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NAS TELAS | José João Ribeiro »

Os heróis em estado de graça

José João Ribeiro - Colunistas Publicação:20/05/2016 14:51Atualização:23/05/2016 10:17

Quando, em 2008, a Marvel decidiu não mais delegar o destino dos seus personagens a produtores e estúdios estranhos, talvez não tivesse a segurança de que, anos depois, faria a DC Comics (sua concorrente direta) ocupar o segundo lugar no imaginário dos fãs mais aguerridos. Era o ano do primeiro Homem de Ferro e até a escalação de Robert Downey Jr., recém-recuperado do pesadelo das drogas, sobressaltava a indústria cinematográfica. Se contar o tempo da produção, mais de 10 anos se passaram e, com o novo Capitão América: Guerra Civil, podemos assistir ao mais perfeito e fantástico modo de fazer um filme de super-heróis.


Guerra Civil, com direção de Anthony e Joe Russo, significa o controle e a experiência de como tratar uma marca, sem esforços artificiais, com tudo parecendo fluir na mais prazerosa brincadeira. Os olhos enganam, uma vez que na realidade estamos tratando de uma franquia bilionária, comprada numa jogada de mestre pelos Estúdios Disney. O longa-metragem remete a uma versão turbinada de Os Vingadores, mas que tem o Capitão América (Chris Evans) à frente, até por se tratar de uma sequência do segundo filme, O Soldado Invernal, de 2014. Aliás, Chris Evans merece o protagonismo por ter achado a pegada certa para representar o Capitão Steve Rogers. Muita segurança e talento, que não escapam da percepção do público, seja ele da linha mais fanática ou o mero apreciador do gênero pipoca.

Na trama, a equipe superpoderosa falha em uma missão na África e isso é a gota d’água depois da catástrofe acontecida com o ataque de Ultron. Surge a proposta de controle do grupo por um comitê da ONU, com a intenção de vigiar e moderar suas ações, para que novas tragédias possam ser evitadas. O Capitão América não concorda com esse tratado, tecendo uma série de ponderações.

 

Guerra Civil representa a experiência de como tratar uma marca: tudo parece fluir na mais prazerosa brincadeira (Divulgação/ Marvel )
Guerra Civil representa a experiência de como tratar uma marca: tudo parece fluir na mais prazerosa brincadeira

 

Já o Homem de Ferro, ou melhor, o prático Tony Stark (Robert Downey Jr.) não vê nenhum problema em submeter a equipe a esse tipo de vigilância. Ao mesmo tempo, o Capitão América sente o dever moral de resgatar o amigo Bucky Barnes (Sebastian Stan), o Soldado Invernal, transformado em antagonista pelos inimigos do passado. Com a polêmica na pauta, acontece um racha entre os compadres, gerando a guerra civil do título.


Um filmaço, forte concorrente ao posto de melhor produção dessa temporada de arrasa-quarteirões, com uma história muito simples, de fácil compreensão, cheia de surpresas, reviravoltas e grandes revelações. Tudo que Batman VS Superman prometeu e, pela megalomania de Zack Snyder, ficou devendo aos fãs dos quadrinhos da DC. Até pela proximidade, inevitável não fazer comparações.

Deixando de usar o 3D de forma banal, os irmãos Russo sobem de status em Hollywood com a expectativa de dirigirem os próximos dois filmes dos Vingadores. Guerra Civil, além da ousadia, da riqueza de imagens, de todo o conjunto, ainda é o marco da estreia do melhor Homem-Aranha já visto nas telonas. Peter Parker, personagem mítico do genial Stan Lee, é interpretado pelo descolado moleque Tom Holland, grande promessa do cinema norte-americano. Festa para o público, que é presenteado com a parceria da Sony, dona dos direitos do personagem, com os Estúdios Marvel.

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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017