo.

Comparado a outras iniciativas que combinam o cuidado com a vida à iluminação colorida de edifícios, o projeto faz alusão a uma epidemia real nas pistas. E a preocupação recai sobre as cidades. De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), 84% dos acidentes ocorrem em zonas urbanas, e não em rodovias.
 
 (Arte/Encontro)
 
Na terceira edição da campanha, que começa previamente em 22 de abril, o tema destaca a necessidade do cinto de segurança, em especial no banco de trás, e da redução de velocidade. "Mas neste ano nós estamos tentando um engajamento maior", anuncia a diretora de educação. "Nós conseguimos uma redução significativa nos acidentes de carro nos anos anteriores, mas para o ciclista, infelizmente, não tivemos esse índice de redução." Em 2015, um total de 30 condutores de bicicleta morreram enquanto pedalavam pelas ruas do DF, 10 a mais do que no ano anterior (veja os números completos acima).

O público sob duas rodas passa, então, a receber atenção maior neste período, já que corresponde a um reflexo claro de mudança de comportamento na mobilidade urbana da cidade. "O movimento, neste ano, para Brasília tem o objetivo de sensibilizar pelo compartilhamento da via para todos os envolvidos", declara Gláucia Simões.
 
A diretora de educação no trânsito do Detran-DF, Gláucia Simões: engajamento maior em 2016 (Vinícius Santa Rosa/Esp. Encontro/DA Press)
A diretora de educação no trânsito do Detran-DF, Gláucia Simões: engajamento maior em 2016
 
 
Para que os números melhorem, será realizada uma série de ações conjuntas, unindo sociedade civil, como associações, universitários e escolas, e poder público. Uma ação por dia está prevista para o Maio Amarelo, além da intensificação de blitze educativas e de fiscalização. "Nós atendemos um público de mais de 12 mil pessoas no ano passado", orgulha-se a educadora.

E Brasília segue com bons procedentes. Foi durante a campanha de 2015, em maio, que a capital registrou o recorde anual de maior período sem nenhuma morte no trânsito: cinco dias seguidos sem ocorrências com óbitos. Para o diretor do Detran-DF, Jayme Amorim, as mudanças na chamada Lei Seca andam em mão única com os números. "O impacto na redução de acidentes está relacionado às mudanças de penalidades", acredita. O aumento no valor da multa aplicada, no prazo de suspensão da carteira de habilitação e o fato de que agora é considerado crime dirigir sob o efeito de álcool fortalecem a lista. "O maior rigor na lei com certeza acaba influenciando no comportamento das pessoas", conclui o diretor.

O uso do celular ao volante é outro ponto que deve voltar, em breve, a receber destaque pelas ações do Departamento de Trânsito no Distrito Federal. Apesar de os acidentes em decorrência do aparelho tecnológico junto à direção serem uma estatística mascarada, já que o condutor pode não assumir o uso após a ocorrência, as estatísticas assustam. Só no ano passado foram emitidas quase 50 mil multas a motoristas que dirigiam e usavam telefone, sendo que em apenas um caso houve relato de uso durante o acidente.

Questionado, o diretor do Detran-DF não precisa de muito tempo para elencar o que mais pesa nesses números. "O nosso maior inimigo é a falta de atenção ao volante", diz Jayme Amorim. Desde o uso do celular até mexer no som ou repreender uma criança no banco de trás, qualquer distração pode gerar colisões, segundo ele. "Prever situações de risco é algo importante quando se está dirigindo”, frisa. “O trânsito é algo que não para."
 
Jayme Amorim, diretor do Detran-DF: 'O nosso maior inimigo é a falta de atenção ao volante' (Raimundo Sampaio/Encontro/DA Press)
Jayme Amorim, diretor do Detran-DF: "O nosso maior inimigo é a falta de atenção ao volante"
 
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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017