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PET | Cerimônia »

Eles roubam a cena

Levar o cãozinho ao próprio casamento é uma opção para quem o considera parte fundamental da família e não abre mão de tê-lo ao lado em todos os momentos da vida

Paloma Oliveto - Publicação:25/05/2016 08:02
Não importam a elegância do noivo nem a decoração da igreja: no dia do casamento, todos os olhos se voltam para a protagonista da festa. Vestida de branco - ou da cor que preferir -, a noiva é a personagem principal de um conto de fadas que jamais sai de moda. Mas existe, sim, alguém que pode roubar as atenções. E com as bênçãos da própria noiva. Ele, o melhor amigo: o cachorro.

Hábito pouco difundido no Brasil e, em particular, em Brasília, levar o cãozinho à cerimônia é uma opção para quem o considera parte fundamental da família e não abre mão de tê-lo ao lado em todos os momentos da vida. Quem consegue vencer as dificuldades (como os templos religiosos e casas de festa que resistem em aceitar pets) carrega para sempre a recordação de um dia ainda mais especial do que os casamentos costumam ser.

Foi assim com o casal Cynthia Macarrão e Alexandre Rossi, o Dr. Pet da televisão, que fez questão de receber as alianças de Estopinha, a cachorrinha que estrela os programas de comportamento animal apresentado por Rossi. Na cerimônia para 60 pessoas, em janeiro de 2013, a fiel escudeira do Dr. Pet levou os anéis em uma almofadinha costurada à roupa. "A dama de honra não poderia ser outra, além da nossa cachorrinha", contou Cynhtia ao site Colher de Chá. Até no bolo, Estopinha foi retratada, ao lado da miniescultura dos noivos.
 
Cynthia Macarrão e Alexandre Rossi receberam as alianças de Estopinha: a fiel escudeira levou os anéis em uma almofadinha costurada à roupa (Renata Marques/Divulgação)
Cynthia Macarrão e Alexandre Rossi receberam as alianças de Estopinha: a fiel escudeira levou os anéis em uma almofadinha costurada à roupa
 
Antes mesmo de conhecer o marido, a empresária Bruna Borges tinha uma certeza: no dia em que se casasse, seus cães entrariam com ela na igreja. Sorte dela que Alexandre Borges também adora cachorros e embarcou na ideia de tê-los ao lado do casal no grande dia, celebrado em julho do ano passado. Toda a cerimônia foi pensada nos três cães golden retriever de Bruna e na labradora de Alexandre. Na verdade, havia mais um golden, Dartan, que levaria as alianças até o casal. Para a tristeza da empresária, o cão morreu em maio. Nem por isso, contudo, deixou de estar presente, na forma de uma fotografia pregada no vestido da noiva.

Desde o cartão de save the date ao convite de casamento, passando pelo bolo, as lembrancinhas e a decoração de sofás, mesas e cadeiras, o quarteto canino dominou a festa. Vestidos de fraque, Giuseppe, Isaac e Valentim acompanharam os primos de Bruna, assim como Tila, que entrou de vestido. "Eles chamaram muita atenção. Ninguém mais olhava para a noiva e o noivo, só para eles", brinca a empresária. Muito bem-comportados, sentaram-se quietinhos na capela da casa de eventos alugada pelo casal e esperaram, pacientemente, pelo fim da cerimônia. Por causa do barulho, Bruna optou por não "convidá-los" para a festa. Dito o sim, o quarteto foi levado para casa.

A participação dos goldens e da labradora, porém, não foi só no momento do casamento propriamente dito. Eles são tão importantes para Bruna e Alexandre que tiveram fotógrafo exclusivo. E mais: fizeram making-of, enquanto se preparavam no banho e tosa, fechado exclusivamente para a turminha. Bruna contou também com a sorte para que o casamento com a presença dos cães saísse perfeito. A um mês da data, ainda não havia padre que se dispusesse a celebrar do jeito que ela queria, com os pets entrando na capela. Até que a mãe da noiva conheceu o padre Roberto Rambo, da paróquia Nossa Senhora de Nazaré. Também apaixonado por cachorros, ele não só topou como adiou uma viagem para poder celebrar essa data tão importante.
 
Na preparação para o grande dia, Bruna e Alexandre Borges tinham uma certeza:  na cerimônia, seus cães entrariam na igreja  (Bruno Stuckert/Divulgação)
Na preparação para o grande dia, Bruna e Alexandre Borges tinham uma certeza: na cerimônia, seus cães entrariam na igreja
 
A mesma sorte não teve a bióloga Anne Pinheiro Costa. Ela e o noivo, o desenhista industrial Fabrizzio Freire de Moura, planejavam se casar na igreja, mas encontraram resistência por parte do clero, tanto em Brasília quanto em Uberlândia (MG), cidade da família de Anne. Como a presença do poodle Artur é item não negociável, o casal optou por celebrar a união apenas no civil. Tudo para que o cãozinho possa acompanhá-los no dia mais importante da vida deles.

Artur, aliás, ajudou no casamento. "Antes de ficarmos noivos, o Fabrizzio falou que, quando nos casássemos, o Artur participaria. Na hora eu percebi que ele era o homem da minha vida. A ideia do casamento ficou muito mais forte, ele me conquistou por meio da aceitação do Artur", revela Anne. O poodle, que participou da sessão de fotos do save the date, vai entrar de fraque no colo da irmã da bióloga, ou no chão - o detalhe ainda não foi decidido. Uma coisa é certa: ele será o pajem e levará as alianças para os "pais".

Anne dispensou treinador e não sabe o que poderá acontecer na cerimônia, que será acompanhada por 60 pessoas em uma chácara de Uberlândia. Se Artur fizer alguma gracinha, ela vai achar ótimo. "No dia da prova do vestido, ele rodou, rodou, e se sentou na cauda do meu vestido. No casamento, é bem provável que ele pisoteie o vestido todinho. Se fizer isso, vou amar!", diz.

O poodle Artur participou da sessão de fotos do save the date: ele será o pajem no casamento de Anne Pinheiro e Fabrizzio Freire (Jessé Abre/Divulgação)
O poodle Artur participou da sessão de fotos do save the date: ele será o pajem no casamento de Anne Pinheiro e Fabrizzio Freire

Para que tudo saia perfeito, John D’Ariano, presidente da Associação Nacional de Pet Sitters Profissionais dos Estados Unidos, sugere a contratação de um funcionário para ficar com o cãozinho durante a cerimônia. "Assim você não precisa se preocupar durante a cerimônia. Escolha uma pet sitter que fique responsável por levar o animal, alimentá-lo, dar água e lhe fazer companhia", diz. O especialista também lembra que o fotógrafo seja avisado, para que esteja preparado para fazer os melhores cliques. Outra dica importante: "Não sobrecarregue o animal. Tenha certeza de que ele está confortável com as roupas e acessórios escolhidos para a cerimônia."
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EDIÇÃO 58 | outubro de 2017