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Personal trainer a tiracolo

Sites, aplicativos e games fazem sucesso entre entusiastas de práticas de exercícios físicos que não têm tempo ou não gostam de ir à academia

Mariana Laboissirère - Redação Publicação:05/07/2016 10:08Atualização:05/07/2016 10:36
Os adeptos de uma vida saudável têm hoje uma grande aliada para praticar exercícios físicos: a tecnologia. Com um clique apenas, é possível saber a reação do corpo a determinada tarefa motora ou acompanhar, por exemplo, o rendimento pessoal a cada teste de resistência. Fato é que, nessa área, o mercado vem ganhado corpo e se diversificando. Além de aplicativos para celular, quem procura se manter em forma tem à disposição aulas em vídeo que podem ser praticadas em qualquer lugar, inclusive na própria sala de casa. Muitas delas, em tempo real, proporcionam uma interação que, até pouco tempo atrás, só era possível em academias ou com um personal trainer a tiracolo.

Para a servidora pública Sabrina Ferreira Ribeiro, não há vez para o sedentarismo. Além de fazer aulas presenciais de boxe em uma escola perto de casa, às segundas, terças e quartas-feiras, ela pratica exercícios sem sair de casa, nos dias subsequentes. "Tenho vários tipos de aula virtual: de alto impacto, de ioga, de dança", conta. Ela se cadastrou em um site que oferece aulas a distância, com professores disponíveis ao vivo. "Você só precisa responder a um questionário e eles sugerem treinos personalizados. Às vezes eu faço mais de uma aula por dia: de manhã e à noite. E pode ser tanto pelo computador como pelo celular", explica.
Não tem desculpa: 'Mesmo se chover ou se você se atrasar no trânsito, nada te atrapalha a se exercitar em casa', diz 
Sabrina Ribeiro (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Não tem desculpa: "Mesmo se chover ou se você se atrasar no trânsito, nada te atrapalha a se exercitar em casa", diz Sabrina Ribeiro

Sabrina conta ainda que recorre aos treinos on-line sempre que falta ao boxe. "O fato de você poder acessar de onde estiver facilita muito. Mesmo se chover ou se você se atrasar no trânsito, nada te atrapalha a se exercitar em casa. Não tem desculpa", diz ela, que, desde que começou a usar a plataforma de maneira complementar, conseguiu emagrecer oito quilos, revela. Para a servidora pública, o ponto forte das aulas pela internet é a diversidade. "Não fica repetitivo, maçante. Você tem vontade de praticar. Uma coisa boa é que eles avisam sempre quando um exercício está prestes a começar", diz.

Mais de 2,5 mil usuários, assim como Sabrina, fazem as aulas na Treinei, plataforma criada pelo engenheiro e administrador de empresas Marcelo Moraes, de São Paulo. Ele conta que a ideia surgiu a partir de uma necessidade pessoal. "Estava nos Estados Unidos, em 2010, quando descobri um problema de coluna. Não tinha tempo nem grana para fazer um tratamento nos moldes que faria no Brasil e foi, então, que comecei a fazê-lo via Skype com o Rafael Ribeiro, meu atual sócio, que já trabalhava na área. Com disciplina, consegui treinar de forma recorrente. Ele me sugeria os exercícios e me corrigia em tempo real", detalha.
O empresário Marcelo Moraes (de preto) com os sócios Rafael Ribeiro, Gislaine Zaramella e Maira Noronha, no site Treinei: alternativa prática e barata para exercícios (Arquivo Pessoal)
O empresário Marcelo Moraes (de preto) com os sócios Rafael Ribeiro, Gislaine Zaramella e Maira Noronha, no site Treinei: alternativa prática e barata para exercícios

A ideia de Marcelo deu tão certo que se transformou em empresa, desde setembro de 2015. "A quantidade de pessoas que se exercitam é muito baixa no Brasil. Apenas 3,5% da população frequenta academia ou dispõe de um personal trainer. Então, pensamos nessa plataforma como uma alternativa prática e barata para exercícios", comenta. A plataforma oferece 20 dias de prática gratuita. Depois desse período, é cobrada uma mensalidade de 49,90 reais para acesso às aulas em tempo real. As gravadas, diferentemente, não precisam ser pagas pelo usuário.

Há outras ferramentas similares à Treinei disponíveis no mercado, como Mamãe Sarada e Queima de 48 horas. Nelas, os equipamentos típicos de academia são dispensáveis, uma vez que a metodologia é baseada no peso do corpo. Para isso, basta apenas um computador ou celular conectado à webcam e com acesso à internet.

Os jogos de videogame com lutas e danças também aparecem como opções para quem quer queimar calorias em casa e, ao mesmo tempo, se divertir. A nutricionista Andréia da Fonseca Moura é aficionada por esse universo e se exercita com movimentos similares aos que aparecem na telinha do Just Dance. Nele, mais precisão de movimentos significa mais pontos ganhos no jogo. "Desde 2014, utilizo o Xbox (modelo de videogame), adoro dançar. Então, para mim, unir os dois foi o melhor dos mundos, afinal, sempre fui uma pessoa tímida", conta. Com a rotina, Andreia conseguiu emagrecer três quilos só neste ano. Mas ela não nega: "Mesmo com toda a facilidade, o maior desafio continua sendo vencer a preguiça". A nutricionista também já utilizou aplicativos de celular para acompanhar o desempenho em caminhadas.
'Para mim, unir game e dança foi a melhor dos mundos, pois sempre fui uma pessoa tímida', diz a nutricionista Andréia da Fonseca Moura (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
"Para mim, unir game e dança foi a melhor dos mundos, pois sempre fui uma pessoa tímida", diz a nutricionista Andréia da Fonseca Moura

É nas plataformas desenvolvidas para smartphones que há a maior diversidade de opções atualmente. Basta uma simples pesquisa nas lojas virtuais para ter acesso a uma enxurrada de resultados. O técnico e atleta de remo Christian Carvalho Cortes Barbbosa sabe muito bem disso. Ele utiliza diariamente uma plataforma chamada Rowing In Motion, que, na prática, consegue substituir um aparelho utilizado na modalidade que custa em torno de 3 mil reais. "O aplicativo capta informações de cada remada, como velocidade, velocidade média, ritmo da remada, entre outros. Elas aparecem na tela do celular de forma instantânea. Então, em termos de economia, é um achado", diz. Ele pondera sobre a grande quantidade de opções no mercado e sustenta que nem todas oferecem a mesma quantidade de informações. "O que se tem a fazer é baixar e ir testando até achar um que sirva bem. Em termos de prática, os apps ajudam na evolução dos treinos. Mas é preciso cuidado na hora da interpretação dos dados, caso contrário, a pessoa estará se enganando", conclui.
Christian Barbosa usa o Rowing In motion para praticar remo: o aplicativo substitui um aparelho que custa em torno de 3 mil reais (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Christian Barbosa usa o Rowing In motion para praticar remo: o aplicativo substitui um aparelho que custa em torno de 3 mil reais

O psicólogo Eduardo Portela também não abre mão da tecnologia na hora de cuidar do corpo. Seja qual for a atividade, ele diz sempre ter à mão um app para ajudar no dia a dia fitness. Entre as principais atividades, está o pedal. "O RunKeeper é um referencial para mim. Nem sempre a marcação dele é tão precisa, se compararmos a outros equipamentos específicos, mas isso não quer dizer que ele seja ruim. É um parâmetro para ajustar os treinos. E ter um respaldo numérico é fundamental para quem quer alto rendimento", conta. A ferramenta também pode ser usada em caminhadas e trilhas, fornecendo informações sobre distância percorrida, tempo e calorias queimadas, por exemplo. Outra função do aplicativo é permitir ao atleta ouvir orientações, músicas, medir os batimentos cardíacos e tirar fotos do caminho para compartilhar e salvar durante o exercício.

Para o estudante Maurício Rodrigues de Araújo, há uma tendência clara no uso da tecnologia para melhoria do desempenho nos exercícios físicos. Assim como Christian e Eduardo, ele monitora, regularmente, as atividades que faz. Nas últimas vezes em que usou um aplicativo para correr, a ferramenta calculou uma média de cinco minutos por quilômetro percorrido. Ao todo, ele conta ter feito 8 km. "Agora a meta é manter. Acho que essa interação tecnológica tende a se expandir para melhorar a prática de quem se exercita, já que auxilia muito na evolução dos treinos. Não vejo qualquer malefício", relata.
Maurício Rodrigues de Araújo acredita na tendência de uso da tecnologia para melhoria do desempenho nos exercícios físicos: 'Não vejo qualquer malefício' (Raimundo Sampaio/Esp. Encontro/DA Press)
Maurício Rodrigues de Araújo acredita na tendência de uso da tecnologia para melhoria do desempenho nos exercícios físicos: "Não vejo qualquer malefício"
 
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EDIÇÃO 59 | novembro de 2017