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ESPECIAL MAIO | Fitness »

Mamães saradas

Atividades físicas praticadas durante a gestação promovem a melhora da saúde na maternidade e a interação afetiva com o bebê. E os cuidados assistidos continuam depois do parto

Wal Sousa - Publicação:23/05/2016 13:46Atualização:23/05/2016 14:00
Na BodyTech, as aulas de sling dance conquistam mamães recentes: conforto diante das mudanças ocorridas no corpo das gestantes (Raimundo Sampaio/ Encontro/ D.A Press)
Na BodyTech, as aulas de sling dance conquistam mamães recentes: conforto diante das mudanças ocorridas no corpo das gestantes
Já disse o poeta Coelho Neto: “Ser mãe é andar chorando num sorriso / é ter um mundo e não ter nada/ ser mãe é padecer num paraíso”. Mas se diversas mulheres têm o sonho da maternidade, quando vem a confirmação de que um bebê está a caminho, muitas delas sentem um emaranhado de sensações: alegria, medo, ansiedade – sempre acompanhado de mudanças físicas e hormonais.

O que nem todas sabem é que é possível tornar esse período prazeroso e tranquilo, preparando o corpo e a mente por meio da prática de exercícios físicos indicados para gestantes e mães de recém-nascidos. Como exemplo, há hidroginástica, alongamento, ioga, musculação e sling dance ou dança materna, esta última feita com o bebê. Essas atividades físicas promovem o bom funcionamento do organismo, por isso, gestantes e mães podem (e devem) praticá-las, a não ser que haja recomendação médica contrária.
 

'No período gestacional, os benefícios da prática de exercícios são inúmeros', garante Dani Rico, especialista em atividade física na gestação e no pós-parto (Raimundo Sampaio/ Encontro/ D.A Press)
"No período gestacional, os benefícios da prática de exercícios são inúmeros", garante Dani Rico, especialista em atividade física na gestação e no pós-parto
Há 15 anos oferecendo atendimento para grávidas, mães e bebês, a educadora física Dani Rico é especialista em atividade física na gestação e no pós-parto. Mãe de quatro filhos, ela desenvolveu um programa completo para promover a comodidade física e emocional de mulheres. O objetivo é sanar as inúmeras dúvidas que envolvem a maternidade em palestras com profissionais de obstetrícia, psicologia, pediatria, nutrição, dermatologia, odontologia, anestesia, fisioterapia e enfermagem, que proporcionam suporte a essa fase tão importante na vida feminina. “No período gestacional, os benefícios da prática de exercícios são inúmeros, como a diminuição das complicações obstétricas, maior controle do ganho de peso da mãe, atuação no estado psicológico e social”, explica. Dani Rico enxerga ainda a diminuição da depressão, do estresse, a melhora da autoestima e ainda a prevenção de doenças graves como diabetes gestacional e pressão alta.

Segundo a especialista, as atividades são direcionadas de forma específica para cada etapa. Na gestação, por exemplo, elas fazem ginástica, hidroginástica, natação, musculação e ginástica holística – alongamentos que ajudam a diminuir dores, melhoram a postura e preparam o assoalho pélvico. No pós-parto, além dessas modalidades, as mães fazem ginástica localizada, treinamento funcional, circuito e aula de dança com o bebê, também conhecida como dança materna ou sling dance, que, além do gasto calórico, promove maior interação entre mãe e filho. Todas essas ações têm o objetivo de proporcionar mais conforto devido às inúmeras mudanças ocorridas no corpo e no metabolismo das gestantes.

Também conhecida como dança materna, a sling dance faz sucesso: além do gasto calórico, promove maior interação entre mães e filhos (Raimundo Sampaio/ Encontro/ D.A Press)
Também conhecida como dança materna, a sling dance faz sucesso: além do gasto calórico, promove maior interação entre mães e filhos
Há 18 anos, quando teve a primeira gestação, Dani Rico quis continuar se exercitando, porém, naquela época não havia muitos profissionais especializados nessa área. “Sempre gostei de praticar atividades físicas e, quando engravidei, queria dar seguimento, mas percebi a insegurança dos professores na elaboração dos treinamentos. Por isso, eu me dediquei a criar exercícios físicos que auxiliassem as mulheres no processo da gestação”, comenta.

Solange Bandeira Soares Palmeira, uma das alunas de Dani Rico, começou os treinos orientados quando estava com pouco mais de dois meses de gravidez. Na 30ª semana de gestação sentia-se visivelmente mais saudável. “Antes de engravidar, eu praticava exercícios e achei importante continuar. Participo de um grupo em minha academia que pratica hidroginástica, alongamento holístico, musculação e assiste a palestras direcionadas. Tudo isso faz bem para o meu corpo, a mente e também proporciona trocas de experiências com outras mães sobre assuntos relacionados a esse universo materno”, conta. Em aulas especiais de hidroginástica, os maridos também podem participar, desfrutando ainda mais desse momento especial da vida do casal.

Sem sono: 'Antes de engravidar, eu praticava exercícios. Achei importante continuar, mas de forma orientada', diz Solange Bandeira  (Raimundo Sampaio/ Encontro/ D.A Press)
Sem sono: "Antes de engravidar, eu praticava exercícios. Achei importante continuar, mas de forma orientada", diz Solange Bandeira
Andressa Gomes Rodrigues é mãe de Alice, de 3 anos, e Theo, de 6 meses. Na primeira gravidez, em 2013, ela participou de todo o programa oferecido por Dani Rico e aprovou o resultado, pois, além de manter a boa forma, pôde socializar-se com as colegas que estavam passando pela mesma fase. “É um privilégio ter oportunidades como essa, tenho amigas de outras cidades que não fazem exercícios porque não conseguem orientação adequada. Os exercícios para diástase, que promovem o fortalecimento do abdômen e melhoram a flacidez da barriga, foram indispensáveis para voltar à forma física. Percebi que a dedicação faz muita diferença nos resultados. Já as aulas de natação e hidroginástica me ajudaram a melhorar as dores nas costas. Eu sentia necessidade de aliviar o peso da barriga, já que a água diminui a gravidade”, conta. Outra situação prazerosa eram as aulas de dança materna, enquanto gastava calorias, mantinha contato direto com o bebê, um momento de relaxamento para ambos. Para participar dessa dança, a criança é envolvida em um tecido específico, o sling, amarrado como uma bolsa, de forma segura, ao corpo da mãe.

Com o propósito de se divertir e acalmar o filho Benjamin, a psicóloga e terapeuta corporal Mariana Russo começou a praticar a dança. Percebeu que os movimentos ritmados e leves também aliviavam as tensões e a ajudavam a se reconectar com o próprio corpo após a maternidade. Gostou tanto que, há quatro anos, começou a dar aulas de sling dance. Ela explica que um dos princípios da prática é o Método Movare, em que cada articulação é trabalhada para ajudar na flexibilidade do corpo e na melhora da consciência corporal e emocional. Seguindo o mesmo princípio Movare, o Gestar é direcionado às grávidas. Com movimentos sinuosos da pelve, inspirados na dança do ventre, essa atividade proporciona conexão com a gestação entre mãe e filho e ainda ajuda a manter a boa forma.

Com o propósito de se divertir e acalmar o filho Benjamin, Mariana Russo começou a praticar sling dance: apaixonou-se pela prática e virou professora (Raimundo Sampaio/ Encontro/ D.A Press)
Com o propósito de se divertir e acalmar o filho Benjamin, Mariana Russo começou a praticar sling dance: apaixonou-se pela prática e virou professora
Atualmente, Mariana presta consultoria para o Ministério da Saúde, na área de fortalecimento de vínculo familiar, e ressalta que o sling dance é importantíssimo nessa aproximação materna. “Iniciamos a aula com alongamento, enquanto os bebês ficam próximos a nós. Em seguida, eles recebem a shantala – massagem com óleo, que ajuda a deixá-los mais tranquilos, além de aliviar as cólicas. Depois, os amarramos ao sling para iniciar as dinâmicas corporais, coreografadas ou espontâneas, e nos deixamos levar pela trilha sonora selecionada especialmente para o corpo fluir”, ensina. Os recém-nascidos podem participar do primeiro mês de vida até 1 ano de idade. “Essa interação proporciona às mães senso de pertencimento, pois elas dividem com outras o círculo social e o bem-estar físico. Presenciamos a diminuição das dores causadas com os cuidados com a criança”, diz. Há dois meses praticando o sling dance, Flávia Almeida, mãe dos pequenos Theo e Gael, é só elogios: “Saio da aula muito leve. Até meu marido percebe que volto para casa mais sorridente, tranquila, me sentindo mais bonita.”

Na 39ª semana da gestação de Nina, 
Valeuska Dvassimon se mostrava bem
disposta e ativa: a prática de ioga e 
alongamentos a deixa mais segura  (Raimundo Sampaio/ Encontro/ D.A Press)
Na 39ª semana da gestação de Nina,
Valeuska Dvassimon se mostrava bem
disposta e ativa: a prática de ioga e
alongamentos a deixa mais segura
Há mulheres que optam por atividades físicas menos comuns nesse período, como é o caso de Valeuska Dvassimon, que está à espera de Nina. Nas 39 semanas de gestação, ela continuava bem disposta e ativa. “Quando eu morava em São Paulo, fiz ioga por cinco anos, de forma bem intensa e dinâmica. Mas este ano me mudei para Brasília e descobri que estava grávida, momento que conheci a hatha ioga para gestantes. Comecei de forma branda, direcionada aos alongamentos e estímulos que ajudam no fortalecimento, pois trabalhamos todos os músculos do corpo”, comenta. Sua professora é a educadora física Carmen Palet, formada em ioga para gestantes, especialista em educação e promoção da saúde. Ela trabalha como doula há 13 anos, credenciada pela instituição Dona.
 
Em sua opinião, as mulheres que se mantêm ativas durante a gravidez costumam ter mais resistência e elasticidade do que as sedentárias. “Exercícios como a ioga proporcionam relaxamento e consciência corporal. A prática de aeróbicos leves como caminhada, natação e hidroginástica melhora o condicionamento cardiorrespiratório e ativa o sistema circulatório, favorecendo o conforto físico e mental, pois diminui o estresse”, explica Palet. Como doula, prepara a mãe para o parto, ensinando movimentos para o fortalecimento do assoalho pélvico e períneo, esclarecendo dúvidas e encorajando as mães para a hora do parto. Mesmo com filhos pequenos, as mães podem seguir com a ioga. A partir do segundo mês de vida, os bebês participam de algumas posturas com elas, o que os deixam bem calmos. Alguns até dormem.
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EDIÇÃO 55 | Julho de 2017