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CULTURA | Personagem »

Uma brasiliense em Cannes

Ao participar de um dos mais prestigiados festivais de cinema do mundo, a diretora Dani Cronemberger ganha, além da bagagem profissional, mais segurança para trabalhar com temas polêmicos

Paula Pratini - Publicação:06/07/2016 13:53
'Conheci pessoas incríveis, de todas as partes do mundo', diz Dani Cronemberger, diretora brasiliense selecionada no Short Film Corner, do festival de Cannes (Paula Pratini/ Esp. Encontro/ DA Press)
"Conheci pessoas incríveis, de todas as partes do mundo", diz Dani Cronemberger, diretora brasiliense selecionada no Short Film Corner, do festival de Cannes
O curta-metragem Em Defesa da Família, da diretora Dani Cronemberger, representou Brasília na última edição do Festival de Cannes, realizada entre os dias 11 e 22 de maio, na França. O documentário foi selecionado pelo Short Film Corner – espaço destinado aos novos talentos e diretores interessados em trocar experiências e conhecer profissionais de todo o mundo.

Em bate-papo com Encontro Brasília durante o evento, a diretora contou que achou tudo incrível no festival: “Foi muito vantajoso. No Short Film Corner você aprende em uma semana tudo o que precisa saber sobre cinema e todas as etapas envolvidas. Desde a pré-produção à captação de recursos; o que é mais vendável e o que tem apelo no mercado; também como produzir e distribuir seu filme. É uma visão realista do cinema”, disse.

Para Dani, uma coisa é ter uma ideia, um roteiro e pensar simplesmente como artista, outra coisa é lançar o seu material. “Em Cannes, você deixa de ter uma visão amadora sobre a sétima arte e descobre um mundo de possibilidades. Conheci pessoas incríveis de todas as partes do mundo e participei de encontros com organizadores, produtores e diretores no Queer Market, de temática LGBT”, conta.

A brasiliense, que tem formação em jornalismo, contou ainda que vários festivais e produtoras se interessaram em exibir seu filme. “Cannes é o lugar ideal para o networking. Fiquei impressionada com a qualidade dos realizadores e a bagagem que adquiri.”

O festival, que é um dos mais aclamados no meio, representou para Dani “três dias imersos no universo do cinema”, com workshops, mesas-redondas e palestras com grandes nomes da indústria cinematográfica, projeções de filmes, plataformas de exibição, streaming, web e TV, por exemplo. A diretora destaca uma das mesas-redondas sobre direção apresentada por Juliano Ribeiro Salgado, diretor do belíssimo Sal da Terra.

Dani Cronemberger foi selecionada, entre 30 brasileiros que também participaram do festival, para o projeto Novos Cineastas no Brasil - Do Curta ao Longa, e apresentou projeto de um documentário sobre o impeachment de Dilma Rousseff. Ela pretende começar a pré-produção do novo projeto em 2017, assim que terminar de divulgar e comercializar o Em Defesa da Família. O curta foi exibido pela primeira vez no Cine Brasília no início de março e teve excelente acolhida do público. É um filme que trata de temas polêmicos, como a homofobia e a definição legal da família na sociedade brasileira. Nele, Vanessa e Marília são um casal com três filhos pequenos, Felipe, Mateus e Samuel. Elas convivem diariamente com o preconceito, discurso de ódio, intolerância e falta de respeito dos parlamentares no Congresso Nacional, em Brasília.

Cena do filme Em Defesa da Família: a mensagem do filme é que precisamos focar o olhar nas pessoas (Reprodução/Filme)
Cena do filme Em Defesa da Família: a mensagem do filme é que precisamos focar o olhar nas pessoas
O título escolhido, Em Defesa da Família, é uma das principais bandeiras dos parlamentares conservadores e homofóbicos. Para eles, a família ‘normal’ deve ser estabelecida entre um homem e uma mulher e repudiam explicitamente os casais homossexuais. Dani Cronemberger acredita que produzir um filme como esse foi um grande passo contra esse rótulo. “Foi importante para mim me aprofundar e debater sobre o que acontece no Congresso, e me lançar neste desafio de mostrar que a intolerância ganha força política e social. A mensagem do filme é de que precisamos focar o olhar nas pessoas. As pessoas são mais importantes, o amor é mais importante. E acredito que o amor pode esclarecer mais do que um discurso.”

Além de ter participado do Festival de Cannes, o documentário foi premiado como Melhor Filme de Ativismo Social do Outview LGBT Film Festival de Atenas, na Grécia; foi selecionado para participar do International Changing Perspectives Short Film Festival, em Istambul, na Turquia; do ‘OutFest’ em Lima, no Peru; além do Rio Festival de Gênero e Sexualidade no Cinema, do Rio de Janeiro.
Dani Cronemberger diz que agora, mais que nunca, se sente realizada, cheia de contatos e novas ideias. “Acredito que eu posso agora caminhar com mais firmeza e desenvolver um trabalho melhor, mais profissional. Eu me senti muito motivada a exibi-lo em todos os festivais possíveis. Recebi muito apoio. O importante agora é que o maior número de pessoas veja o filme e reflita sobre a questão”, finaliza.
 
Cena do Filme (Divulgação)
Cena do Filme
 
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EDIÇÃO 57 | Setembro de 2017