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Prevenir é sempre melhor do que remediar

Com a evolução dos instrumentos de diagnósticos, os check-ups para cães estão se popularizando em Brasília. Saiba por que os especialistas recomendam

Paloma Oliveto - Publicação:29/06/2016 11:13Atualização:29/06/2016 12:32
Todo mundo leva seu cãozinho para tomar banho e embelezar os pelos nas pet shops. Poucas pessoas, porém, são zelosas com a saúde dos melhores amigos. Por falta de informação, pensam que só precisam levá-los ao veterinário para as vacinas anuais ou quando estão doentes. Dessa forma, perdem a chance de diagnosticar precocemente problemas que podem se agravar e deixam de receber instruções sobre os procedimentos que têm de ser adotados em cada fase da vida do animal. "Houve um aumento da consciência, mas, na maioria das vezes, os donos ainda procuram o médico veterinário à espera de um milagre. Uma minoria faz todo o protocolo de vacinação e realiza check-up periódico", lamenta o veterinário César Zaine, da Clínica Veterinária Animal Park, em Taguatinga.
O veterinário César Zaine sugere o zelo com prevenção dos pets: hoje existem ferramentas diagnósticas diversas que, há até pouco tempo, estavam restritas a pacientes humanos  (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
O veterinário César Zaine sugere o zelo com prevenção dos pets: hoje existem ferramentas diagnósticas diversas que, há até pouco tempo, estavam restritas a pacientes humanos

Ele conta que, hoje, existem especializações e ferramentas diagnósticas diversas que, há até pouco tempo, estavam restritas a pacientes humanos. Avaliações como exames bioquímicos por automação (mede ureia, creatinina, fosfatase alcalina, colesterol e triglicérides, entre outros), dosagens toxicológicas, taxas hormonais (T3, T4, estradiol, progesterona, cortisol etc.) e testes sorológicos (Aids felina, leucemia viral felina, cinomose, parvovirose, erliquiose, toxoplasmose, dirofilariose, brucelose, fator reumatoide, etc.) detectam males que, de outra forma, passariam despercebidos e poderiam até matar o pet.

'É importante sempre se monitorar 
mudanças comportamentais e físicas 
dos animais', aconselha a veterinária
Carmen Peres, da creche canina The 
Hound (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
"É importante sempre se monitorar
mudanças comportamentais e físicas
dos animais", aconselha a veterinária
Carmen Peres, da creche canina The
Hound
A veterinária Carmen Peres Xavier Pinto, da creche canina The Hound, na Asa Norte, explica que os cuidados com a saúde do cãozinho começam no momento em que ele sai do canil ou do local onde foi adotado. Ela recomenda que o cachorro faça exames de cinomose, parvovirose e hemograma completo, além de leishmaniose, problema comum em Brasília. Isso só quando ele estiver com 3 meses, pois, antes, como tem poucos anticorpos, os testes podem dar falso negativo. No caso dos pets adquiridos com criadores de confiança, eles já chegam com a carteirinha de vacinação e exames feitos, menos o de leishmaniose, que deve ser realizado pelo tutor. "Depois disso, o cachorro está bem de saúde, fica a critério do proprietário observar e ver se encontra alguma alteração", diz, ressaltando a importância de sempre monitorar mudanças comportamentais e físicas dos animais.
 
Esse sempre foi um hábito da servidora aposentada Sheyla do Carmo Costa. Tutora de três gerações de lulus da Pomerânia, ela jamais descuida das pequenas e foi assim que detectou, precocemente, doenças que poderiam colocar em risco a vida de Mel, de 15 anos, e Sol, de 12. A caçula Suzy, que tem 9 anos de idade, nunca teve problemas graves de saúde, mas nem por isso passa longe do veterinário. "Elas são como filhas. Sobem na cama, estamos sempre passando a mão, então é fácil perceber alterações. Quando noto alguma coisa, vou logo atrás", conta. Foi assim que Sheyla identificou a tempo um câncer de mama em Sol, mesmo a cachorrinha sendo tão peluda. Ao sentir um carocinho na cadela, levou-a ao veterinário, que fez a biópsia e realizou a cirurgia. O tumor surgiu novamente e também foi diagnosticado precocemente. Dessa vez, Sol tirou todo o tecido mamário. Como a cirurgia foi realizada a tempo, a cachorrinha se recuperou bem e, em duas semanas, já estava correndo pela casa.

Sheyla do Carmo Costa é tutora de 
três gerações de lulus da Pomerânia 
e detectou, precocemente, doenças 
que poderiam colocar em risco a 
vida de Mel, Sol e Suzy (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Sheyla do Carmo Costa é tutora de
três gerações de lulus da Pomerânia
e detectou, precocemente, doenças
que poderiam colocar em risco a
vida de Mel, Sol e Suzy
A mais velha, Mel, mãe de Sol e avó de Suzy, também já fez uma cirurgia de grande porte. Tirou o útero, após um quadro de piometra, também identificado precocemente. Agora, que está idosa, faz exames e consultas com maior frequência e não costuma dar sustos em Sheyla.

Carmen Peres destaca a necessidade de os check-ups se intensificarem na transição entre a juventude e a idade adulta, que varia de acordo com o porte do animal: os pequenos, por volta dos 8 anos, e os maiores, aos 5. "A partir dessas idades, os exames devem ser anuais, incluindo hemograma, função renal, função hepática e ultrassom abdominal", recomenda. No caso das raças que apresentam propensão a problemas cardíacos, como os braquicefálicos (shitzu e buldogue, por exemplo), a veterinária também recomenda exames de coração.

Na velhice, naturalmente os cães batem mais à porta do veterinário, pois, assim como os humanos, começam a apresentar mais problemas de saúde. Para eles, o veterinário César Zaine diz que existem diversos exames sofisticados, capazes de diagnosticar alterações que, se não identificadas, podem evoluir para doenças típicas da idade, como diabetes. "Quando não tratada a tempo, o diabetes pode provocar o aparecimento de catarata e levar à cegueira", destaca.
 (Arte/Encontro)

Outro período importante que precisa ser acompanhado é o da gestação, que, nas cadelas, dura de 60 a 66 dias. A ultrassonografia é indicada para confirmar a gravidez e ver se está tudo bem com os fetos, mas, segundo Carmen, para checar a quantidade de filhotes, o ideal é fazer uma radiografia, que mostra os esqueletinhos, permitindo uma contagem bem precisa, pois, muitas vezes, um está por cima do outro. A radiação é pequena e não faz mal para a mamãe nem para os pequenos, destaca a veterinária. Por sua vez, o ultrassom dará uma boa previsão do dia do parto, pois possibilita visualizar o estágio de formação dos órgãos. Depois do parto, a mamãe só precisará voltar ao veterinário caso apresente mudança de comportamento. Mas, para evitar doenças nas mamas e no útero, a veterinária lembra: o melhor é castrar.

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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017