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ESPECIAL MAIO | CURSOS »

Sem medo de choro

Aulas sobre como trocar fraldas, técnicas para dar banho em recém-nascidos e instruções sobre como amamentar estão se popularizando em Brasília

Camila Costa - Publicação:30/05/2016 13:42Atualização:30/05/2016 13:56
A servidora pública Adriana Godoy Cadete fez cursos para gestantes enquanto esperava a chegada de Nina: 'Uso muito do que aprendi nas aulas' (Vinícius Santa Rosa / Esp. Encontro / DA Press)
A servidora pública Adriana Godoy Cadete fez cursos para gestantes enquanto esperava a chegada de Nina: "Uso muito do que aprendi nas aulas"
Esperar um filho é esperar também a chegada de uma nova rotina. Logo que nascem, os bebês precisam se alimentar bem. Mamar, essencialmente. Isso quer dizer que a mãe terá pela frente uma maratona de cuidados: trocar fralda, dar banho, cochilar, trocar fralda mais uma vez, amamentar e assim vai. É preciso lidar com isso corretamente e ainda equilibrar as emoções.

Porém, como se preparar? Como estar pronta para usar tudo isso, saber dar banho, segurar com jeitinho ou entender um choro? Hospitais da cidade e profissionais particulares têm se dedicado especificamente à tarefa de preparar marinheiros de primeira viagem: mamães e papais podem aprender a lidar com a nova vida. A tarefa é árdua, envolve muitas dúvidas e apuros, mas o final tem sempre histórias repletas de amor e de aprendizado.

A enfermeira Karine Rayane de Oliveira Ferreira está esperando o primeiro bebê. É uma menina. Helena deve nascer entre agosto e setembro. Mas mamãe e papai já estão a todo vapor na preparação. Contrataram um pacote com seis aulas em um curso de gestantes. “Como é nossa primeira filha, não temos experiência. E nossas mães trabalham, nem poderiam nos ajudar muito. Então fomos atrás de ajuda sobre os primeiros cuidados com o bebê”, conta a futura mamãe, que divide a sala com outros 19 casais.

Um boneco é usado quase o tempo todo como modelo. É com ele que os casais simulam o jeito de pegar o filho, de dar banho, de colocar para mamar e arrotar, a melhor forma de fazer massagem e de pôr para dormir. “Já senti que vou ficar menos nervosa. Apesar de ser um boneco, temos pelo menos uma noção de como será. Aprendemos sobre primeiros socorros, algo que acho fundamental, porque tenho muito medo de o bebê engasgar. Somos duas pessoas sem experiência alguma, mas vamos dar conta”, afirma Karine.

A enfermeira obstetra Márcia Madeira dos Santos Lacerda está há 20 anos no ramo. Tem grupos de mães, de pais e se define como uma profissional voltada para a família. “É isso o que verdadeiramente importa”, explica. Suas aulas acontecem duas vezes ao mês e incluem incentivo ao aleitamento, explicações sobre todo o processo de amamentação, de cuidados com o bebê, técnicas de fisioterapia pélvica, informações importantes para a gestação, o parto e o pós-parto, além de instruções à mãe de como manter uma alimentação saudável.

A parte emocional não é deixada de fora. Também são feitos trabalhos para manter o envolvimento familiar mesmo após todas as mudanças ocasionadas com a chegada do recém-nascido. “Ao todo são seis encontros. Os casais que vão em todos eles, normalmente, nem precisam de apoio após o parto. Outros mantêm contato. Mas, no fim, formamos uma grande família, vínculos, amigos”, afirma Márcia.

No início deste mês, ela e um grupo de mães se encontraram para festejar a vida. E os bebês. Mães que Márcia ajudou a enfrentar os desafios da maternidade e hoje já comemoram os primeiros aniversários dos pequenos. “Conseguimos manter o contato porque depois vêm os cursos de shantala, de papinhas etc. E tudo envolve o emocional, a proximidade do casal, da família. Estamos sempre envolvendo os pais nas aulas, para fazer desse momento uma aproximação, e não afastamento entre eles”, pondera. O valor, segundo a enfermeira, é de 40 reais por casal, recolhidos para custear a estrutura das aulas, como aluguel de mesas e cadeiras.

Karine Rayane e Eduardo Gomes estão a todo vapor na preparação para a chegada de Helena: vão fazer seis aulas sobre os primeiros cuidados com recém-nascidos (Vinícius Santa Rosa / Esp. Encontro / DA Press)
Karine Rayane e Eduardo Gomes estão a todo vapor na preparação para a chegada de Helena: vão fazer seis aulas sobre os primeiros cuidados com recém-nascidos
Sempre atenta aos cuidados com o corpo e a mente, a servidora pública Adriana Godoy Cadete não se comportou diferente durante a gestação de Nina, hoje com 3 meses. Até os sete meses de gravidez, jogou futevôlei. Além disso, não podia ver uma revista ou livro sobre o tema que comprava e lia até o fim. Para fechar com chave de ouro esse momento, fez dois cursos de gestantes, em dois hospitais. “Dão informações sobre primeiros socorros. Conselhos para o pré-parto, para o parto em si, e usei muito do que aprendi nas aulas”, garante Adriana. Segundo ela, fazer o curso foi fundamental para manter a segurança nos cuidados com Nina. “Vamos pelo instinto e pelo que aprendemos. Os conhecimentos repassados me deixaram mais calma e segura”, conta.

Muitos hospitais particulares do DF oferecem o serviço gratuitamente. Além disso, o governo oferece às mulheres o acompanhamento por meio da Rede Cegonha. O programa é uma estratégia do Ministério da Saúde, pensado para todo o território nacional, e tem como objetivo implementar uma rede de cuidados com a mãe. Assegurar o direito ao planejamento da gestação, atenção humanizada durante esse período, durante o parto e no puerpério – período que decorre desde o parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem às condições anteriores à gestação – e, por fim, garantir às crianças o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis.

A Universidade de Brasília também tem um grupo, o de Promoção da Saúde Sexual e Reprodutiva, no Hospital Universitário (HUB). Lá, o trabalho é mais amplo. Entre uma conversa e outra, especialistas ajudam na interação da mulher com seu próprio corpo no exercício de sua vida sexual e reprodutiva. Nos cursos de gestantes, as futuras mamães debatem assuntos como legislação, exercícios físicos, dificuldades e ainda realizam o pré-natal. O acompanhamento pode ser feito também após o parto, com o grupo de mulheres puérperas que trocam experiências.
 
Márcia Madeira dá cursos que incluem cuidados com o bebê, incentivo ao aleitamento e instruções à mãe de como manter uma alimentação saudável (Rai Costa / Divulgação)
Márcia Madeira dá cursos que incluem cuidados com o bebê, incentivo ao aleitamento e instruções à mãe de como manter uma alimentação saudável
 
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017