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EDUCAÇÃO | Tecnologia »

Robótica para crianças

De maneira inédita, projeto pretende reinventar a maneira como professores ensinam ciências e matemática a alunos com menos de 10 anos

Karoline Diniz - Publicação:31/05/2016 08:40
Imagine unir o lúdico à educação tecnológica? E ainda desmistificar conteúdos como matemática e ciências, levando para as salas de aula um recurso pedagógico importante como a vivência da robótica? Pois isso é o que pretende o projeto Educação Científica, Tecnológica e Matemática: uma proposta de pesquisa-ação junto aos estudantes e professores do Programa Infantojuvenil (PIJ) da Universidade de Brasília (UnB). Mesmo estando ainda em fase inicial, uma meta está bem definida: recriar um ambiente de pesquisa científica para alunos do PIJ que têm entre 3 e 10 anos.

Fruto da parceria entre o Sesi/DF e a Lego Education: o ensino de robótica a alunos do Programa Infantojuvenil da UnB recria um ambiente de pesquisa científica (Vinícius Santa Rosa/Esp. Encontro/DA Press)
Fruto da parceria entre o Sesi/DF e a Lego Education: o ensino de robótica a alunos do Programa Infantojuvenil da UnB recria um ambiente de pesquisa científica

O projeto foi implantado em abril de 2014, e a segunda etapa, que envolve educação tecnológica, foi iniciada há poucos meses. Fruto de uma parceria inédita entre o Serviço Social da Indústria (Sesi/DF) e a Lego Education, a atividade inclui o ensino de matemática e ciências por meio da inclusão da robótica e com o auxílio de outros jogos. O projeto conta com o apoio institucional da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e pretende gerar e disseminar novas tecnologias educativas para escolas da rede pública de Brasília.

A robótica educacional vem ganhando espaço no Brasil com uma proposta de promover estudo de disciplinas como matemática e física, além de desenvolver raciocínio lógico, habilidades manuais e relações interpessoais entre crianças e adolescentes. "A ideia é praticamente reinventar a maneira como professores lidam com crianças pequenas no ensino de ciências e matemática. Essas duas matérias são as mais críticas na formação educacional no Brasil e têm impacto em todos os níveis de ensino, incluindo o ensino superior, que vai formar professores", explica Gilberto Lacerda Santos, professor da Faculdade de Educação da UnB e um dos coordenadores do projeto.
 
O professor cita como exemplo turmas de física e química da UnB que chegam ao final do curso com um número baixíssimo de formandos, às vezes um ou dois alunos. "Esse desinteresse crônico é gerado desde a educação infantil e causa prejuízos enormes à nação", alerta o coordenador.
 
Inovação: Regina Pina e Gilberto Lacerda Santos coordenam o projeto (Vinícius Santa Rosa/Esp. Encontro/DA Press)
Inovação: Regina Pina e Gilberto Lacerda Santos coordenam o projeto
 
O modelo implantado no Sesi tem se tornado referência no DF. E a inclusão da educação tecnológica no currículo já tem dado resultados. Neste ano, os alunos participam pela primeira vez de uma competição internacional de robótica na Espanha, após terem vencido várias etapas regionais. O técnico Atos Henrique Gonçalves e os seis estudantes da equipe embarcaram para a Europa no dia 1º de maio. Na grade curricular do Sesi, os estudantes começam a ter contato com educação tecnológica a partir dos 6 anos de idade e continuam até a conclusão do ensino médio.

A ideia é, quinzenalmente, levar esses alunos da equipe de robótica até o PIJ para dar aula às crianças. "Nossos alunos criam um projeto, trabalham a disciplina e vão desenvolver conteúdo com as crianças do PIJ. Eles vão despertando nesses meninos o interesse por exatas e vendo na prática como funciona", conta Mayra Rezende Simon, professora de educação tecnológica do Sesi. A parceria inclui, por ora, o empréstimo do material da Lego e o auxílio na inclusão da disciplina.

A professora do Departamento de Matemática da UnB Regina Pina acrescenta que a intenção é imprimir nos alunos a ideia da investigação, da descoberta e da análise. "A criança que precisa desenvolver um projeto de robótica investe em uma série de conhecimentos. Existe espaço para professores de várias áreas desenvolverem conteúdos com o uso da robótica, do inglês à oratória. Os projetos de robótica envolvem, além de pesquisa, pensar em soluções para problemas atuais da sociedade", reforça.

Outra preocupação dos docentes que coordenam o projeto do PIJ é trabalhar para a desmistificação das matérias de exatas, principalmente para as meninas. "As mulheres estão fugindo completamente das carreiras tecnológicas. Temos contato com meninas, ainda crianças, que já demonstram desinteresse porque são contaminadas com discursos de que matemática e ciências não são disciplinas para mulheres", salienta Regina Pina, que também coordena o projeto. Em longo prazo, haverá reflexo na maneira como pedagogas encaram disciplinas como química, física e matemática.
 
Multidisciplinaridade: a ideia é que professores de várias áreas, do inglês à oratória, desenvolvam novos conteúdos (Janaína Mendes/Divulgação)
Multidisciplinaridade: a ideia é que professores de várias áreas, do inglês à oratória, desenvolvam novos conteúdos
Para o secretário de Ciência e Tecnologia do DF, Oscar Klingl, é necessário fomentar projetos que, de alguma forma, criem mecanismos complementares e alternativos do ensino da ciência e da matemática, já que este é muito precário no país. "As crianças são esponjas de conhecimento e querem saber de tudo. E a ciência nada mais é que o preenchimento da curiosidade. Mas, infelizmente, o ensino convencional estraga essa curiosidade e elas acabam perdendo o estímulo com o qual nasceram", diz.

A próxima etapa é um workshop distrital marcado para o segundo semestre deste ano. A ideia é receber professores de educação infantil para iniciar um processo de disseminação de resultados parciais do projeto, além de buscar inovações didáticas no ensino de ciências e matemática.
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017